A crise não é apenas tecnológica

A crise não é apenas tecnológica, mas epistêmica e institucional. A antiga centralidade ocupada pelos grandes veículos impressos, que organizavam o espaço público e pautavam o debate social, vem sendo substituída por uma ecologia informacional fragmentada, fluida e marcada por novos intermediários, como as plataformas de mídias sociais e os processos algorítmicos que adotam (Cagé, 2021; Napoli, 2019). No Espírito Santo, essas transformações ganham contornos específicos: durante boa parte do século XX, o campo jornalístico foi hegemonizado por dois grandes grupos de comunicação, A Gazeta e A Tribuna, que exerciam papel central na mediação da realidade e na formação da opinião pública. Contudo, a partir dos anos 2010, esse modelo entra em colapso, com queda de tiragens, fechamento de redações e reestruturações empresariais, enquanto novos atores emergem, ainda que de forma desigual e incipiente.