Seminário do PósCom discute corpos e existências LGBTQIA+ a partir da arte e da cultura

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Foi discutida a produção cultural como forma de resistência para as pessoas LGBTQIA+

Texto: Thauane Lima | Edição e revisão: Daniel Jacobsen e Cecília Miliorelli

O Programa de Pós-graduação em Comunicação e Territorialidades (PósCom) da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) realizou, nesta terça-feira (22), mais um painel do 6ª Seminário de Comunicação e Territorialidades, intitulado “Corpos e existências LGBTQIA+ a partir da arte e cultura”.

Debate sobre a questão LGBTQIA+ movimenta o Seminário de Comunicação e Territorialidades. Imagem: divulgação.

Os convidados discutiram sobre a arte e a produção cultural poderem ser utilizadas como formas de resistência para as pessoas LGBTQIA+, além dos agravantes das crises recentes na existência, performance e trabalho desses corpos. 

Os palestrantes que compuseram o debate foram a professora Ramayana Lira, do Programa de Pós-graduação em Ciências da Linguagem e do curso de graduação em Cinema e Realização Audiovisual da Universidade do Sul de Santa Catarina, e Thiago Torres, estudante de ciências sociais da Universidade de São Paulo (USP), conhecido no Youtube como “chavoso da USP”. 

A mediação foi realizada pelo doutor em Comunicação e Cultura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Erly Vieira Jr., que, atualmente, é professor no Departamento de Comunicação Social da Ufes e professor do Póscom. 

Ramayana destacou a importância do tema e relatou o modo como é imaginado o espaço da lésbica no cinema e na cultura. “Quando a gente fala da possibilidade de recorte da construção do espaço lésbico, principalmente no cinema, em que partimos do pressuposto que a existência da LGBTQIA+ tem uma relação muito complicada com os locais comuns e íntimos da vida cotidiana, nesses lugares, a heterossexualidade tem operado como a configuração sexual padrão”, ressaltou. 

Torres explicou o que é cultura dentro das representações LGBT+. “A cultura é um negócio muito complexo. É um conjunto de hábitos e costumes das tradições produzidas por um povo. As culturas podem ser produzidas intencionalmente e podem vir carregadas de críticas sociais às condições de vida que essa população vive”, ressaltou.   

Em sua fala, Torres destacou que falar sobre a cultura LGBT+ é falar sobre uma cultura marginalizada de uma população que é excluída pela sociedade. Ele explicou como esses grupos adquirem o caráter de protesto e resistência. “O fato é que sempre que falamos da cultura produzida por esses grupos como os LGBTs de um modo geral, como os heteros cis, negros da periferia, estamos falando de grupos marginalizados  que através da sua cultura estão refletindo as suas condições de vida. Eles podem estar denunciando essas condições, fazendo críticas ali intencionais como o rapper geralmente faz. Mas só por ser uma cultura marginal, que está sendo produzida por esses grupos oprimidos pela sociedade, de certa forma, já adquire esse caráter de protesto automaticamente”, afirmou. 

Torres citou as culturas hegemônicas, impostas pela sociedade, referentes a padrões heteronormativos. “A partir do momento em que um grupo é oprimido, marginalizado, explorado e, muitas vezes, exterminado, ele está produzindo uma forma de cultura em que se retrata as suas condições de vida. Isso já é um ato político”, argumentou. 

Erly, por sua vez, comentou as vivências e estratégias de resistências do público LGBT+, considerando que algumas das pessoas do espectro estão ainda mais a margem da sociedade por causa de suas condições sociais. 

“Há um jogo de visibilidades e invisibilidade que é muito forte na própria experiência lésbica, dentro de uma invisibilização dentro do movimento LGBT, mesmo que seja a primeira letra da sigla, ainda existe toda uma negação de onde elas estão e onde elas aparecem, nós vemos isso no cinema e nas artes em geral”, esclareceu. 

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