Preservação e degradação ambiental no Brasil é tema do UFMG Talks

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texto: Isadora Fadini | revisão e edição: Cecília Miliorelli e Daniel Jacobsen

Estudos recentes do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) registrou 2.534 focos de incêndio no Pantanal brasileiro nos primeiros seis meses deste ano, o que representa um aumento de 158% em relação ao ano passado. Por essa razão, a plataforma UFMG Talks realizou, na última terça-feira (29), às 19h, uma discussão com o tema “Preservação e degradação ambiental no Brasil”.

Participaram do debate os professores Britaldo Soares Filho, do departamento de Cartografia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e o professor Raoni Rajão, professor do departamento de Engenharia de Produção da mesma Universidade. Ambos coordenam projetos de pesquisa focados na implementação das metas climáticas do Acordo de Paris no Brasil e na recuperação da Bacia do rio Doce após as tragédias de Mariana e Brumadinho.

Para Soares, o problema do desmatamento está em todos os biomas nacionais e se intensificou muito no início dos anos 2000. “Segundo a Coordenação Geral de Observação da Terra(Prodes), órgão do Ibama, no início dos anos 2000, houve um desmatamento descontrolado no país, chegando ao pico de mais de 27 mil km desmatados ao ano”, afirmou o professor.

O estudo da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) indica que a mata nativa preservada ocupa 61% de todo o território brasileiro. Contudo, o Brasil é o país que mais destrói vegetações primárias.

De acordo com o Global Forest Watch, aplicativo que monitora florestas globais, o desmatamento nessas áreas já atingiu uma área de 1,3 milhão de hectares . “Hoje, em 2020, temos várias ações para desmantelar as políticas públicas de conservação ambiental e que se reduz à frase infeliz do Sales: nós vamos passar a boiada e desconstruir toda regulação ambiental do Brasil”, enfatizou.

Conforme afirma o professor, há anos a UFMG tem combatido com a ciência o desflorestamento. Em 2006, a Universidade publicou o estudo intitulado SIMAMAZONIA, que consiste em uma animação para mostrar a projeção da destruição do bioma.

Para Rajão, o problema da destruição se intensifica desde 2012 com a nova legislação ambiental. “Houve uma anistia de  59% das multas por desmatamentos ilegais devido a um acordo oriundo da nova legislação. Além disso, o desmatamento aumentou 80% desde 2012 e isso é preocupante”, disse o docente.

Fake News

Tanto Rajão quanto Soares concordam que os povos indígenas são os povos mais prejudicados quando falamos de degradação ambiental. Raoni atribui parte disso a um grupo pequeno de cientistas que se opõem à comunidade científica e publicam informações que se alinham aos anseios políticos partidários.

“Há uma insistência em utilizar informações falsas e isso é muito preocupante, pois quando o povo ouve uma instituição importante dizer que os indígenas estão colocando fogo na Amazônia, o que não é verdade, ele acredita. E na verdade, isso é feito pelos pequenos e médios produtores”, conta Rajão.

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