O Natal de todos nós

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Distâncias, falta de dinheiro, crenças e trabalho são alguns dos motivos que levam o dia 25 de dezembro a ser comemorado de diferentes maneiras.

Por Giovanni Werneck, Marcela Delatorre, Lavynia Lorenção e Robson Silva.

Celebrado com festa entre amigos e famílias, o Natal é um feriado tradicionalmente reconhecido por aproximar pessoas. Com grandes ceias, trocas de presentes e mensagens de carinho, ele é comemorado em todo o planeta e por diferentes religiões, até mesmo por quem o enxerga como um dia comercial.

O Natal é comemorado anualmente no dia 25 de dezembro, em comemoração ao nascimento de Jesus, após escolha da data pela Igreja Cristã no século III. Embora seja um dia com profundo significado cristão, o Natal é amplamente comemorado por muitos não-cristãos, levando em conta que alguns dos costumes populares modernos incluem a troca de presentes, a ceia, músicas natalinas e decorações diferentes. Além da existência, é claro, do Papai Noel, que é uma figura popular associada à entrega de presentes para as crianças.

Deixando as tradições históricas de lado, a festividade do dia 25 de dezembro é vista como um momento para reunir a família e os amigos, resolver impasses e promover reconciliações, além de ser responsável pela tão esperada refeição da véspera de Natal – na qual as pessoas se esbaldam com todas as opções que costumam ser oferecidas nesses encontros. Mas você já parou para pensar naquelas pessoas que, seja por quais motivos forem, não estarão passando o Natal em família? Quais são esses motivos? O que elas planejam? O que o Natal significa para pessoas que não seguem o Cristianismo?

Foto: Klaus Hausmann. Reprodução: Pixabay.

Diferentes Natais

Reprodução: Instagram de Henrique Lachésis.

Henrique Lachésis é mineiro, graduando em Design e estará passando o Natal longe da família. Enquanto eles moram em Manhuaçu/MG e estarão passando o feriado por lá, ele vai ficar em Vitória porque quer evitar muitos gastos no final do ano. “O Natal tinha um significado muito especial pra mim na infância. Como adulto, como eu já não seguia mais essas questões religiosas, cristãs, o Natal acaba sendo essa data de consciência geral, sem um significado especial ou profundo pra mim. Por motivos financeiros e profissionais, é possível que eu não consiga passar o Natal com os meus pais esse ano. Eles moram em Minas Gerais, são quase 300 km de distância, então sempre que eu vou visitá-los me acarreta uma despesa, né? De quase R$ 180,00! E aí eu sempre tenho que fazer esse cálculo. Eu devo passar o Natal com amigos ou com meus colegas de república, com quem eu divido espaço. A data é muito explorada comercialmente, mas acho que olhando pela crítica positiva, ela é uma boa oportunidade para sanar alguns problemas familiares, para se reaproximar de algumas pessoas que estão mais distantes. Muita gente aproveita o Natal para liberar essa questão do perdão que tá ali guardado e se abster um pouco desse orgulho. Então acho que a data tem esses dois lados, esse lado ruim do capitalismo, que deixa triste a criança cujo pai não tem o dinheiro para dar um brinquedo “daora”, que é caro. Mas tem o lado do perdão, também, onde rola esse clima afetivo e harmonioso que o Natal oferece. Eu me arrumo sempre pra ficar na sala de casa quando estou com parentes, então isso pra mim não é um problema”, explica Lachésis.

Reprodução: Instagram de Andressa Antunes.

Já Andressa Antunes, estudante de Jornalismo da Ufes, passará o Natal onde mora, mas, pela primeira vez, sem os seus pais, que estarão viajando para se reunir com parentes que moram em outro estado. “Minha família não mora aqui, somos apenas eu, minha irmã e meus pais. Então costumamos visitar nossos parentes nesta época, o que torna o Natal bem especial. Quando não conseguimos viajar, acaba se tornando um momento de comemoração na minha casa mesmo, nada grandioso. Mas mesmo assim gostamos de comemorar com algumas tradições nossas e fazemos questão de passar juntos”, afirma. Segundo ela, esse ano não conseguirá viajar com a família por ter iniciado um estágio recentemente e não conseguir tirar férias. “Meus pais haviam planejado uma viagem para passar o final do ano com os nossos parentes há um tempo, então eles irão sem mim. Acho que com o passar do tempo ficará mais complicado que nossas agendas batam para viagens longas assim”.

Natal feat. Religiões

Para alguns o dia 25 de dezembro pode ter uma conotação bem diferente do que costumeiramente celebramos. Milla Silvério, estudante de medicina na Universidade Federal de Lavras (UFLA), é praticante do Judaísmo, segmento caracterizado pela não-crença na figura de Jesus Cristo. Ela e sua família não celebram a data natalina, mas no mesmo período comemoram o Hanukkah, festa judaica que celebra as tradições da religião e a restauração da adoração a Deus no templo de Jerusalém após a tentativa falha do Rei Sírio de destruir o Judaísmo em II a.C.

Por quase uma semana (neste ano entre 22 e 26 de dezembro), eles se voltam à busca por harmonia familiar, ações solidárias e assistência à crianças em situações de vulnerabilidade. “Planejamos esse ano usar o dia 25 para distribuir alimentos para pessoas em situações de rua, agasalhos e itens de higiene básica. Com amigos, também arrecadamos materiais escolares para serem doados a instituições com crianças, como orfanatos. Não teremos uma ceia específica com o significado e tradições que a maioria das famílias têm, mas celebraremos o amor e a união no dia”, afirmou a jovem de 23 anos.

Reprodução: Instagram de Vitória Bordon.

Já Vitória Bordon, estudante de Publicidade e Propaganda da Ufes, é umbandista. Segundo ela, a Umbanda é uma religião sincrética, o que significa que ela tem várias influências. “O Natal é uma data tradicionalmente cristã e, apesar de ser uma religião de matriz africana, o cristianismo é uma das fortes influências da Umbanda. Para nós, o Natal simboliza o nascimento de Oxalá, filho de Olorum. Apesar dos nomes diferentes, os significados são próximos nesse sentido e tudo isso existe em virtude do contexto em que a Umbanda surgiu, já que os escravizados não podiam exercer a própria religião e, por isso, veneravam seus orixás frente a imagem e santos da Igreja Católica, que eram aceitos pelos colonizadores”, conta.

Além disso, Vitória não vê a própria família há praticamente um ano, uma vez que eles moram em Americana/SP, sua cidade de origem. Devido a isso, ela não tem muitas chances de visitá-los tendo o curso e o estágio em Vitória/ES, onde mora atualmente. “Por estudar fora, essa data tem sido cada vez mais importante pra mim, porque além de toda questão religiosa, é a data em que eu fico próxima de quem eu amo”, afirma.

O Natal capitalista

A troca de presentes durante o feriado natalino é uma tradição que ultrapassa as gerações ou religiões, contudo, esse dia rodeado de consumismo que o Natal se transformou teve seu início durante os anos de 1930, a partir da introdução da figura do Papai Noel que conhecemos hoje pela Coca-Cola. Essa imagem mais comercial, de um senhor gordo e vestido todo de vermelho e branco, foi difundida pela marca em suas campanhas publicitárias, que mostravam o bom velhinho entregando brinquedos para crianças e atacando a geladeira das casas que visitava. Encontrar presentes debaixo da árvore na manhã do dia 25 de dezembro tornou-se essencial no Natal, ultrapassando até mesmo as principais tradições.

Foto: Representação tradicional do Papai Noel da Coca-Cola.

No país mais capitalista do mundo, até o Poder Executivo abraça o Natal e proporciona uma relação íntima com o consumo. Na Casa Branca, as decorações são pensadas pela Primeira Dama e colocadas por voluntários, estratégia de pertencimento e identidade nos americanos. Além disso, muitos outros aspectos da festa de Natal envolvem um aumento considerável da atividade econômica. O vídeo divulgado pelo governo mostra bem isso: 

Essa comemoração tornou-se um acontecimento significativo e um período-chave de vendas para os varejistas e para as empresas. Seu impacto econômico ajuda a equilibrar o balanço de fim de ano. No Brasil, o varejo prevê o maior crescimento nas vendas dos últimos seis anos para o período do Natal, de acordo com dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). A estimativa é arrecadar R$ 35,9 bilhões, o que representa 4,8% mais do que no ano passado. A Fecomércio também tem a expectativa de aumento na arrecadação comercial. Esse percentual na principal data para o comércio no ano não é registrado desde 2013, quando o crescimento foi de 5%. Caso essa previsão se confirme, o varejo voltará ao patamar de vendas natalinas de 2014, ano considerado o início da crise econômica por analistas. Em 2015 e 2016, a variação chegou a ser negativa, veja abaixo: 

Retirado do Portal de Notícias R7: http://bit.ly/graficor7

Por mais que tenhamos diferentes significados pro Natal, diferentes maneiras de comemoração, o sentimento que pode ser colocado em destaque, por ser comum, é o de amor e reconciliação, uma oportunidade de comemorar com amigos famílias e pessoas queridas. Que essa data seja celebrada sempre, afinal, o Natal é de todos nós.

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