Papel da Cultura na construção da democracia é tema de debate no canal da TV Ufes

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texto: Aline Almeida | revisão e edição: Daniel Jacobsen e Cecília Miliorelli

Em meio às notícias recentes do corte para o próximo ano de 78% da verba federal destinada à cultura, a Frente Capixaba de Artistas e Produtores Culturais trouxe ao debate a importância da cultura em uma democracia. “A cultura faz parte do processo democrático e qualquer tentativa de controlá-la demonstram objetivos escusos e que apontam para o autoritarismo. O nosso extinto Ministério da Cultura surgiu dentro do processo de redemocratização do Brasil. A cultura nos ensina que as experiências humanas de uma cidade, de um povo e de um país são diversas e plurais”, disse o produtor cultural, audiovisual e músico Wyucler Rodrigues.

O evento, que aconteceu na última quarta-feira (30), foi transmitido pelo canal da TV Ufes no Youtube e faz parte da quarta edição do Webinário Cidades e Ocupação Cultural, que promoveu uma série de conferências sobre processo de ocupação cultural dos espaços públicos municipais, através do intercâmbio de ideias inovadoras e experiências de projetos protagonizados em diferentes centros urbanos brasileiros. Houve uma troca de saberes e experiências entre convidados que atuam na produção cultural em São Paulo e no Espírito Santo.

A mediação ficou por conta do Bruno Lima, que é arquivista, mentor do selo cultural Sagui Produções e idealizador do Baile Voador, o maior baile de carnaval do Espírito Santo. Entre os convidados, estavam Wyucler Rodrigues, a professora e historiadora, Leonor Franco de Araújo, o gestor cultural Alê Youssef, o jornalista Leonardo Lopes, a comunicadora social e especialista em gestão pública, Paula Rocha, e o arquiteto e professor, Kleber Frizzera.

De acordo com a professora Leonor de Araújo, não existe democracia de fato no Brasil. É uma realidade que ainda está em construção, o que interfere diretamente na produção de cultura no Brasil. “Nosso país foi construído em cima de uma estrutura excludente, racista, homofóbica, machista. Não existe democracia enquanto existir esses males, portanto, o acesso à cultura não chega a toda população brasileira, ela fica restrita a um determinado grupo”, comentou.

A falta de investimento nesse setor também foi pauta do encontro. Em 2017, o setor cultural correspondia a cerca de 4% do PIB nacional, de acordo com o segundo volume do Atlas Econômico da Cultura Brasileira. Apesar da importância da categoria, Alê Youssef destacou que a classe artística não recebe investimento necessário para realizar as produções. “A classe artística geralmente é usada em época de eleição, mas depois é deixada de lado pelo governo”, criticou.

Todas essas dificuldades, ressaltadas durante o webnário, foram resumidas pela comunicadora Paula Rocha como o reflexo das desigualdades existentes no país, o que gera uma falta de acesso ao espaço público, à verba, às políticas públicas e à cultura. “Compreendem o acesso como o ato de dar, de prover. O Estado dar ingressos para populações mais carentes não é exatamente acesso. O acesso deve ser o incentivo e o financiamento à diversidade cultural que temos no Brasil. Dar acesso é fazer com que todos produzam cultura”, disse Paula.

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