Jornalistas e suas ferramentas digitais preferidas

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Por Maria Fernanda Conti

Caneta, bloco de notas e uma máquina de escrever. Esses eram os instrumentos fundamentais de um jornalista em meados do século passado, época ainda não marcada pelo grande avanço tecnológico nos veículos de comunicação. A mudança significativa, entretanto, veio a partir de 1980, com o desenvolvimento de computadores e a posterior criação da World Wide Web (internet). O jornalismo precisou se adaptar aos novos meios eletrônicos e à era das multitelas que hoje vivenciamos – notebooks, tablets, smartphones.  

Os profissionais da área começaram a utilizar plataformas online que auxiliam na apuração, produção e circulação das notícias, como, por exemplo, os aplicativos de publicação para sites e blogs, armazenamento por nuvem (Dropbox, Google Drive etc), redes sociais, os softwares especializados em leitura de dados etc.

 Dentre as ferramentas mais empregadas entre os jornalistas capixabas, vê-se uma gama muito diferente de recursos. Depende, muito, do tipo de jornalismo que é desempenhado. Para Geraldo Campos, repórter de Economia de A Gazeta, a multiplicidade de ofertas é uma forte aliada na criação de conteúdo para a web. “Faço muitas contas, cruzo muitos dados, e por isso uma ferramenta como o Excel, que é visto por muitos com certo preconceito, é tão essencial”, defende. Quando escolhe fugir do modelo analógico, de apenas texto e foto, recorre a plataformas interativas que dão leveza e ajudam na compreensão. “Nas pautas multimídia eu uso programas de edição como o Sony Vegas; quando preciso de infográficos interativos para o site, o Infogram é sempre uma mão na roda, pois é muito prático”, recomenda.

Interface do site Infogram, principal criador de gráficos para internet

Do outro lado da redação, a repórter Bianca Vailant, 23, da editoria policial do jornal A Gazeta, explica que lida com informações que exigem plataformas mais dinâmicas e informais. “Às vezes precisamos fazer pequenos vídeos, rápidos, para dar uma notícia mais curta. Nesses casos usamos o Playbuzz, que também te permite criar notícias listas [similar ao Buzzfeed] e linhas do tempo, para situar o público sobre o contexto do fato que estamos narrando”, ela explica. Outras necessidades aparecem quando precisa migrar a notícia para o impresso, como a diagramação do texto. “Cada texto tem um tamanho, só pode escrever tantos centímetros, então alguns programas já te dão todas as suas numerações e formatam automaticamente a sua página. Alguns exemplos são o Keynote e o QuarkXpress. O pacote Office e Adobe também são muito explorados”, detalha.

E qual a importância desses instrumentos para o fazer jornalístico contemporâneo? Os novos profissionais conseguem melhor responder o questionamento. De acordo com Pâmela Vieira, 25, recém-graduada em Jornalismo e assessora de imprensa de uma agência capixaba em Vila Velha, tudo se tornou uma necessidade do mercado. “Essas ferramentas não são criadas exclusivamente para a comunicação, mas nossa área se apropria delas para dar conta de criar novos formatos, mais atrativos e completos”, observa. Quanto ao seu ambiente de trabalho, Pâmela defende que não pensa em desenvolver conteúdo sem o apoio da tecnologia. “Trabalho em uma agência de comunicação que funciona aqui e em Portugal, então o compartilhamento de arquivos via Google Drive é uma coisa primordial”, afirma. “Hoje em dia o que produzo precisar estar na rede, seria impossível sem tal plataforma”, completa.

Para enfrentar as exigências do mercado de trabalho e o domínio dessas múltiplas, a qualificação profissional é essencial. O estudante de Jornalismo Nicolas Nunes, 21, pesquisador do Laboratório de estudos sobre Imagem e Cibercultura (Labic) no Espírito Santo, acha que as instituições ainda não têm o domínio completo dos instrumentos, pois as mudanças são diversas – e sempre rápidas. “Uma boa solução é a interdisciplinaridade, ou seja, a Comunicação estudar as outras áreas do conhecimento para inovar a si própria. Entender a estrutura e, posteriormente, aplicar no manejo dos softwares”, ele sugere.

 

“Comunicação ainda é muito humana, cheia de subjetividade e símbolos”,

Pâmela Vieira, jornalista

 

Como fica o leitor?

Em meio a tantos instrumentos tecnológicos e à comunicação virtual, Pâmela receia perder uma relação mais afetiva com o público “Comunicação ainda é muito humana, cheia de subjetividade e símbolos. Estamos  falando de culturas plurais, então não dá pra ser algo tão simplificado e técnico”, critica. Ela defende métodos mais democráticos de narrativas. “O jornalismo ainda pode ser olho no olho”, desabafa. Por outro lado, Nicolas argumenta que esses dispositivos eletrônicos representam, na verdade, o poder de aproximação simbólica produtor de conteúdos e leitor. “As tecnologias tornam mais fácil o acesso à história do outro. Posso me aproximar sem qualquer dificuldade da individualidade de alguém que esteja do lado oposto do mundo”, explica.

 

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