Diário do Aluno: o EAD como ele é

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Repórter: Cássia Rocha // Edição: Clara Curto e Heloísa Bergami

Nesta semana, o Earte dá lugar ao EAD puro e simples na perspectiva de Thaynara Pestana, estudante do Ifes

“Fiquei um pouco desesperançosa no começo, saber que é uma forma de ensino privilegiada me deixa desconfortável”. A fala é de Thaynara Pestana, que cursa o 6º período de Engenharia Mecânica no Campus Vitória do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes). Por lá, as aulas à distância foram retomadas desde maio deste ano e atualmente passa pelo recesso que separa os dois semestres letivos de 2020. 

A falta de separação física dos espaços, desde o início, prejudicou um pouco a adaptação da estudante à nova forma de ensino. Ela conta que esse processo foi longo e bastante estressante.

“Estudar em casa sempre foi horrível pra mim, então foi complicado. Mas eu consegui dar um jeito e não sofri tanto com o sistema em si, só com a minha cobrança mesmo. O fato de não ter mais a minha casa como um espaço de descanso também influenciou negativamente na minha adesão”

Thaynara Pestana, estudante do 6º período de Engenharia Mecânica do Ifes

Além das preocupações com a própria adequação à nova rotina de estudos, a universitária também participa de uma das coordenadorias do Centro Acadêmico do seu curso. Isso fez com que ela estivesse sempre envolvida com muitas reuniões envolvendo outros centros acadêmicos e a instituição no período anterior à implementação do novo sistema e durante o processo de adesão ao Ensino à Distância (EAD). 

“A instituição fez parecer que se importava bastante com nossa opinião, mas, basicamente, no fim, fizeram o que foram obrigados a fazer. Entretanto, todas as reuniões que fizemos e dados que levantamos foram utilizados para ajudar quem seria muito prejudicado por esse ensino remoto e isso foi um ponto positivo pra instituição, que criou diversos meios de ajudar e ouvir os alunos diante dessas novas demandas”, detalha. 

Principais dificuldades de adaptação 

Thaynara não consegue desvincular ambiente doméstico do ambiente de estudos (Créditos: Arquivo pessoal)

Para Thaynara, a maior dificuldade da nova forma de estudos imposta como medida emergencial foi conseguir aprender sem assistir uma aula de qualidade. Segundo a estudante, a maioria de seus professores tiveram dificuldade em achar um meio bom para eles e para os alunos de ensinar a matéria. “Eu tive que aprender muita coisa por mim mesma ou com a ajuda de alguns amigos ou da internet”, conta. 

Algumas problemáticas só mudam de endereço, mas estão presentes na realidade da maioria dos estudantes que, atualmente, estudam no formato de EAD. “Outra grande dificuldade foi lidar com minha família, todo barulho e coisas do tipo e o desconforto de não estar em um ambiente próprio para estudo. Tudo foi bem desafiador pra mim e deixou minha ansiedade a mil”, desabafa Thaynara. 

Qualificação? Faltou!

Segundo Thaynara, é notável a necessidade urgente de atualização dos professores. A implantação do ensino remoto não teria vindo precedida de um treinamento adequado dos docentes, que apresentam dificuldades ao utilizarem as plataformas disponíveis no sistema disponibilizado para o Ensino a Distância. 

Thaynara reclama da falta de treinamento dos professores (Créditos: acervo pessoal)

A estudante diz admirar muito e até se sentir honrada em ter professores mais experientes na área lecionando em seu curso,  mas, para a universitária, é complicado quando eles são extremamente capazes de ensinar a matéria, mas não sabem lidar com um equipamento ou plataforma. “Isso nos atrapalha e atrapalha a eles também, e podemos ver isso com muita clareza”, relata ela. 

“É preciso que entendam que o mundo está se modernizando, a tecnologia está evoluindo e já faz parte da nossa vida. A educação precisa acompanhar isso mesmo quando voltarmos ao presencial”, finaliza.

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