Um novo olhar sobre velhos hábitos

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Entenda a retomada da consciência corporal de mulheres e do uso de métodos ancestrais de cuidado íntimo através da ginecologia natural

Por Giulia Reis, Lydia Lourenço, Maria Clara Stecca e Sthefany Duhz

Reprodução Blog da Oca

Quando pensamos em cuidados com a saúde íntima é comum vir à cabeça os métodos convencionais de tratamento, seja em relação ao uso de contraceptivos, remédios para controle hormonal e infecções ginecológicas até aos recursos usados para acabar com aquela cólica menstrual. 

Entretanto, antes dos saberes científicos se difundirem era comum a utilização de ervas e outros produtos naturais para tratar e prevenir males relacionados à saúde feminina. Além disso, a relação da mulher com seu corpo se dava sem intervenções.

Na contramão da medicina tradicional, cada vez mais mulheres têm buscado entender seu próprio corpo e cuidar de forma mais natural e menos invasiva de sua saúde sexual e reprodutiva. 

Reprodução Site Ginecosofia Brasil

Ao conjunto de práticas naturais e baseadas no conhecimento do próprio corpo se dá o nome de ginecologia natural. É um movimento de resgate de rituais de cuidado ancestrais que se iniciou em países latino-americanos como Chile, Uruguai e Argentina e vem ganhando cada vez mais adeptas no Brasil.

O livro “Manual de Introdução à Ginecologia Natural” da escritora e parteira tradicional Pabla Pérez San Martin fomentou um desejo de compartilhamento de conhecimentos íntimos da saúde feminina entre mulheres e gerou diversos fóruns e grupos na internet acerca do tema, a exemplo do Ginecologia Natural e do Laboratório de Ginecologia Natural.

A terapeuta holística, Giuliana de Paula, atende mulheres com a ginecologia natural e emocional, diz que essa atuação funciona como uma forma de resgate da simplicidade dos saberes ligados ao uso das ervas e da intimidade da mulher com seu próprio corpo.

Os saberes fitoterápicos são historicamente apreendidos devido a ausência de acesso de populações periféricas aos fármacos e aos tratamentos de saúde convencionais. Com isso, várias receitas contra males relacionados à saúde íntima da mulher foram sendo repassadas a fim de garantir um cuidado negligenciado pelo Estado. 

“Esse é um saber que nos convoca a honrar, por exemplo, às senhoras de bairros periféricos que há tempos o carregam contribuindo para a saúde de muitas mulheres através das garrafadas e tinturas”, explica Giuliana.

Ela enxerga o entendimento sobre o emocional e a utilização de recursos naturais como importantes para a autonomia e liberdade feminina quanto aos artifícios utilizados para a manutenção de um corpo saudável física e mentalmente, porém não acredita que seja preciso uma ruptura total com os saberes científicos.

“O que meu atendimento traz e qualquer um nessa linha é a integração entre a ciência e outros campos do saber”, ressalta.

A estudante de Gestão Pública, Thaisa Azevedo já foi adepta do tratamento holístico e já utilizou os métodos convencionais da ginecologia. Ela procurou o tratamento homeopático para regular o ciclo menstrual atrasado devido o estresse e ansiedade.

“Como a homeopatia trata a causa emocional e não o sintoma, resolvi tentar”, conta Thaísa. 

No entanto, após romper com o tratamento voltou a ter descontroles hormonais e não continuou o método holístico a fim de tentar algo novo se rendeu ao anticoncepcional hormonal.

“Estava há cinco meses sem menstruar e depois do tratamento com o reiki meu ciclo se regulou, depois deu tudo errado de novo e resolvi tentar a pílula”, relata.

Hoje após um ano do uso do contraceptivo a estudante parou de usar a pílula mas sente falta dos efeitos pelo conforto de saber as datas certas da menstruação e tem dúvidas se volta com a terapia holística ou se retorna com o uso do remédio convencional.

Reprodução Site Ginecologia Natural

Por outro lado, a farmacêutica, Natália Cortelette, não tem dúvidas de sua decisão. Após usar a pílula por 12 anos seguidos, decidiu há quase dois anos em parar a medicação ao perceber que sua saúde não estava boa.

“Resolvi começar o autocuidado eliminando hormônios externos do meu corpo, para que pudesse entender seu funcionamento sem essas substâncias”, explica Natália. 

Apesar de benefícios como o controle hormonal e a diminuição de cólica no período menstrual, os efeitos colaterais provocados pela pílula anticoncepcional são inúmeros, as queixas mais frequentes entre as usuárias são ganho excessivo de peso, acne, alteração de humor e do fluxo menstrual e diminuição de libido. 

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), além dos efeitos físicos citados, existem também o risco de aumento da pressão arterial e as raras possibilidades de problemas como trombose, derrame e infarto do miocárdio. Por essa razão algumas mulheres decidem romper com o anticoncepcional produzido à base de hormônios e seguir para métodos alternativos como o de percepção de fertilidade. 

Existem vários procedimentos voltados para esse tipo de contracepção, dentre eles os mais comuns são: o “método do dia padrão” que baseia-se no calendário (as datas em que a menstruação ocorre), apropriado apenas para as mulheres que têm menstruações regulares, e o “método de dois dias” (ovulação) que se fundamenta apenas na avaliação do muco cervical, sendo necessário a sua ausência nos primeiros dias após a menstruação.

Encarar as etapas da menstruação, assim como as do funcionamento hormonal de seu corpo inclusive durante o período gestacional com naturalidade é acima de tudo um ato de respeito, aí é onde a ginecologia natural se relaciona diretamente com o parto humanizado, cujo um dos pilares é justamente o respeito ao tempo da mãe. 

Reprodução Blog Útero em Flor

A doula Ana Cláudia Reis explica que decidiu se especializar nesse segmento ao perceber uma mudança de comportamento da mulher com uma procura cada vez maior em conhecer sua fisiologia e buscar alternativas naturais para tratar problemas de saúde comum às mulheres. 

Para ela o parto humanizado se relaciona com a busca pelo conhecimento do funcionamento da fisiologia feminina e respeito ao seu próprio ritmo.

“Há várias formas de lidar com as dores do parto sem precisar utilizar intervenções medicamentosas desnecessárias e muitas vezes prejudiciais para a mãe e o bebê”, ressalta.

Saiba mais em:

Ginecosofia Brasil

Adeus Hormônios: Contracepção não-hormonal




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