Criptomoedas: a ferramenta monetária do futuro?

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O que é esse gênero de moeda digital que promete transformar o sistema monetário físico

Por Gabriela Brito, João Vitor Castro, Marcus Vinícius Reis e Newton Assis

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O estudante de economia, Lorenzo Kill, conheceu o mundo das criptomoedas em 2017 investindo poucas quantias. (Foto: Gabriela Brito)

Muito além de dinheiro virtual, a criptomoeda é caracterizada por utilizar a  tecnologia blockchain, criada para tornar as transações digitais mais seguras, com um protocolo praticamente inexpugnável, quase impossível de ser violado por hackers. 

A ferramenta, podendo ser convertida em valores reais, garante, além de maior segurança, independência de uma autoridade financeira, como os bancos convencionais. A negociação, a cotação e a compra das criptomoedas se dão através da internet. 

Infográfico elaborado pelos autores.

Para o Dr. Ranulfo Paiva Sobrinho, envolvido com a tecnologia blockchain desde 2009 e professor colaborador do Instituto de Economia da UNICAMP, a importância histórica do Bitcoin está em mostrar que é possível criar um sistema financeiro muito melhor do que o existente. “O qual é passível de corrupção, adulteração de dados, altos custos de transação e sujeito às decisões de bancos centrais” explica o professor, evidenciando que o atual sistema financeiro têm contribuído para a criação de bolhas econômicas, que resultam em crises.

Além de armazenamento de dinheiro e reserva de valor, as criptomoedas também são utilizadas como investimento, como é feito pelo estudante de Economia da Ufes, Lorenzo Kill. 

O graduando conheceu o Bitcoin no início de 2017 através de vídeos da internet, quando a moeda ainda era desvalorizada. “Nessa época, comecei a comprar bitcoin, mas ainda tinha muito medo. Foi com valores pequenos, de 200 a 400 reais. Por causa desse medo, acabei tirando o dinheiro, mas se eu tivesse deixado, provavelmente esses 200 reais virariam 8 mil, colocando nos valores de hoje. Me arrependo” comenta o estudante. 

Apesar do arrependimento, Lorenzo considera o investimento arriscado. “Tem o fator insegurança. O governo pode proibir a qualquer momento, o que dificultaria muito o crescimento em curto prazo” acrescenta. 

O Dr. Ranulfo Paiva Sobrinho considera ínfimo o impacto das criptomoedas no mercado financeiro, mas, ainda assim, uma alternativa atrativa. “Considerando que as opções tradicionais de investimentos como títulos de dívidas de governos centrais estão com taxas de retorno iguais ou próximos a zero, e, alguns com taxas de juros negativos, as criptomoedas podem ser um investimento atrativo”. 

Ainda assim, para o professor, é necessário que os investidores adquiram mais conhecimento a fim de diferenciar as criptomoedas que representam modelos de negócios viáveis daqueles que são infrutíferos.

Algumas pessoas estão aderindo à tecnologia para se protegerem de crises econômicas e dos efeitos danosos da inflação, como por exemplo, pessoas da Venezuela.  

Aderir à tecnologia hoje é assumir mais riscos, conforme avalia o pesquisador do Centro de Estudos das Negociações Internacionais (Caeni) e professor no Instituto de Relações Internacionais (IRI) da Universidade de São Paulo (USP), João Paulo Candia Veiga.

“Os mercados de criptomoedas são voláteis e não trazem segurança, não pode ser indicado para investidores conservadores no longo prazo” explica o professor.

Os professores do departamento de Economia da Ufes, Paulo Nakatani e Gustavo Mello, ao exercerem um estudo crítico às criptomoedas, afirmam que qualquer criptomoeda pode se tornar uma nova moeda nacional e até substituir o dólar. 

“Não há impedimentos para a substituição das moedas nacionais e do dinheiro mundial por qualquer moeda privada virtual na dinâmica de reprodução e expansão do capital, desde que atendam aos requisitos das leis gerais da circulação monetária sob as determinações do capital e às leis gerais da acumulação capitalista” apontam os professores.

Infográfico elaborado pelos autores.

Alguns países como a Rússia, Venezuela e Cuba estão estudando a possibilidade de adesão às tecnologias de criptomoedas. Segundo o professor João Paulo Candia Veiga, isso acontece porque, por razões políticas e econômicas, os três países gostariam de ter uma alternativa digital ao dólar. 

Entretanto, para Veiga, é difícil a possibilidade da iniciativa ser bem sucedida. “Primeiro, porque abrir mão do dólar como moeda de conversão e de referência, traz um risco para os países, se eles forem converter diretamente suas moedas por criptomoedas. Em segundo lugar, porque a concentração de investidores em criptomoedas é muito grande, são poucos que operam com muitos recursos, o que gera alta instabilidade”, explica o especialista. 

O pesquisador considera a possibilidade das criptomoedas ascenderem no futuro, desde que haja algum tipo de regulação, com algum tipo de garantia por parte da autoridade monetária, ou seja, os bancos centrais. “Mas há muitos atores privados investindo em formas de criação de moedas digitais que, cedo ou tarde, terão algum tipo de segurança, mesmo que seja privada. A partir desse momento vamos começar a testemunhar a ascensão das criptomoedas, ou moedas digitais, com maior rapidez e aceitação.” explana Veiga.

Para o estudante Lorenzo, a expectativa a curto prazo é uma incógnita. Entretanto, a longo prazo, ainda que o Bitcoin deixe de existir, certamente outra criptomoeda tomaria seu lugar. “Criptomoeda é o futuro, não tem pra onde correr.” acrescenta. 

Para Lorenzo, o Bitcoin é como o ouro digital, já para o professor Paiva Sobrinho, o verdadeiro ouro digital não é o Bitcoin e sim a tecnologia que permite a sua criação, isto é, a tecnologia blockchain. “A tecnologia blockchain é um verdadeiro ouro digital e a melhor tecnologia existente no momento, na minha opinião”.

O professor Paiva Sobrinho espera que, no futuro, as pessoas conheçam mais sobre o uso da tecnologia blockchain e comecem a ver que há aplicações muito mais interessantes que as criptomoedas. “Essas devem ser um recurso para facilitar as transações em negócios futuros que espero que possam contribuir para a regeneração deste Planeta” conclui.

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