O drama daqueles que estão no fim da graduação

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TCC, mercado de trabalho e outros dilemas que afligem aqueles que estão na reta final da graduação 

Por Vitor Pinheiro, Carla Nigro, Matheus Souza e Heitor Mattedi

Camila Nascimento; formanda em Jornalismo na última terça feira (03/09/2019)

Pensar na formatura da faculdade provavelmente deve remeter a beca, viagens, festas de comemoração e, claro, o tão esperado diploma. Apesar disto, nem tudo é um mar de rosas. Muitas vezes o último ano antes de formar, pode sim, ser um drama na vida do graduando. Um dos grandes temores dessa galera tem sido a grande taxa de desemprego que vem atingindo o país. De acordo com o IBGE, o índice de desemprego no país segue acima dos 10% e a situação entre os recém formados consegue ser tão preocupante quanto.

A maioria das pessoas (ou quase todas) ingressa no ensino superior com a expectativa de se qualificar e, por consequência, ter mais chances no mercado de trabalho. Algumas até sonham com uma remuneração acima da média. Infelizmente, essas expectativas têm diminuído bastante nos últimos anos e o motivo são as notícias desanimadoras da economia. 

Os números da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, do IBGE, mostram que a desocupação de quem tem nível superior aumentou quase quatro pontos percentuais desde 2014. Esse cenário consegue ser ainda mais dramático quando levamos em conta que, nas relações de trabalho, os mais jovens acabam sendo os que mais sofrem. Quanto mais jovem, mais complicado é conseguir uma colocação de nível superior.

“O que ouço muito conversando com os alunos é uma certa ansiedade somada a um misto de temor em relação ao mercado”, disse o professor e jornalista Rafael Bellan, que também é coordenador do curso de Comunicação Social – Jornalismo, na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).

Segundo o PNAD, cerca de 30% dos trabalhadores que possuem ensino superior, exercem uma função em que o diploma não é necessário. Na convicção de Bellan, a baixa demanda de mercado faz com que muitos alunos prefiram esticar a vida universitária, muitas vezes optando por estagiar por mais tempo.

Mudanças no Mercado

A maior parte das profissões vêm se transformando, muitas profissões vêm deixando de existir, máquinas surgem e realizam o trabalho que antes exigiam pessoas para fazer. A saída para o coordenador é aprender a utilizar essas ferramentas. 

“A maior parte das profissões estão sofrendo mudanças e as inovações não param de chegar. No jornalismo não é diferente. Um bom exemplo são os stories do Instagram¸ que há um tempo era um meio inimaginável e hoje é utilizado por veículos de comunicação. Sendo assim nós precisamos pensar como trabalhar com essa ferramenta”, explicou o coordenador.

Desta forma, é um grande consenso entre os professores universitários que o mercado de trabalho mudou e continua mudando. A demanda por profissionais especialistas é cada vez maior e as empresas querem funcionários cada vez mais qualificados. Para o professor do Departamento de Comunicação Social, Rafael Paes, a saída para driblar o desemprego é a qualificação profissional.

“Antes de se preocupar com o mercado, que é uma preocupação pertinente, o aluno deve se preocupar com a sua formação. Isso eu vejo muito pouco. Eles esperam que o mercado vai melhorar, que a solução vai cair do céu. O mercado olha para que olha para si”, afirmou.

Medo de TCC

Outro terror na reta final da faculdade é o temido (pelo menos, para muitos) TCC ou Trabalho de Conclusão de Curso. Rafael Paes, que também foi chefe do Departamento de Comunicação Social, narrou que o principal motivo de retenção entre os universitários é o TCC. Chegando ao término da graduação, muitos estudantes vão se desligando da universidade e, assim, acabam não conseguindo cumprir prazos.

“Como e, alguns cursos, o aluno só precisa fazer o TCC no último período, ele acaba empurrando com a barriga. Vai deixando pra depois, acaba deixando pro semestre seguinte, pra depois e depois… Desse jeito muitos acabam caindo em situação de jubilamento”, narrou.

Paes é professor da disciplina que prepara os graduandos para a produção do trabalho de conclusão de curso e contou que muitos alunos se desesperam com essa etapa da graduação. “Muitos chegam para fazer o TCC e encaram como se fosse ser a pesquisa da sua vida e não é bem assim. Gosto de dizer que o TCC é apenas uma etapa da formação universitária, ela exige dedicação, mas não é um bicho de sete cabeças”

Prestes a se formar, Gabriel dos Santos, de 23 anos, afirma que o início pode ser assustador, mas que com o tempo tudo foi ficando mais fácil. “Nós sempre pensamos no TCC como o bicho de sete cabeças, mas temos que aprender a lidar com isso. Estou terminando o meu e depois do susto inicial, quando me acostumei com o modelo de trabalho, coletei os dados e consegui vislumbrar o projeto, ficou tudo mais fácil”, declarou o graduando

Obstáculos na profissão 

Bernardo Barbosa, de 23 anos, é um desses alunos e está no último período de Jornalismo. Apesar da tranquilidade, ele sabe dos problemas com que terá de lidar. “O jornalismo aqui no estado não está atravessando uma boa fase, vide o que aconteceu no último mês com o fechamento de um dos principais jornais impressos daqui… Mas nós temos várias possibilidades e creio que o profissional que está a fim de se modernizar e aprender novas coisas na tecnologia vai ter espaço sim”.

Tanto Bernardo quanto Gabriel não negam o receio com o que vem depois do fim da graduação. Apesar disto, os dois alunos seguem com boas expectativas. “Minha expectativa é permanecer na área, adquirir mais experiência e sair para outro centro”, afirmou Bernardo.

Já o futuro educador Físico, Gabriel ressalta que pretende seguir carreira acadêmica o que lhe levanta mais preocupações, antigas e atuais. “Já pretendo seguir para o mestrado assim que me formar. Quero me qualificar ainda mais para esse mercado de trabalho. A conjuntura política e econômica nos preocupa há muito tempo, ainda mais, nesse momento em que o governo está mobilizando um sucateamento do setor público”, defendeu.


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