Uso de memes na política e discursos de ódio encerram ciclo de debates do 6º Seminário do PósCom

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Durante o evento virtual os pesquisadores convidados compartilharam dados que mostram como as redes sociais são espaços estratégicos para a manifestação política.

texto: Isabella de Paula | edição e revisão: Daniel Jacobsen e Cecília Miliorelli

O 6º Seminário do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Territorialidades da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) chegou ao fim nesta terça-feira (29), trazendo para o debate o tema “Comunicação e Resistência em Tempos de Ódio”.

Participaram do debate Viktor Chagas, pesquisador do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal Fluminense (PPGCOM-UFF), e João Guilherme Bastos dos Santos, pesquisador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Democracia Digital (INCT.DD). Eles apresentaram os novos desafios da comunicação na construção de uma sociedade democrática, em um momento marcado por discursos de ódio e de narrativas hegemônicas.O evento foi transmitido por meio do canal do 6º Seminário da PósCom no Youtube.

O pesquisador Viktor Chagas, doutor em História, Política e Bens Culturais, abriu o debate falando sobre o fenômeno do uso de memes na política e como essa linguagem foi apropriada e incorporada pela comunicação.

Chagas focou sua apresentação em compartilhar dados e relatos de pesquisa sobre o processo de construção do imaginário político na internet e a formas que essas manifestações tomam na articulação dos públicos-alvo: “A gente percebe que os memes tem um acompanhamento, uma relação muito próxima com o que está acontecendo ao nosso redor. O cenário político influencia muito claramente na circulação e construção desse imaginário”, frisou.

O pesquisador apresentou um método utilizado por agentes políticos, definido como “astroturfing”, que é uma dinâmica de encenação de público, ou seja, especialistas do campo político se passam por usuários nas redes sociais e geram conteúdos favoráveis aos seus representantes. Ele explica: “de uma certa forma, as ações guiadas a partir do astroturfing são fundadas e alteradas por lobistas profissionais que atuam no sentido de adotar uma espécie de ação espontânea coletiva”.

Viktor finalizou sua participação com uma reflexão: “enquanto não aprendermos a lidar com essas novas questões nesses diferentes ecossistemas, a gente vai continuar perdendo de goleada”.

O segundo convidado do debate, o pesquisador João Guilherme, deixou um pouco de lado a parte mais técnica das novas ferramentas digitais no início e centralizou sua fala na abordagem dos discursos de ódio, tão presentes no atual contexto sócio-político. “Quando a gente fala em tempos de ódio, linchamento, polarização e informações falsas, normalmente, acontecem juntos. São repertórios que estão ligados de algum modo”, destacou.

João explicou que esses discursos ganharam espaço na internet e sempre estarão relacionados ao fenômeno das Fake News. Segundo ele é preciso questionar o conceito de notícia, uma vez que as informações que circulam nas redes sociais, principalmente em grupos de teor político, não possuem a finalidade de apresentar algo novo, mas ficam “ressuscitando” temas recorrentes das pautas sociais.

Como exemplo, o pesquisador citou assuntos frequentes desse tipo de conteúdo: o kit gay, a Lei Rouanet de incentivo à cultura, e projetos sobre ideologia de gênero. “A gente vê que isso não é notícia”, reafirma João Guilherme.

Para ele, “existe um lastro, não só informacional, mas de círculos de convivência, de grupos que foram formados ao longo de todas essas campanhas de petição, que fazem com que aquilo tenha sentido dentro daquele ambiente e se torne muito relevante”.

Após as manifestações dos convidados, os participantes puderam interagir, enviando perguntas pelo chat do YouTube. A mediação desse último debate do 6º Seminário do PósCom, fechando o ciclo de palestras e painéis, foi conduzida pelos professores universitários Rafael Paes, jornalista e doutor em filosofia, e Fábio Goveia, doutor em Comunicação e Coordenador do Laboratório de Estudos sobre Imagem e Cibercultura (Labic).

Para ter acesso ao debate na íntegra, acesse aqui

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