Cléber Carminati, “O Cabeça”

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Por Anderson Barollo

Foto: Izabela Toscano

Migrante do curso de Engenharia Elétrica para a Comunicação, Cléber Carminati é considerado um dos cabeças de um grupo que tinha como característica não ter lideranças. Hoje professor efetivo da Universidade Federal do Espírito Santo – atuando na área de Produção, Linguagem e Estética do Audiovisual –  Carminati ou ‘’Zocra’’ foi peça fundamental para um dos movimentos mais importantes da Ufes nos anos 80, o Balão Mágico. 

Fruto de uma geração que questionava o legado da ditadura militar, Cléber conta que o sentimento dos jovens naquela época era a vontade de buscar informação por tudo aquilo que eles não haviam visto anteriormente na escola. Porém, segundo o então estudante na época, as discussões na Universidade no início dos anos 80 eram muito baseadas em pautas passadas, em doutrinas marxistas, quase como uma espécie de credo. 

‘’Isso fazia parte das discussões do movimento estudantil e nós não conseguimos nos identificar com aqueles discursos […]  Era muita reprodução de conhecimento e nós tínhamos uma demanda de produção de conhecimento’’, conta Carminati. Influenciado pelo sentimento de se descobrir e ser sua própria revolução, Cléber conta que a Turma do Balão Mágico era muito mais um movimento cultural, artístico e de comportamento do que um grupo organizado para fazer frente ou propor algo.

”Se fossemos intitular o que éramos hoje, o Balão seria um Coletivo, mas na época não tínhamos esse nome […] A gente não era um grupo tradicionalmente organizado e articulado como eram o CA’s e o DCE. A gente se unia para se divertir e nos organizávamos para agir,  através de ações e intervenções artísticas”, comentou o professor da Ufes. 

Um dos episódios mais marcantes para o professor foi quando eles trouxeram o Circo da Cultura em 1988 por quinze dias em frente a Biblioteca. “88 foi um ano muito rico, foi o momento maior do Balão’’ destaca Carminati. Outro momento ressaltado por ele como ilustre foi quando ocorreu um inquérito na Universidade por conta das pichações e grafites que o grupo realizava. 

Numa dessas audiências, o ‘’Zocra’’ conta que foi vestido de ‘’fadinha punk’’ e chegou a ser capa no Caderno 2, da A Gazeta. ‘’Me chamaram para depor e eu grafitei a sala do reitor toda […] Meu apelido – Zocra – circulava mais que meu nome, por causa dos óculos redondos e pequenos que eu usava. Era bom que ninguém sabia quem eu era’’, acrescentou Carminati. 

Cléber ressalta que é importante pontuar todo o contexto daquela época para avaliar as atitudes do grupo e que a turma do Balão tinha uma boa articulação com o Centro de Artes, especialmente com o Departamento de Comunicação. Inspirado pelo movimento artístico do Dadaísmo, Cleber participou de diversas intervenções artísticas, pichações e reivindicações importantes para o curso de Comunicação e para a Universidade. 

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