E a tal da empatia, conhece?

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Entenda as razões que levam as pessoas a se sensibilizar por causas sociais

Por Giulia Reis, Lydia Lourenço, Maria Clara Stecca e Sthefany Duhz

Reprodução do site Patinhas Carentes

A palavra empatia é usada de forma recorrente no nosso cotidiano, entretanto os discursos de ódio e a indiferença mediante os problemas alheios também são comuns. Afinal o que nos faz sermos mais ou menos sensíveis às dores do outro? 

Sigmund Freud, um dos pais da psicanálise definia a empatia como processo no qual nos colocamos no lugar do outro de modo consciente ou inconsciente. Tem a ver com identificação que possibilita a compreensão dos sentimentos e pensamentos do próximo.

Para a cientista social e psicanalista, Márcia Rodrigues, olhar para o outro com sensibilidade é algo ligado às relações que estabelecemos na socialização primária, ou seja, no seio familiar, e na inserção do indivíduo com o outro. 

“A forma aprendida de amar no processo de socialização e na construção de sua subjetividade configura o arranjo psíquico ligado a essa sensibilização”, afirma a psicanalista, que entende a empatia pela ótica social e não genética, ou biológica. Nesse sentido ela a define como algo que possa ser construído a partir do contato com o semelhante, sendo formada na medida em que o ser desenvolve a habilidade de se reconhecer nos demais.

Há aqueles que se engajam em prol de seres de outras espécies lutando em favor da causa animal, por exemplo. É o caso da voluntária Sarah Resende, que atua em diversas funções na Ong Patinhas Carentes, destinada a encontrar lar para cães e gatos abandonados. Para ela muitos se comovem mais com as causas humanas e esquecem daqueles que não podem pedir ajuda. 

“O que nos motiva é lutar pelos indefesos, aqueles que não podem falar dos maus tratos que sofrem, e é muito gratificante poder fazer isso por um outro ser”, relata Sarah. 

O projeto surgiu há 11 anos a partir da iniciativa de um grupo de amigas que passou a resgatar animais abandonados por conta própria. Atualmente o Patinhas conta com 12 voluntários fixos que se revezam em escalas no cuidado dos animais no abrigo, na manutenção das redes sociais e na organização de feiras de adoção dos pets. 

O engajamento ambiental é outra forma de agir em prol do coletivo, como é o caso de A Escola Ambiental de Bodyboard (EAB), um projeto social realizado na Praia de Itaparica desde 2005. A iniciativa partiu de um grupo de amigos e bodyboarders, que viram a atividade esportiva como uma maneira de ensinar crianças sobre ecologia e preservação da natureza.

Reprodução do Facebook EAB Escola Ambiental Bodyboarding Brasil

De acordo com o estudante de Biologia e  professor voluntário, Guilherme Loyola, a escola sugere a doação de alimentos não perecíveis como forma de “pagamento”, que são posteriormente doados a instituições de caridade. O intuito do projeto é além da educação ambiental e visa em atuar na vida de jovens em risco social, a fim de driblar as vulnerabilidades no contexto que estão inseridos. 

“Estar sempre trocando informações com pessoas novas é pertinente para mim, pois traz o sentimento de estar contribuindo para algo que acho extremamente importante”, afirma Loyola que vê na EAB uma forma de se desenvolver não só pessoalmente, mas como profissional. 

Além da causa animal e ambiental, a questão social de democratização do ensino também é uma pauta trabalhada quando o assunto é engajamento. A rede de cursinhos populares AfirmAção, iniciada em 2017, atua voluntariamente promovendo aulas preparatórias para o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM).

O coordenador da rede, Lula Rocha, conta que atualmente o projeto tem 80 voluntários e atua em quatro municípios da Grande Vitória: Cariacica, Serra, Vitória e Vila Velha.

“Acreditamos que é preciso colocar a mão na massa na luta em defesa da democratização do ensino superior”, destaca Rocha. Para ele fazer parte da iniciativa possibilita uma maior inserção junto a comunidades e interação com outras realidades.

Indiferença

Em contrapartida, existem pessoas que não se mobilizam a favor de nenhuma causa social, e parecem apáticos, ou em determinados casos reagem contrariamente aos que se engajam em lutas coletivas. 

Márcia afirma que os mecanismos psíquicos que levam a indiferença social, assim como os do engajamento, são formados por conjunto de fatores históricos, culturais e políticos no qual o indivíduo está inserido combinados a sua subjetividade. 

“No caso brasileiro, a tendência é que os sentimentos autoritários e violentos que formaram historicamente a população, e que foram esquecidos, permaneçam inconscientes e retornem com força em determinados momentos” ressalta.


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