Abelhas Nativas Brasileiras

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Saiba da relevância desses insetos para nossas vidas e para vida do nosso planeta. 

Por Álvaro Guaresqui, Felipe Khoury, Kelly Lacerda e Suzane Caldeira

Polinização das plantas nativas feita pela Abelha Mandaçaia.

Voando de flor em flor, as abelhas são insetos, que apesar de pequenos, para alguns são assustadores!  Mas o que nem todos sabem é que existem espécies que não possuem ferrão, são inofensivas e consideradas insetos sociais podendo fazer a vida um pouco mais doce!

As abelhas nativas sem ferrão podem viver em grandes comunidades, sendo encontradas nos mais diversos lugares, como casas, toco de árvores, buracos de barrancos e pedras, ou qualquer outro local onde se sintam protegidas. Esses pequenos insetos também são capazes de viver em colmeias ou caixas de madeiras construídas, própria para elas

As abelhas são animais de extrema importância para nossas vidas e para vida do nosso planeta. Além de produzirem mel, cera e própolis, elas fornecem um trabalho infinitamente relevante para o meio ambiente – a polinização.

As abelhas nativas têm como importância, a eficiência em relação à produção de alimentos, já que elas são primordiais na polinização das plantas, vegetais, legumes e frutas. Estas, também estão diretamente ligadas e tem papel fundamental na perpetuação, conservação e manutenção das florestas nativas.

O professor de Ciências Agrárias da Ufes,  Vander Tosta, ressalta a importância desse processo. “Essas abelhas são extremamente importantes, grande parte da polinização das nossas matas é feita pelas abelhas nativas, cerca de 70 à 80 por cento. Há uma necessidade em conservar essas espécies para que possamos continuar tendo polinização do que restou das nossas matas”, destaca Tosta.

O Brasil, possui cerca de 400 espécies de abelhas nativas dos gêneros, Melipona, Trigona, Scaptotrigona, Tetragonisca, Austroplebia, entre outras. A criação delas, através da meliponicultura passa a ser mais fácil, permitindo que possam ser criadas e cuidadas por qualquer pessoa, tanto no ambiente rural quanto no urbano. É importante saber que esses pequenos insetos possuem o ferrão atrofiado, deixando-as incapazes de ferroar.

No estado do Espírito Santo é possível encontrar, nas matas e centros urbanos, abelhas nativas da Mata Atlântica (sem ferrão) e abelhas invasoras Apis mellifera (popularmente conhecida como europeia, italiana ou africana). Ao todo, o estado possui 46 espécies catalogadas como nativas, dentre elas, a Melipona Uruçu, considerada a de maior destaque no âmbito capixaba.

S.O.S ABELHAS

Apesar da importância que esses pequenos insetos apresentam para a natureza, eles estão sendo ameaçados pela ação do homem. O uso desenfreado de inseticidas (como os Fumacês nas cidades) e de agrotóxicos (na Zona Rural) provocam uma alteração nos hábitos de vida e até mesmo a morte e ameaça de extinção de algumas espécies. Segundo pesquisa realizada pela Universidade de São Paulo (USP), no Brasil, a previsão é de que a população de abelhas e outros polinizadores diminuam em 13% até 2050.

Sem se preocupar com os vários riscos causados pelos agrotóxicos, entre eles a mortandade das abelhas, o Brasil vem liberando indiscriminadamente mais tipos de venenos. Segundo informações do Greenpeace Brasil, somente no primeiro semestre de 2019 foram liberados pelo governo, mais de 239 tipos de agrotóxicos, sendo que 40% deles são proibidos em outros países.

Apesar do retrocesso vivido no Brasil com a grande quantidade de agrotóxicos liberados, no Espírito Santo alguns Projetos de Lei (PL) tentam diminuir o impacto dessas ações e preservar as abelhas. De autoria da deputada Iriny Lopes (PT), o PL 686/2019, que ainda tramita na Casa Legislativa, visa proibir a utilização de agrotóxicos, fungicidas e inseticidas num raio de mil metros em plantações localizadas próximo a áreas de criação de abelhas. Outro PL dessa natureza, é o 237/2019 de autoria do deputado Fabrício Gandini (PPS) que proíbe o uso de inseticidas à base de neonicotinóides, substância derivada da nicotina, nos serviços de carro fumacê, nos centros urbanos no Espírito Santo.

EDUCAÇÃO AMBIENTAL

É de suma importância para que haja conscientização dos benefícios que a abelha traz para o ser humano e o meio ambiente. Introduzir esses conhecimentos desde o ensino infantil é fundamental para que o processo de produção desses animais sejam reconhecidos e valorizados.

Em Santo Antônio, Vitória, desde 2016, o meliponicultor Rogério Caldeira, realiza em sua casa – Meliponário Emparede – um trabalho de meliponicultura, onde através da criação das abelhas é possível executar um projeto social que informa e conscientiza sobre a importância da preservação das abelhas nativas capixabas. Este trabalho é realizado, principalmente, com as crianças de escolas públicas e particulares da Grande Vitória. Segundo Rogério, o uso das abelhas nativas no projeto do Meliponário Emparede se dá pelo fato delas serem inofensivas, dóceis e não ferroarem, assim sendo possível a utilização destas como um instrumento gerador de educação ambiental.

Alunos do CMEI Darcy Vargas de Santo Antônio, Vitória, conhecendo um ninho da abelha nativa.

O professor Vander Tosta também evidencia essa importância. “Quando você pega uma abelha nativa e abre o ninho, mostra para as crianças, e como as abelhas não são agressivas é possível fazer isso, as crianças ficam encantadas, sendo assim uma ótima forma de ensinar várias coisas na área da biologia.”

A grande vantagem de também incentivar e apresentar as pessoas a Meliponicultura, é a possibilidade de ampliar os enxame  na natureza. “Se depender dos espaços urbanos é muito difícil ver essas abelhas nativas, das pequenas às maiores, encontrarem espaços de nidificação. Então, a partir do momento que são criados ambientes em que você crie suas abelhas, aos poucos cresce o número de abelhas na natureza, zonas urbanas e rurais”, afirma Rogério.

Visita da turma do Colégio Monteiro Lobato, Vitória.

A maioria das pessoas não conhece a real magnitude das abelhas nativas do Brasil. Pelo senso comum quando se fala de abelha associam-se algumas questões de imediato. Uma dela é que as pessoas têm medo de abelhas, achando que todas picam e que todas as abelhas têm ferrão que podem causar danos à saúde. O outro pensamento é a questão do mel, ou seja, falou de abelha falou de mel. Só que, mais importante do que a produção de mel é a polinização. A polinização é muito mais abrangente com relação à produção de alimentos a espécie humana e para reconstituição das matas nativas e manutenção do ciclo da biodiversidade que existe. As abelhas nativas brasileiras estão diretamente ligadas a este ciclo, e são as polinizadoras com maior percentual no bioma da Mata Atlântica, gerando 80% de responsabilidade com relação aos outros organismos como os insetos, besouros, pássaros e mamíferos, como o morcego. A presença de abelhas nativas tanto na zona urbana quanto na zona rural, representa um excelente bioindicador ambiental, pois, elas representam a boa qualidade do ecossistema.

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