Retorno presencial nas particulares do ES gera debate entre alunos

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Repórteres: Heloísa Bergami e Agnes Gava // Edição: Clara Curto

Apesar da implantação de medidas de segurança, nem todos sentem-se seguros para voltar ao normal

A Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) deu início ao Ensino-Aprendizagem Remoto Temporário e Emergencial (Earte) no dia 09 de setembro, um modelo de ensino à distância para suprir a necessidade de retornar às aulas durante a pandemia do coronavírus. Contudo, as faculdades particulares espalhadas pelo Espírito Santo retomaram as atividades acadêmicas há meses através do sistema de Ensino à Distância (EAD). Desde o início de setembro, muitas retornaram às aulas presenciais, enquanto outras estão cogitando a volta.

A Universidade Vila Velha (UVV), por exemplo, retornou o ensino presencial no dia 14 de setembro. A instituição montou um manual com os protocolos de biossegurança. Um deles é a medição de temperatura de todos pelo porteiro antes de entrar na instituição. Também recomendam que, em caso de fila, seja mantido o distanciamento de 1,5 metro entre cada um. Ao entrar é preciso estar de máscara e passar a sola do sapato em tapetes sanitizantes nas portas dos prédios. 

A retomada não é obrigatória. A UVV deixa à critério do estudante a presença ou não. Aos que escolhem ficar em casa, é possível assistir às aulas aplicadas presencialmente de forma síncrona pelo computador ou celular. A estudante de Gastronomia da UVV, Jordany Braga, diz que está cumprindo as disciplinas teóricas em casa e as práticas na instituição. Para ela, tal forma de aprendizado não está sendo prejudicial.

Segundo a aluna, as medidas de segurança também estão sendo seguidas à risca.“Nas ilhas da cozinha estamos trabalhando em duplas, antes era um quinteto. Trabalhamos mantendo distância do colega, e a quantidade de pessoas na cozinha é limitada, sendo oito alunos e um professor”, conta Jordany.

Diferente da particular de Vila Velha, a Faculdade Doctum ainda não retomou suas atividades presenciais. De acordo com o site da rede de ensino, o momento atual é de mobilização de esforços para possibilitar a aplicação, ainda neste semestre, do modelo de transição estabelecido pelo Ministério da Educação (MEC) e pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

O objetivo da faculdade é criar uma estrutura que garanta a segurança de seus alunos, professores e demais funcionários, respeitando todos os protocolos de biossegurança e prevenção à Covid-19. Enquanto isto não é possível, as aulas continuam acontecendo no formato virtual. 

Ian Barreto, de 24 anos, cursa Administração na Doctum e afirma não concordar com a retomada das atividades presenciais. Apesar de sentir falta das aulas na sede e de estar enfrentando dificuldades no ensino remoto, com turmas virtuais lotadas e inexperiência de alguns professores no uso de tecnologias de comunicação, ele acredita que o perigo da pandemia ainda é real.

“Sou contra e não me sinto seguro para o retorno presencial, a queda do número de mortes não significa que o vírus parou de se espalhar. Além disso, vários alunos dependem de ônibus para locomoção, ou seja, precisam enfrentar um ambiente aglomerado para chegar ao local, o que deixa o retorno ainda mais inseguro”, argumenta o estudante. 

No interior

A Faculdade Castelo Branco, em Colatina, noroeste do Espírito Santo, não retornou às aulas presenciais ainda. A estudante de Direito Henza Bergami afirma que ainda não houve uma decisão concreta, mas que o corpo discente foi consultado sobre a retomada com todos os aparatos necessários para manter a segurança.

Contudo, ela não se sente confortável para voltar agora. “Ainda que a faculdade se equipe de forma correta, não tem como impedir minha exposição durante o uso do transporte público. Sem contar que a instituição recebe alunos de diversos municípios do entorno de Colatina, o que entendo como um fator que pode proporcionar uma possível disseminação em massa do vírus dentro da própria faculdade.”

Ao contrário da Castelo Branco, a Escola Superior São Francisco de Assis (ESFA), localizada em Santa Teresa, já retomou grande parte de suas atividades presenciais. Nos cursos de Medicina Veterinária e Odontologia, tanto as aulas práticas quanto as teóricas estão sendo aplicadas na sede da faculdade. Apenas as aulas do curso de Psicologia continuam sendo realizadas integralmente pelo método EAD. 

No Boletim Informativo Discente publicado pela administração da ESFA, os alunos encontram orientações sobre as normas de biossegurança a serem seguidas nas aulas presenciais. Essas instruções também foram passadas em treinamento para toda a comunidade acadêmica, sendo a participação no treinamento um pré-requisito para o retorno presencial.

Felipe Chavão cursa Medicina Veterinária na ESFA e concorda com a volta das aulas presenciais, pelo fato do curso ser majoritariamente prático. Ele afirma se sentir seguro em retornar porque a faculdade tem se demonstrado bastante rígida para cumprir todos os protocolos estabelecidos pelo MEC e pela OMS, como a checagem de temperatura, uso obrigatório de máscaras, desinfecção periódica dos ambientes e distanciamento dos alunos em sala. 

Biossegurança

O retorno das aulas presenciais foi autorizado pelo Governo do Espírito Santo no fim de agosto. Atualmente, o Estado está, majoritariamente, em risco baixo de contaminação, de acordo com o último levantamento da Secretaria de Estado da Saúde do Espírito Santo (Sesa).

De acordo com a cartilha da Sesa, em momentos de baixo risco, as medidas de Distanciamento Social Seletivo (DSS) a serem implementadas pelos municípios podem ser mais leves – em comparação ao isolamento rigoroso proposto para momentos de alto risco. O mapeamento é feito a partir do cálculo da ameaça de incidência do vírus e a taxa de ocupação de leitos para o tratamento da doença. 

No dia 08 de agosto, antes do anúncio do retorno das aulas presenciais no Estado, o governo publicou no diário oficial as regras que as instituições de ensino devem seguir caso optem pelo regresso. Seguindo as orientações do MEC e da OMS, as principais medidas estabelecidas pelo documento são:

  • a criação de um Comitê Local de Prevenção;
  • o fornecimento de máscaras para funcionários e estudantes em situação de vulnerabilidade social;
  • a disponibilização de recursos contra o Coronavírus (água, álcool, sabão, etc.), antes do retorno das aulas, bem como a suspensão das atividades caso algum deles esteja em falta;
  • a orientação da comunidade acadêmica sobre os cuidados coletivos e individuais que devem ser adotados para a prevenção contra a Covid-19;
  • garantir que outras orientações das autoridades sanitárias sejam seguidas, como a higienização de ambientes e objetos de uso comum, uso obrigatório de máscaras e distanciamento social.

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