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A popularização da Netflix, Spotify, Amazon Prime e outros inúmeros serviços de streaming transformaram os hábitos de consumo

Por Lara Favaris e Maeli Radis

As antigas locadoras, lojas de CDs e livrarias, deram lugar aos aplicativos que hoje usamos no nosso dia a dia, como a Netflix, o Spotify e o Kindle. Recentemente uma carta aberta de uma videolocadora de Curitiba emocionou os usuários do Twitter por divulgar seu fechamento e o fim de sua dura batalha para sobreviver na era do streaming.


Começou lá atrás, quando a Netflix e a pirataria apareceram de maneira contundente. O comportamento das pessoas mudou rápido. De repente, ninguém mais queria sair de casa pra alugar fita. Tinha que ser no celular, na hora. Duas telas ao mesmo tempo , de preferência. “Seu próximo filme começa em 20, 19, 18…”
E aí não tinha como brigar isso. Era outra proposta. As plataformas digitais estavam vendendo filmes enquanto a gente ainda alugava experiências. […]
Depois de milhares de filmes, chegou a nossa vez de sair de cartaz.

Trecho extraído da carta divulgada pela locadora de vídeo Cartoon, uma das mais tradicionais em Curitiba.

O que antes parecia ter sido freado com a popularização da TV por assinatura, se intensificou com esses novos serviços de streaming. Como essa locadora, diversas empresas de aluguel e venda fecharam as portas ou precisaram se adaptar a essa novidade. Um exemplo de adaptação é a própria Netflix. Antes de ser o serviço de streaming mais famoso dos dias atuais, era uma locadora que entregava filmes pelos correios. Os clientes entravam no site, pediam os filmes desejados e recebiam os DVDs em casa.

Apesar da existência de tantas dessas empresas, ainda havia pouco conteúdo à disposição das pessoas e seus preços eram muito elevados para os padrões de vida da maioria da população. Além disso, discos, CDs e DVDs precisavam de espaço para serem guardados, diferente de hoje que, na palma da mão, temos milhares de produções cinematográficas e discografias completas. As lojas de CDs deram lugar ao Spotify e ao Deezer; alugar um filme agora pode ser feito do sofá com a Netflix e outras milhões de plataformas que são também desenvolvidas por empresas de TV por assinatura que buscam se adaptar às novas formas de distribuição e consumo.

A especialista em Comunicação e Marketing para Mídias Digitais e mestranda em Comunicação na Ufes Ana Paula Costa, explicou que “hoje vivemos uma era da instantaneidade, em que tudo é midiatizado, instantâneo. Boa parte da experiência humana é mediada pelas plataformas digitais; a experiência presencial perdeu muito espaço”. O streaming surgiu nesse contexto. Ter acesso a conteúdos de entretenimento a qualquer momento, em qualquer lugar, inclusive quando se está offline, é algo quase fundamental para essa geração.

Esses novos hábitos são identificados principalmente entre os jovens, que já nasceram na era da TV por assinatura e migram facilmente para esses novos serviços. A maioria paga por  pelo menos duas dessas plataformas, Spotify e Netflix. Para a estudante de Publicidade e Propaganda da Universidade Federal do Espírito Santo Maria Eliza, esses serviços a aproximam dos artistas que gosta e facilitam na hora de assistir a alguma série quando está no ônibus, por exemplo. Na opinião dela, a maneira como essas empresas lidam com os assinantes são um atrativo, pois “a personalização que eles dão para responder às pessoas nas redes sociais influencia muito na relação entre os usuários e a empresa parece que somos conhecidos”.

Diversificação das plataformas

Buscando se inserir no mercado, diversas empresas de comunicação criaram suas próprias plataformas de aluguel de filmes e séries. Com essa grande variedade, os usuários precisariam assinar vários serviços para ter acesso a todas as produções. De certa forma, isso ajudou a fortalecer novamente a pirataria digital, desta vez, através de sites e até de aplicativos que foram criados para disponibilizar séries e filmes de forma gratuita.

“Toda semana uma nova plataforma é lançada e isso faz com que os filmes de tal produtora saia do catálogo que estava antes. Um exemplo disso é a criação do streaming da Disney. Certamente, os filmes que estão na Netflix vão migrar para lá, e aí, seria mais um custo”, disse o estudante de Engenharia da Ufes Lorenzo Carvalho.

“Hoje, há grandes escritórios de tendências, que acompanham as demandas do público. Se é detectado que a audiência quer mais livros digitais, por exemplo, essas pesquisas embasam novos lançamentos. As grandes companhias pesquisam a preferência do público o tempo inteiro, para definir estratégias de lançamento e desenvolvimento de novos produtos. Quem fica para trás, acaba fechando as portas”, analisa  Ana Paula Costa.