Crônica
Sábado à tarde. Dia chuvoso. O ônibus que vai para o estádio, lotado de camisas estampando o verde-amarelo. Um gosto diferente: clima de orgulho. Expectativa. “Quem vem jogar hoje?”, pergunta o moço. “As meninas”, minha amiga responde e sorri. As meninas. As mulheres! A Seleção Feminina de Futebol veio jogar no Espírito Santo. Elas e todas nós estávamos lá.
Chegamos no Kléber Andrade com quase uma hora de antecedência. No primeiro olhar, o impacto. Era a minha primeira vez num estádio. Após anos e anos acompanhando as partidas no sofá, do lado do meu pai, eu estava lá, presenciando a história a poucos metros de distância. E eu estava completamente maravilhada. Aos poucos as cadeiras foram sendo ocupadas por mulheres e crianças, em maioria. O presente e o passado visando um futuro melhor.
Os cânticos começaram. E nesse momento, todos nós no estádio estávamos envoltos na mesma vibração. Poucos minutos para a bola rolar. Ansiedade. “Eu quero ver a Lorena, ela é muito boa”, disse o menino. Eu já não via a hora daquele meu primeiro jogo começar, até que elas apareceram. As nossas meninas, nossas mulheres entraram em campo. Foi uma comoção geral. As guerreiras das Olimpíadas de Paris 2024 estavam bem diante de nós. Tudo isso em mais um sábado no Espírito Santo. Mas esse não foi um dia qualquer. Nesse sábado, elas e todas nós assumimos o nosso protagonismo num jogo de futebol.
E que jogo! Sofremos logo no início com o gol das adversárias. Reclamamos de cada bola perdida. Mas vibramos a cada investida rumo ao ataque. As grandes protagonistas fizeram seus papéis e não desistiram em nenhum momento. Até que quando menos se esperava, o empate aconteceu. E o grito pode ser gritado. O grito libertou muita coisa e comemorou um gol lindo. O grito celebrou cada uma daquelas mulheres. E o empate, às vezes tão menosprezado, coroou o momento: dois times corajosos e guerreiros escreveram novos capítulos dessa história.
Elas e todas nós estávamos reunidas lá, num encontro que celebrou as mulheres protagonistas de histórias vitoriosas. Nos gramados do estádio ou da vida, todas passamos por confrontos desafiadores. O placar, muitas vezes, não é favorável. O fair play nem sempre acontece. Mas nós não perderemos nosso campeonato. Nossa temporada está só começando e nossa torcida não nos abandona. É melhor ir se acostumando com nossa presença. Elas e todas nós estaremos sempre lá