Entre os fatores indicados como causadores do fenômeno, destacam-se questões ambientais e estruturais
Por: Ana Julia Cabral, Sofia Menezes, Maria Eduarda Rincon, Letícia Tononi e Julia de Almeida
Surgida na praia da Guarderia e estendendo-se até a Ilha do Frade e a Curva da Jurema, em Vitória, uma mancha escura impactou o cotidiano de muitos banhistas. A causa do surgimento da mancha, que apareceu durante o período de janeiro a março, auge do verão capixaba, era ainda desconhecida.
Pouco se entendia sobre a situação. “Qual o motivo do surgimento dessa mancha? Como foi parar ali? É danoso para a saúde?” Muitas perguntas e nenhuma resposta. A Prefeitura Municipal de Vitória e os órgãos de serviços públicos relacionados, como a Cesan, responsável pelo tratamento de esgoto da cidade de Vitória, eram diariamente demandados, mas ainda não havia resposta nem resoluções.
Na última semana de abril foram liberados, quando os estudos preliminares do Grupo de Trabalho Mancha da Guarderia, composto pelo Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES), Instituto Estadual do Meio Ambiente (IEMA), Prefeitura Municipal de Vitória (PMV), demais entidades públicas e associações locais de moradores. Neste momento, a população ficou sabendo não só de uma, mas sim de algumas causas para o problema.
Entre os fatores que impulsionaram o aparecimento da mancha encontram-se questões ambientais como um aumento sazonal de proliferação de microalgas que geram mudança de cor e odor no mar e questões estruturais, como falhas na rede de drenagem e esgoto, e decisões isalodas de moradores se não conectarem seus prédios à rede de esgoto.
Confira a Nota Técnica nº 01/2026, disponibilizada pelas instituições.
Entre as soluções apresentadas, o grupo de trabalho responsável pelos estudos apontou a proibição de ligações clandestinas dos sistemas de esgotamento de prédios a galerias pluviais que desaguam o mar. No mesmo dia da divulgação do estudo (28 de abril), a Prefeitura de Vitória informou que oito imóveis no bairro Praia do Canto, próximo ao local afetado, seriam multados por não estarem ligados à rede de esgoto. Essas unidades serão autuadas pela Cesan, com o intuito de que se conectem à rede local. Além disso, outras medidas serão tomadas pela Prefeitura Municipal de Vitória, por meio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SEMMAM), como melhorias no sistema de drenagem e acompanhamento constante da qualidade da água, incluindo monitoramento ambiental e de balneabilidade.
O Universo Ufes procurou frequentadores das praias afetadas, principalmente os que tiveram contato frequente com a água dessa parte do litoral. Aurora Martins, aposentada de 80 anos, que vai todos os dias à Praia da Guarderia há quase 30 anos participar da aula de hidroginástica no mar, diz que atualmente não encontra problemas na água.“Teve uma época que, realmente, ficou até com um cheiro de peixe, cheiro ruim, mas, geralmente, é tudo tranquilo, nunca me deu nada na pele, nada”.
Assim como ela, o professor de Educação Física Serviço de Orientação ao Exercício (SOE) Brando Souza relatou que no período mais intenso da mancha até o local em que as aulas eram realizadas foi alterado. Como profissional da Secretaria Municipal de Saúde de Vitória, ele ressalta que seu principal objetivo é o bem-estar dos alunos: “Enquanto saúde, nós não poderíamos deixar os alunos entrarem na água. A atividade não parou; só mudamos para um ponto próprio, até que a normalidade fosse retomada”.
Na semana em que visitamos a praia, semana do dia 30/04 ao dia 07/05 , apenas dois dos oito pontos da Praia da Guarderia e da Ilha do Frade estavam sinalizados como impróprios para banho.

