Conferência acontece na Amazônia e ES inicia preparativos para participar
Bruna Pereira
O Espírito Santo começa a se preparar para participar da Conferência das Partes (COP), um encontro mundial em que líderes de vários países signatários da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC) se reúnem para discutir os problemas climáticos e buscar soluções para reduzir os danos ao meio ambiente. Este ano, a trigésima COP (COP30) se realiza, em novembro, em Belém, Pará. Para pensar essas iniciativas, foi criada a Comissão Técnica para a COP-30 com a participação de todos os setores políticos estaduais. A delegação que vai à COP-30 será oficialmente definida no Fórum Capixaba de Mudanças Climáticas (FCMC). Além da delegação, está em desenvolvimento a Carta do Espírito Santo, que reúne propostas sobre mitigação e adaptação às mudanças climáticas por meio de soluções voltadas à resiliência das cidades, segurança hídrica, reflorestamento e descarbonização da economia.
O documento será finalizado em junho, no evento Sustentabilidade Brasil 2025, que acontece na Praça do Papa, em Vitória. A ideia busca evidenciar aos líderes presentes, os dilemas Espírito Santo em relação ao meio ambiente, em especial com os efeitos climáticos sofridos nos últimos anos. Em seguida, as ideias serão apresentadas no Congresso Sustentável 2025, que acontecerá em Belém do Pará, em julho e, por fim, na COP-30, em novembro.
Regionalmente, a conferência é importante para estabelecer programas que tragam soluções para o clima capixaba. O Espírito Santo tem enfrentado problemas de desertificação devido às alterações no regime de chuvas, o que influencia o ciclo hidrológico e gera problemas ambientais ligados aos recursos hídricos. Esse cenário impacta a realidade de todos os setores da sociedade, por exemplo, provocando perdas consideráveis na produção agrícola, devido a inundações ou secas.
Estratégias do Governo
Mesmo assim, o Espírito Santo considera-se protagonista quando o assunto é meio ambiente. Uma das iniciativas apontadas pelas autoridades estaduais para evidenciar isso é o Programa Capixaba de Mudanças Climáticas (PCMC). O projeto estrutura mais de 70 ações voltadas para a mitigação e adaptação às mudanças climáticas e segundo a secretaria de Meio Ambiente (Sema), até 2026, o projeto deve receber um investimento superior a R$3 bilhões.
Outro exemplo de protagonismo apontado é que o ES preside o Consórcio Brasil Verde, aliança que reúne 21 estados brasileiros para incentivar ações que contornam as mudanças climáticas. Segundo o secretário Felipe Rigoni, o estado tem uma participação ativa, “coordenando esforços para garantir que os estados brasileiros avancem em suas metas climáticas e na transição para uma economia de baixo carbono”.
O papel do estado na presidência do Consórcio é articular os demais aliados para a formulação de políticas climáticas, desenvolvendo estratégias para captação de recursos nacionais e internacionais a fim de remediar os impactos ambientais nocivos da atividade humana. “As soluções debatidas na Conferência Nacional Sustentabilidade terão impactos diretos no Espírito Santo, fortalecendo o estado como referência em sustentabilidade e garantindo que as propostas levadas para a COP-30 representem um compromisso sólido com o desenvolvimento sustentável e resiliência climática”, afirma o secretário.
Como presidente do Consórcio Brasil Verde, o governo do estado visa articular os demais aliados para a formulação de políticas climáticas, desenvolvendo estratégias para captação de recursos nacionais e internacionais a fim de remediar os impactos ambientais nocivos da atividade humana. “As soluções debatidas na Conferência Nacional Sustentabilidade terão impactos diretos no Espírito Santo, fortalecendo o estado como referência em sustentabilidade e garantindo que as propostas levadas para a COP-30 representem um compromisso sólido com o desenvolvimento sustentável e resiliência climática”, afirma o secretário de Meio Ambiente, Felipe Rigoni.
O clima do Espírito Santo
As Conferências são essenciais para os avanços e mudança de posturas dos países quanto à exploração e conservação da biodiversidade. Além disso, o evento mostra às nações os seus direitos conforme seus respectivos patrimônios genéticos. Estes congregam a formação e a origem genética das espécies vegetais, animais e microrganismos existentes nos territórios nacionais, bem como os Conhecimentos Tradicionais Associados que se relacionam com os povos originários, como indígenas ou comunidades com valor ligado ao patrimônio genético.
Regionalmente, a conferência é importante para estabelecer programas que tragam soluções para o clima capixaba. No qual, tem enfrentado sérios problemas de desertificação devido às alterações no regime de chuvas, o que influencia o ciclo hidrológico e gera problemas ambientais ligados aos recursos hídricos. Esse cenário impacta a realidade de todos os setores da sociedade, por exemplo, provocando perdas consideráveis na produção agrícola, devido a inundações ou secas.
Diante disso, o Programa Capixaba de Mudanças Climáticas analisou a bacia hidrográfica do Rio Doce no cenário de altas emissões de gases de efeito estufa. Os resultados da análise indicaram redução das precipitações médias anuais e sazonais ao longo do século XXI, levando a graves problemas na sua bacia do rio Doce, como a tendência à diminuição das vazões.

A relevância da realização da COP30 na Amazônia
A Conferência das Partes é essencial para os avanços e mudanças de posturas dos países quanto à exploração e conservação da biodiversidade. Além disso, o evento mostra às nações os seus direitos conforme seus respectivos patrimônios genéticos. Estes que se tratam da formação e a origem genéticas das espécies vegetais, animais e microrganismos existentes nos territórios nacionais, bem como, os Conhecimentos Tradicionais Associados, que se relacionam com os povos originários, no qual se trata do saber a respeito dos povos indígenas ou comunidades individuais com valor ligado ao patrimônio genético.
A COP-30 acontece no Pará, com o objetivo fundamental de conduzir líderes mundiais a discutirem a respeito do clima na Amazônia brasileira. A amazônia sofre anualmente com o desmatamento, e a perda dessa biomassa implica no aumento do gás carbônico atmosférico, o CO2, que é um dos principais gases de efeito estufa. A floresta, também produz grandes “rios voadores”, caracterizados pela umidade produzida pela Amazônia e que se dispersa por todo o continente sul-americano. O que consequentemente também coopera para a manutenção das condições da temperatura local. E por fim, afeta o clima mundial, como explica o doutor em Ecologia e Recursos Naturais, Marcelo Teixeira, da Universidade Federal do Espírito Santo.
“As florestas tropicais mantêm a maior parte da diversidade de seres vivos do planeta. A sua conservação implica na manutenção e existência dessa biodiversidade, e consequentemente na manutenção das interações entre todas as espécies. Essas interações é que alteraram e produziram essas florestas como elas são, com toda a biomassa e ações nos ciclos da água, do CO2 e outros ciclos biogeoquímicos. Assim, elas não só alteram as condições de chuvas e a temperatura para a América do Sul, mas para a terra como um todo”.