Até tu, MBL?

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Movimento conhecido pelo anti-petismo e apoio a ideais de direita passam de difusores do governo a “comunistas”.

Heloísa Bergami e Bárbara Catharine

Passados quase seis meses da posse do presidente Jair Bolsonaro, um dos principais pilares da vitória do campo conservador nas eleições de 2018 apresenta sinais de que não está tão sólido no seu apoio ao novo governo. Lideranças do Movimento Brasil Livre (MBL) lançam daqui e dali críticas à gestão de Bolsonaro.

O estudante Darcy Júnior, representante do MBL-ES abriu seu voto mostrando apoio a Jair Bolsonaro ainda no primeiro turno. Já Breno Panetto, coordenador do movimento aqui no Estado, afirma ter apoiado João Amoedo no primeiro turno e Bolsonaro apenas no segundo.

Foto do perfil do Facebook de Darcy Junior do dia 08 de outubro de 2018

Contudo, em entrevista, Breno Panetto afirma que o movimento não apoiou Jair Bolsonaro no primeiro turno porque tinha um candidato próprio, Flávio Rocha (PRB), que não chegou a concorrer. Sendo assim, não tinham um candidato. Mas as pautas do atual presidente, como a reforma da previdência, Lava Jato e reforma tributária, recebem amparo do MBL ainda hoje através dos parlamentares.

Existe um apoio naquelas pautas que são as pautas do movimento. O nosso apoio não é condicionado ao governo, a gente não é governo, a gente apoia pautas do governo que são referentes ao movimento, esse apoio é incondicional. Somos convergentes em pautas e não somos base do governo. Por exemplo, no movimento do último dia 26/05, o MBL não foi às ruas, o MBL não apoiou, porque a gente viu naquele momento um movimento que era muito mais personalizado ao governo do que efetivamente para defender pautas como a previdência. Diferentemente agora do dia 30 (30/06), onde o “Vem Pra Rua”, o MBL, convocaram as manifestações em vista dos ataques que aconteceram na Lava Jato e que a gente acredita que não é o mais benéfico à nossa democracia.

Breno Panetto

Quando questionado sobre os declarados posicionamentos a favor de Jair Bolsonaro feitos por alguns membros, o ativista justifica que o ano eleitoral exigiu deles uma opinião clara.  

Kim Kataguiri, co-fundador do grupo e atualmente deputado federal por São Paulo pelo Democratas (DEM), declarou que seu voto em Jair Bolsonaro seria um voto útil no segundo turno porque acreditava que a eleição de Haddad seria uma ameaça a democracia, como disse ao UOL. Enquanto isso, o vereador de São Paulo, Fernando Holiday, do mesmo partido e movimento de Kim, declarou seu voto a Jair Bolsonaro, ainda no primeiro turno. 

O jogo virou?

Durante as eleições, tratados como aliados nas pautas de Jair Bolsonaro, o MBL ganhava aplausos do público. Mas Kim Kataguiri, o representante do movimento mais famoso, deixou claro em seus entrevistas que possuía divergências com os ideais do candidato, mas que não seria omisso nas eleições. Breno Panetto afirma que os parlamentares do MBL não são base do atual governo, portanto não devem apoiar todas as decisões tomadas.

Mesmo assim, o Movimento Brasil Livre sempre foi conhecido por atacar os partidos de esquerda durante toda sua história. Contudo, afirmam que o andamento dúbio da gestão de Jair Bolsonaro foi avisada por eles.

Os apoiadores do governo agora ameaçam e chamam os ativistas do MBL de traidores e até comunistas. Kim Kataguriri criticou tal atitude chamando-a de demonização política.

No atual momento, Breno diz que o movimento deve ter sua “cara própria” e suas causas próprias, cobrando também do governo, para não se tornar um “puxadinho” do partido. Questionado sobre o apoio fornecido ao presidente eleito, e a contradição percebida nos tweets do partido, Panetto diz, primeiro, que não vê contradição do movimento e que “as pessoas precisam entender que os movimentos que apoiaram o Bolsonaro no segundo turno não são necessariamente o partido do Bolsonaro, tal como os partidos e as pessoas que votaram no Haddad em segundo turno, não são necessariamente do PT.” 

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