Entre 14 e 19 de novembro, o Rio de Janeiro foi palco G20, o maior encontro de líderes mundiais, que o Brasil preside até novembro deste ano. A programação reuniu mais de 200 mil pessoas entre chefes de Estado e delegações de 40 países, além de 6 vencedores do Prêmio Nobel em três eventos principais: Urban 20 (U20), o G20 Social e a Cúpula dos Líderes do G20.
A reportagem da Primeira Mão, esteve na capital carioca e acompanhou a cúpula do G20 Social Summit, entre os dias 14 e 16 de novembro. No evento, movimentos sociais, líderes comunitários e representantes da sociedade civil se reuniram em pontos culturais cariocas como na Praça Mauá, o Museu do Amanhã e o Boulevard Olímpico, para discutir temas como justiça social, combate à fome e mudanças climáticas.
Durante o discurso de abertura, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou: “O G20 Social é uma prova de que as grandes mudanças começam quando ouvimos as vozes da sociedade”.

Espaços temáticos e vozes inspiradoras
Com palcos distribuídos em espaços temáticos como o “Espaço Favela” e o “Espaço Amazônia”, o G20 Social trouxe uma programação rica e diversa. Atividades culturais, mesas de debate e palestras reuniram mais de 10 mil participantes para discutir a inclusão, o combate à fome e à pobreza, bem como o fortalecimento de políticas globais.
João Matheus, presidente do grêmio estudantil Jaiara Smalt, de Linhares (ES), representou sua cidade, trazendo uma perspectiva para a representatividade negra no evento. “Participar do G20 Social foi incrível, principalmente pra gente, preto, que está vendo nossa cultura sendo representada e pautada aqui”, comentou.
As discussões também contaram com a participação de figuras internacionais como a ativista Tawakkol Karman, vencedora do Nobel da Paz, e líderes políticos, como o presidente sul-africano Cyril Ramaphosa, que assumirá a presidência do G20 em 2025.
O futuro e as resoluções globais
Após a cúpula social do evento, o G20 oficial aprovou a “Aliança Global Contra a Fome e a Pobreza”, proposta brasileira que obteve a adesão de mais de 80 países. O acordo foi considerado um passo significativo na luta contra a fome mundial, além de promover ações concretas voltadas para a erradicação da pobreza.
Essa é a primeira edição do evento a incorporar formalmente a participação popular e a cultura como elementos centrais. Os debates não apenas ampliaram o alcance das discussões do fórum global, mas também abriram o caminho para que essa abordagem se torne um pilar nas futuras edições.
Durante o evento, também foram assinados compromissos globais, como o fortalecimento da inclusão social, a transição energética e reformas na governança global. O evento consagrou o Brasil como líder de um movimento global pela justiça social e a sustentabilidade.
Cultura no festival Aliança Global Contra a Fome e a Pobreza
O festival cultural foi outro ponto alto do evento. Realizado na Praça Mauá, o Festival Aliança Global Contra a Fome e a Pobreza trouxe apresentações de artistas renomados como Seu Jorge, Zeca Pagodinho, Ney Matogrosso e Daniela Mercury. A programação celebrou a diversidade cultural e promoveu o diálogo entre arte e ativismo.
Organizado pela primeira-dama, Rosângela da Silva, e a Ministra da Cultura, Margareth Menezes, o festival contou com exposições e manifestações artísticas de comunidades indígenas e quilombolas, reforçando a conexão entre cultura e inclusão social.
A liderança do Brasil no debate internacional foi um dos grandes destaques da noite. O presidente da república Luiz Inácio Lula da Silva, enfatizou a centralidade da justiça social para a construção de um mundo mais igualitário.
“Não se pode pensar em desenvolvimento econômico sem considerar o impacto sobre os mais pobres”, declarou em seu discurso. A presença de lideranças internacionais e nacionais reforçou o papel do Brasil como catalisador de mudanças e protagonista dos debates do mundo”, destacou Lula.