Robson Barros, “O anarquista”

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Por Izabela Toscano

Foto: Izabela Toscano

Robson Barros, o Robinho, era um jovem de 17 anos quando veio para a Ufes com o objetivo de cursar comunicação social, mas acabou conseguindo muito mais que isso. O ambiente universitário te traz diversas experiências interessantes. Ao Robinho, lá no final da década de 80, trouxe além do curso de comunicação, o Balão Mágico: grupo em que pode se expressar livremente fora das folhas pautadas.

Acompanhava todas as atividades do balão, até porque ficava na Ufes o dia inteiro. Quando se tem a energia e acidez da juventude, a última coisa que se deseja é ter seus pensamentos podados pelos dogmas familiares. Então Robson, com seu ideal anarquista – ainda mais fomentado pelo contragosto à ditadura – fugia a todo custo dessa tesoura.

Nunca procurou ser uma figura de liderança. Mas suas ideias movimentavam o grupo em busca de reivindicações sempre com um teor irônico que alfinetava de maneira incisiva quem estivesse na mira.   

“Eu acredito que eu não era nenhum tipo de gerador de ideia não. Mas influencer a gente é. Mas é que o seu comportamento e o modo como você agrega pessoas em volta de você te tornam um influencer. Eu como nunca fui pelo lado do certo assim: ‘vamos agir pela maneira certinha’ que também eu não acredito nisso… nessa moralidade. As proposta que eu encabeçava eram sempre mais radicais[…]”

Um momento de que lembra bem, foi quando resolveram fazer um ritual para “enterrar” o reitor da época como forma de protesto. Munidos de vestes pretas e um livro sugestivamente intitulado como “As 100 maiores missas negras de todos os tempos”, desenharam com pólvora um pentagrama* no chão e acenderam uma fogueira próximo ao restaurante universitário. Para arrematar a decoração, trataram de providenciar um altar cheio de estátuas emprestadas do centro de artes.

Obviamente tal feito não passa facilmente despercebido pelos olhares alheios. Logo os punks das proximidades chegaram, mas não muito amistosos. Ao som de Nina Hagen,  puseram-se a destruir toda a arrumação. Qual foi a reação de Robinho ao ver tal situação senão cobrir-se de raiva. De saco cheio, virou para o arruaceiro e, de cima do altar, deu-lhe um empurrão fazendo-o cair na multidão logo abaixo: “já temos nosso cordeiro!”, ele brinca.

Para Robson, o Balão nem deveria ter nome, pois “dentro da perspectiva anarquista da coisa, quando você dá nome, você vira alvo.” 

“Mas eu sempre coloco essa questão do anarquismo. De eu não acreditar mesmo em nomes, em organizações porque isso aí gera um apontamento: ‘Quebrou o ar condicionado: Foi o balão mágico!’, ‘arrancaram a porta: Foi o balão mágico’, ‘roubaram um equipamento não sei aonde: Foi o balão mágico!’. Isso aconteceu […]”.

Depois de toda essa trajetória, Robson, que hoje trabalha na secretaria do departamento de comunicação social, vê que o balão foi como um representante de uma geração questionadora e faminta por liberdade. Como ele mesmo diz:  “Balão não fez, Balão provocou!”. 

Saiba mais em: http://universo.ufes.br/blog/2019/12/35-anos-de-historia-a-turma-do-balao-magico

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