Projeto de extensão da Ufes produziu mais de 30 mil litros de álcool para o combate à Covid-19

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O projeto recebeu investimento de mais de 200 mil reais e doou antisséptico para a comunidade capixaba por meio do Incaper, Sejus e Ministério Público Estadual em parcerias com as prefeituras.

texto: Andrezza Steck | edição e revisão: Cecília Miliorelli e Daniel Jacobsen

O Projeto Antisséptico Ufes[1]  beneficiou 40 municípios  em todo o Espírito Santo. O balanço dos números alcançados pela equipe, nos seis meses de operação, foi divulgado durante a edição do programa “Proex em Foco”, da Pró-Reitoria de Extensão da Ufes, realizado nesta quinta-feira (24).

Durante a live, os coordenadores do projeto falaram sobre a experiência de criar uma estrutura de grande porte para a produção de álcool. Segundo o levantamento, foram produzidos mais de 30 mil litros do produto. A autorização emitida pelos órgãos reguladores para que o projeto produzisse antissépticos venceu no último dia 19, levando ao encerramento das operações.

Coordenadores do projeto relatam a experiência em ajudar a comunidade capixaba./FOTO:REPRODUÇÃO

Os professores Athelson Bittercourt, diretor de gestão da Proex, Alexandre Costa, do Departamento de Ciências Fisiológicas, e as docentes do Departamento de Ciências Farmacêuticas, Mariana Santos e Claúdia Jamal, se uniram, em meados de fevereiro, para desenvolver uma ação que atendesse à comunidade no combate ao novo coronavírus (Covid-19). O grupo é formado por cerca de 45 pessoas entre professores, técnicos administrativos, alunos de graduação e pós-graduação de vários cursos do Centro de Ciências da Saúde (CCS) da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).

Estrutura

De acordo com Bittercourt, este é um dos cerca de 150 projetos de pesquisa e extensão que a Ufes desenvolve para o combate à Covid-19. “Com a pandemia, eu pensei como poderia contribuir para ajudar a população. Dias depois, o professor Alexandre me contactou para compor essa grande equipe que se formou”, lembrou.

Para viabilizar a ação, foi necessária uma estrutura de produção que possibilitasse a autorização dos órgãos responsáveis, como afirma Costa. “O projeto começou com uma estrutura inicial no departamento de Ciências Farmacêuticas, tendo toda a estrutura de área da farmacotécnica”.

O grupo é formado por cerca de 45 pessoas entre professores, técnicos administrativos e alunos de graduação e pós-graduação da Ufes/FOTO: Reprodução

Jamal explica que a equipe sempre se pautou pela qualidade dos produtos que seriam distribuídos à população: “O nosso pensamento era de monitorar todas as etapas, desde a matéria prima até o produto final, liberado para ser utilizado com todo cuidado”.

A falta de antissépticos disponíveis nos supermercados, ocasionadas pelo aumento na demanda, levou a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) a publicar uma resolução autorizando farmácias de manipulação e outros estabelecimentos a produzirem produtos à base de álcool. Segundo Santos, a produção do álcool 70% é simples desde que realizada por equipe competente e em ambiente próprio, garantindo o rigor no controle.

“É um processo que deve seguir todos os padrões de qualidade, assim como toda a matéria-prima deve ser verificada pelo controle de qualidade. Em momento algum antecipamos a distribuição sem estar totalmente legalizados. Não podemos produzir sem estar tudo com todas as licenças”, afirma.

Álcool em Números

A meta inicial do projeto era disponibilizar cinco mil litros do antisséptico. “Inicialmente era uma meta gigante em que a estrutura nos permitia produzir, no máximo, 200 litros por dia”, lembra Costa.

Com o bom desempenho da equipe em bater as metas diárias de 200 litros, o professor Athelson instigou os integrantes a aumentar a capacidade de produção para 20 mil litros de álcool. Mas para se alcançar a nova meta, era preciso adequar a estrutura e criar uma linha de produção na proporção das grandes empresas.

“Nós saímos do Departamento de Ciências Farmacêuticas, onde estava tudo perfeito e funcionando, e fomos para o zero, para dentro do departamento de Morfologia. Mas nós acreditamos no projeto e na equipe. Com isso, aumentamos de 200 litros por dia para 2 mil litros por dia. A mudança foi incrível e tivemos muito apoio da universidade”, afirmou Costa.

Foram adquiridos cerca de 25 mil litros do produto puro para a formulação do álcool 70% e produzidos, aproximadamente, 32 mil litros do antisséptico. Para Jamal, foi uma oportunidade de adaptação trabalhosa: “Chegar nesses 30 mil foi um desafio muito grande. Tivemos que ajustar o escalonamento, conseguir adaptar o volume de produto por dia e fazer o monitoramento diário de todos os lotes.”, disse. Nas semanas finais do projeto, o grupo chegou a produzir 3 mil litros de álcool por dia.

Aprendizagem

Com o grande número de adesão de alunos dos cursos do Centro de Ciências da Saúde (CCS), os coordenadores do Antisséptico Ufes afirmam que a estrutura do projeto possibilitou o crescimento profissional a partir da atividade prática e da vivência na produção em grande escala.

Municípios do ES beneficiados pela doação de álcool 70% do Projeto de Extensão Antissépticos Ufes/IMAGEM: antissepticos.ufes.br

“Tínhamos alunos de todos os períodos, desde a graduação até a pós-graduação, e eles aprenderam com os problemas mínimos. Quando aumentamos o volume da produção,  aumentaram os problemas. Existiram momentos que não tínhamos embalagens e nem frascos”, afirma Santos.

“Os alunos acompanharam todos os passos e as dificuldades. Cada dia tinha um problema e era preciso solucionar rapidamente porque a população precisava do antisséptico urgente”, alegou Costa.

Continuidade das ações no Centro de Ciências da Saúde

A autorização para a fabricação do álcool pelo Projeto Antisséptico Ufes foi concedida com prazo determinado. A documentação emitida pelo órgãos responsáveis previa o início das atividades para o dia 19 de março e sua finalização até 19 de setembro. Com o vencimento da licença e a impossibilidade de seguir com a produção do álcool, o grupo de professores pensou em outros projetos permanentes que pudessem ser desenvolvidos na universidade a partir da experiência do projeto de extensão.

“Essa dinâmica que tivemos possibilitou pensarmos em um projeto que seria uma pequena empresa governamental, sem fins lucrativos e dentro da universidade, que produzisse e abastecesse a universidade com álcool e outros tipos de antissépticos como sabonete, por exemplo”, finalizou Costa.

Assista à live aqui:

LEGENDAS FOTOS DO CARROSSEL

LEGENDA ARQUIVO 1 Fundo Municipal de Santa Teresa/FOTO: Reprodução

LEGENDA ARQUIVO 2 Secretaria Municipal de Saúde de Jaguaré/FOTO: Reprodução

LEGENDA ARQUIVO 3 HUCAM – Banco de Leite/FOTO: Reprodução

LEGENDA ARQUIVO 4 SESA/FOTO: Reprodução

LEGENDA ARQUIVO 5 Secretaria de Saúde de Vila Pavão/FOTO: Reprodução

LEGENDA ARQUIVO 6 SEMAS B. de São Francisco/FOTO: Reprodução

LEGENDA ARQUIVO 7 SEMAS Cariacica/FOTO: Reprodução

LEGENDA ARQUIVO 8 Secretaria de Saúde de Alfredo Chaves/FOTO: Reprodução

LEGENDA ARQUIVO 9 Hucam -Gep- Igreja Batista de Novo méxico/FOTO: Reprodução

LEGENDA ARQUIVO 10 Fundo Municipal de Saúde de Colatina/FOTO: Reprodução

LEGENDA ARQUIVO 11 SEMAS Ecoporanga/FOTO: Reprodução

LEGENDA ARQUIVO 12 Piúma/FOTO: Reprodução

LEGENDA ARQUIVO 13 Venda Nova do Imigrante/FOTO: Reprodução

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