Amor em tempos de 4G

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O impacto da internet nos relacionamentos contemporâneos

Por: Lavynia Lorenção
Marcela Delatorre
Matheus Souza

Não é surpreendente dizer que o mundo está em constante processo de transformação. Novos softwares, aplicativos e smartphones surgem diariamente para facilitar o nosso cotidiano. O mundo virtual tomou conta da vida das pessoas, mas mudanças estão em toda parte. Seja na política, na economia, na cultura ou nas religiões. Todas essas transformações têm impactado diretamente na maneira como nos relacionamos e, mais especificamente, no aspecto afetivo. Aplicativos de relacionamento, e as diversas formas de amar estão aí para provar a pluralidade e as inúmeras realidades que o presente vem produzindo. As redes sociais, que no início dos anos 2000 mal existiam, agora fazem parte de uma realidade maciça, e são as responsáveis por tornarem possíveis muitas dessas histórias.

Redes Sociais

Viver sem a comunicação virtual e sem as informações que rodam bem na palma de nossas mãos é algo impensável e até mesmo desesperador para a grande maioria. Para se ter uma ideia, de acordo com um estudo sobre o uso de internet e redes sociais no mundo em 2017, promovido pela agência We  Are Social e pela plataforma Hootsuite, o brasileiro gasta, diariamente, 9 horas e 14 minutos navegando na internet, através de qualquer dispositivo. Além disso, o número de brasileiros que utilizam as redes sociais chega a 130 milhões, ou seja, 62% da população no país está conectada através das redes sociais.

Elas, as redes sociais, oferecem a oportunidade de as pessoas se reconectarem com seus velhos amigos e conhecidos, fazerem novas amizades, trocar idéias, compartilhar conteúdos e imagens e muitas outras atividades. Os usuários podem se manter a par dos últimos desenvolvimentos globais e locais e participar de campanhas e atividades de sua escolha.

A estudante de direito Eduarda Christ, por exemplo, utiliza as redes sociais e a internet para se comunicar com a mãe que está passando um tempo a trabalho em Paris, na França. De acordo com ela, sem esses meios seria muito mais difícil lidar com a distância. “No meu caso, como a minha mãe está em outro país, só uma ligação de um minuto para lá é uma fortuna. Sem esses novos meios de comunicação manter o convívio seria quase que impossível. Então, eu realmente acho essencial. Faz eu me sentir mais perto dela e vice e versa”, conta.

No entanto, nem tudo são flores. É preciso levar em consideração também alguns pontos negativos existentes devido a esse apego às redes sociais e às tecnologias. É impossível não observar como as pessoas enquanto estão em locais de diversão, como bares, restaurantes, praias e até mesmo baladas, preferem ficar manuseando os dispositivos móveis ao invés de conversarem entre si e curtir o momento sem ser através da tela do celular.


 
O acesso em nível mundial é tão intenso, que a cidade chinesa de Chongqing implantou uma faixa exclusiva para usuários de smartphones. A medida tem como objetivo evitar acidentes entre pedestres distraídos que usam o celular enquanto caminham. Da mesma forma que há um faixa para quem usa o celular, há uma faixa exclusiva na calçada para quem não está utilizando o dispositivo.

Mas quais foram as primeiras redes sociais a surgirem e quais ainda existem?

 

No entanto, há muitos problemas causados por essas tecnologias e que não recebem a devida atenção. A necessidade de ser admirado ao receber likes e comentários em fotos compartilhadas nas redes e, também, a tentativa de buscar refúgio no mundo virtual para escapar das relações sociais no mundo real são exemplos de como a internet pode prejudicar a vida daqueles que vivem rodeados pelas inovações. Os inúmeros malefícios potenciais são geralmente desencadeados pelo uso exagerado e indevido desses suportes e aplicativos, o que pode gerar ansiedade, dependência e estresse naqueles que não conseguem se livrar nem por um instante das máquinas.

Segundo a professora Márcia Rodrigues, do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), essas novas tecnologias têm um impacto profundo na vida das pessoas. “Isso ocorre porque transforma, sem dúvida, o modo de socialização, pois a virtualidade torna-se uma realidade concreta fazendo com que os indivíduos potencializem a necessidade narcísica”, afirma.

Aplicativos de Relacionamento

Agora, outros tipos de aplicativos que vêm crescendo cada vez mais e conquistando os usuários, são os de  relacionamento. Foi a partir dos anos de 1990 que a tecnologia começou a ter maior influência no quesito relacionamentos – foi nesta década que surgiu o primeiro site de encontros, o Match.com, lançado em 1995. Quase uma década depois, em 2004, veio o OkCupid. Nos dois anos seguintes, surgiu o ParPerfeito no Brasil. O Tinder estreou em 2012 e, desde então, é possível observar uma continuidade de mudanças em relação a como as pessoas escolhem se conhecer.

Uma pesquisa desenvolvida pelo Match Group, dono do Tinder — e de outras plataformas de relacionamento online como ParPerfeito, Divino Amor, OurTime, Single Parent Meet e G Encontros— revelou dados sobre como e por que os solteiros usam aplicativos de celular ou sites tradicionais para encontrar o seu par ideal em vez de optarem por saídas em grupos para bares e boates na cidade.

De acordo com um levantamento aplicado ao longo de abril de 2017 com 4,8 mil solteiros online no Brasil, 60% dos entrevistados afirmam que os aplicativos são melhores porque os usuários já sabem, ao observar os perfis, se a pessoa escolhida tem os mesmos interesses que os seus e, também, as características que buscam em alguém antes mesmo de marcar um encontro tradicional. Outros 19% acreditam que com as plataformas online eles podem conhecer mais pessoas do que quando saem para baladas ou bares da cidade. Outros 11% disseram gostar de usar aplicativos porque não têm tempo de investir em saídas em grupo ou sozinhos. Uma parcela de 10% disse ainda que os aplicativos e sites de relacionamento permitem encontrar pessoas em qualquer lugar — ideal para viagens ou para pessoas que acabaram  de se mudar — o que facilita bastante a busca por um parceiro.

Relacionamentos a distância

É inegável que, em muitos aspectos, a internet encurtou distâncias. As redes sociais facilitaram para que pessoas com interesses semelhantes e com os mesmos hobbies se conhecessem. Esse tipo de vínculo faz com que muitas amizades sejam construídas e também muitas histórias de amor. Likes, respostas em comentários e aquela mensagem no privado costumam ser inícios muito comuns nos relacionamentos hoje em dia.

Não foi o que aconteceu com o catarinense Matheus, de 20 anos. O estudante de Direito teve um namoro de cinco meses com um capixaba. Eles foram apresentados por um amigo virtual em comum, o Arthur*. Coincidentemente ou não, Arthur*, estudante de Engenharia Civil de 23 anos, está em um relacionamento a distância com sua namorada de infância, que mora na cidade natal deles, na Bahia. Ao mesmo tempo, Arthur*, que hoje mora em Ribeirão Preto (SP), chegou a namorar por quase dois anos com Júnior*, um carioca que ele  também conheceu pela internet. Parece tudo bastante confuso, né? Mas calma que essas histórias cruzadas logo irão fazer sentido. O que elas têm em comum? A internet. Sem ela nenhuma dessas histórias seriam possíveis.

Arthur, 23 anos, estudante de Engenharia Civil

Arthur* é natural de uma cidade no interior da Bahia. O jovem estava começando um namoro quando teve de se mudar para Ribeirão Preto (SP). Ele e sua quase-namorada decidiram continuar o relacionamento mesmo que a distância, mas deram liberdade para que ambos pudessem conhecer e sair com novas pessoas. O casal optou por um relacionamento aberto e a distância. 

Na nova cidade, o estudante de Engenharia Civil, tornou-se caseiro. Ele passava a maior parte dos dias em casa, saía apenas para faculdade e quando realmente precisava. A maior parte das novas amizades de Arthur* começaram com garotos que conhecia em um site de bate-papo. Foi lá que ele conheceu e apresentou Matheus a Caio*. O que ele não esperava era que iria se apaixonar por um outro amigo, que morava no Rio de Janeiro.

Quando Arthur* percebeu, estava em dois relacionamentos a distância. “No início eu fiquei com receio de contar a Gabi* sobre o Junior*, porque até então ela só sabia que eu gostava de meninas. Ele estava sendo minha primeira relação homoafetiva. A reação dela me surpreendeu. Ela quis conhecê-lo. Depois de um tempo nós três tínhamos um grupo de WhatsApp”, contou.

“Só não dá certo se uma das partes não quiser” – Arthur

Apesar de toda o estigma de que esses relacionamentos podem ser fadados ao fracasso, pesquisadores da Cornell University descobriram que os vínculos formados por eles costumam ser mais profundos. Isto se dá porque casais que não se vêem frequentemente acabam usando a comunicação como forma de driblar a distância. Já no caso de casais próximos, esse aspecto, muitas vezes, acaba caindo na rotina.  “A gente sempre se falava por ligação antes de dormir e ao acordar. Houve épocas do relacionamento em que nos falamos mais do que outras. Nós trocávamos muitas mensagens durante o dia. Quando dava, a gente ligava pra contar o que havia feito. No fim do dia, sempre fazíamos uma chamada de áudio para falar dos acontecimentos”, explicou Matheus sobre o funcionamento da relação.

“Eu acho que foi real sim, até porque eu ainda não consegui gostar de outra pessoa da mesma forma” – Matheus

Além de terem que lidar com a saudade e a falta de contato físico, casais que vivenciam esse tipo de relacionamento ainda têm de enfrentar todas as desconfianças da sociedade. Diferentemente do que muitos pensam, esses casais não são mais infelizes do que os que moram próximos. Essa foi uma das conclusões de um estudo de 2014 realizado com mais de 1000 pessoas que vivem os dois tipos de casos.

Matheus, 20 anos, estudante de Direito

O Matheus foi apresentado ao Caio* em fevereiro de 2016. Os dois haviam terminado o ensino médio e estavam prestes a começar a faculdade. Uma amizade começou por meio de conversas de WhatsApp. Eles dividiam seus cotidianos, falavam sobre família, coisas que gostavam e partes importantes de suas vidas. Na época, o Matheus estava mudando de cidade. Ele estava indo estudar Direito em uma faculdade no litoral-norte de Santa Catarina.

Em meio a uma fase de mudanças tão intensas, os dois se aproximaram e o sentimento só cresceu. Quando perceberam já estavam em um namoro. De acordo com o estudante, que atualmente está concluindo o curso em Lisboa, nenhum dos dois propôs nada, tudo fluiu naturalmente. A relação durou até setembro do mesmo ano. “A gente deu um tempo em julho, mas voltamos a nos falar. Chegamos a brigar algumas vezes, mas acho que no fim ele percebeu que, mesmo se vencêssemos a distância, não iríamos nos ver com tanta frequência. A ficha caiu quando ele me contou que havia conhecido outra pessoa”, narrou o jovem.  

Para Matheus, o ciúme em uma relação a distância é bem maior, pelo fato de o parceiro não conhecer aqueles que fazem parte do cotidiano da outra pessoa. Já Arthur* acredita que tudo pode ser resolvido. “Por mais que ocorram momentos de ciúme ou de desconfiança. A base de qualquer relacionamento, principalmente, um que envolva longa distância, é a confiança. Independente de onde a pessoa morar, é preciso ser transparente”, defendeu o estudante de Engenharia.

A saudade, o ciúme, as condições financeiras, a desconfiança social… Os conflitos que esses casais enfrentam vão muito além da distância. Mas o sentimento e a intensidade do que eles vivem é algo que, segundo Arthur* e Matheus, faz tudo valer a pena. No fim, nenhum dos dois se arrepende de tudo o que passaram. Para o estudante de Direito, a experiência fez crescer e os aprendizados foram muitos:

“Apesar de clichê, aprendi respeitar as diferenças. O outro não pensa como você, e não adianta querer mudá-lo. O relacionamento fez com que eu me colocasse no lugar do outro e, assim, entendesse que a pessoa tem uma vida além do namoro. Hoje, eu sei que existem momentos diferentes na vida de cada um” – Matheus

Seja em Portugal ou em Ribeirão Preto, os dois jovens hoje voltam-se para os estudos. Eles confessam que estão preferindo evitar se envolver em outros namoros a distância. Arthur* quer focar no TCC e já faz planos para rever a namorada em sua cidade natal. Nos últimos dias de férias, Matheus aproveita para conhecer a Europa, mas admite que mantém o Tinder na lista de apps do seu celular.

Relacionamentos por aplicativos

De acordo com pesquisas realizadas por estudiosos da Universidade de Essex, na Inglaterra, e da Universidade de Viena, na Áustria, a internet modifica a natureza do namoro. Em sua pesquisa, eles trazem evidências de que casais que se conhecem online têm menos probabilidade de separação do que aqueles que seguem os caminhos tradicionais, estabelecendo relacionamento mais duradouros e sinceros. Virtualmente, as pessoas aparentam comportar-se de forma mais aberta ao encontrar possíveis parceiros, pois além de terem a segurança de estarem atrás de uma tela de celular, abrem espaço para perfis que provavelmente não fariam parte de seus círculos sociais habituais, dando maior diversidade a essas relações.

Os aplicativos voltados para relacionamentos amorosos se igualam as redes sociais, pois não só auxiliam a iniciar um romance, como aumentam o círculo de amizades do usuário. Apesar de terem foco em namoros, nem todas as pessoas que utilizam esses aplicativos estão em busca de um relacionamento sério.

O casal Kezia e João Gabriel

A paulista Kézia Castro (21), estudante de Psicologia, encontrou o namorado e uma nova amiga pelo Tinder. Ela baixou o aplicativo em janeiro de 2016, após passar pelo trauma de um relacionamento abusivo. “Todas as minhas amigas ficavam falando para eu baixar o Tinder e começar a sair com outras pessoas”, revela. Seu objetivo inicial não era encontrar um relacionamento sério e sim conhecer pessoas e ter novas experiências. Depois de dar match em diferentes garotos, ela conheceu o engenheiro de automação, João Gabriel Almeida (25), com quem conversou durante um tempo e teve encontros, mas que, devido a fatores que ela desconhece, pararam de conversar. O contato não foi perdido por completo, pois através das redes sociais mantinham breves interações, como curtidas em posts e compartilhamento de músicas. “A gente manteve uma “coleguisse” virtual pelo resto do ano”, complementa.

Apesar de ambos terem se envolvido com outras pessoas no decorrer do tempo, em janeiro de 2017 voltaram a se encontrar de forma constante e foi quando o relacionamento surgiu. “Nós somos parecidos em diversas coisas, como gostar do mesmo tipo de música e estar envolvidos em alguns movimentos sociais. É aí que deu tudo certo, mas não sei explicar direito o porquê de não ter acontecido na primeira vez; mas estamos há um ano juntos agora”.  

No Tinder ela conheceu várias pessoas e construiu uma amizade com  elas, mas a parcela de pessoas “legais” foi bem pequena. “Nesse aplicativo eu achei muito embuste (termo da internet para pessoas que são ruins), além do João, eu encontrei uma amiga, que é amiga mesmo, e foram as melhores pessoas que eu achei lá. Então, agradeço muito ao Tinder por ter eles na minha vida. Gosto de falar sobre isso porque às vezes as pessoas não acham que esse tipo de app irá proporcionar algo bom”, finaliza.

Nathália e o namorado Vinícius

A matogrossense, estudante de Direito, Nathalia Viana (19), também encontrou o atual namorado através do Tinder. Seu ingresso no aplicativo aconteceu em 2017 impulsionado pelo cansaço provocado pelos estudos para o ENEM. Por um tempo, manteve encontros com algumas pessoas, que não resultaram em nada, até conhecer o estudante de Ciências Contábeis Vinicius Pimentel (18), com quem passou a sair direto após o primeiro encontro e com quem namora oficialmente há seis meses. Assim como Kezia, ela não tinha pretensão de namorar com alguém que conhecesse pelo aplicativo. “Eu só queria conhecer pessoas novas e conversar, mas tinha muita gente chata que só pensava em ter relações sexuais. No Tinder é difícil  encontrar pessoas legais, mas eu tive sorte”, conclui.

Além da forma como iniciaram seus namoros, outro ponto comum entre as duas é o fato de que ambas são amigas virtuais há mais de cinco anos e se conheceram através do aplicativo WhatsApp.

Amizades virtuais

Como já mencionado, a internet é uma poderosa ferramenta de aproximação de pessoas que, sem sua ajuda, jamais chegariam a se conhecer. Os sites de relacionamentos e redes sociais contribuem para o surgimento de amizades duradouras e segundo cientistas da Universidade Flinders, na Austrália, as amizades virtuais podem fazer tão bem à saúde do indivíduo quanto as “reais”.

O interesse em comum pelo cantor canadense Justin Bieber foi o que uniu Inair Marcelino (19), Ingrid Papalia (19) e Thayná Amanda (19). A primeira é carioca e estudante de Técnico em Enfermagem, em seguida temos a paulista que atualmente mora no Paraguai para estudar Medicina, e por fim uma paraibana estudante de nutrição. As três, juntamente a Kezia, Nathalia e outras 10 pessoas, integraram um grupo de WhatsApp dedicado ao cantor em maio de 2012. Na época, nem pensavam na possibilidade que dali fosse surgir uma amizade forte e que permanece até os dias atuais. Desta forma, cada uma explica a importância desse relacionamento e de amizades virtuais na vida delas.

“A minha experiência de ter amigos virtuais é maravilhosa e é como ter amigos reais, às vezes alguns se afastam, mas a vida continua. Outro lado bom desse tipo de amizade é o fato de que as pessoas estão sempre olhando o celular, então é muito mais fácil de se comunicar e, por exemplo, ajudar em um momento em que o outro esteja precisando. É chato em partes porque você não pode sair com a pessoa, abraçar, etc., mas também é muito mais fácil de se abrir e contar as coisas que estão acontecendo na nossa vida.” – Inair

“Eu gosto de ter amigos virtuais com quem eu sei que posso contar para tudo, mesmo não estando aqui fisicamente é como se fosse uma família para mim. É onde compartilhamos nossas diferenças, nossos sonhos e segredos. Eu tinha amizades que não eram virtuais e não duraram um ano, agora veja o grupo, há quanto tempo nos conhecemos e mesmo assim continuamos juntas. Eu ainda espero conhecer cada um de lá pessoalmente.” – Ingrid

“Dá certo e não é por não nos vermos todos os dias ou nunca ter se visto, e sim porque a gente se abre um para o outro sem vergonha sobre qualquer coisa, nos identificamos abertamente, nos ajudamos e encontramos palavras de conforto. Amizade virtual é um ato de coragem. Algumas pessoas podem achar que não, mas dá pra conhecer direito e com detalhes apenas por contato virtual, podemos criar laços fortes. Amizades assim são fundamentais para todos os momentos, desde os piores aos melhores, e é impressionante o amor e a força que passa para a gente, mesmo com uma distância tão grande”. – Thayná

Com as mudanças provenientes das novas tecnologias, essa forma de se relacionar por apps é um caminho que apenas crescerá com o tempo até que alguma outra tecnologia desbanque-os.

Relacionamentos Abertos

Leonardo *, de 18 anos, conheceu o Alex* no Tinder. Os dois estão juntos há quase quatro meses. Nesse meio tempo, ele chegou a sair com outras duas pessoas. Beatriz* é capixaba e seu namorado mora em São Paulo há mais de um ano. Eles se vêem a cada dois meses e também estão em um relacionamento aberto.

Como já vimos, relacionamentos a distância, aplicativos de namoro e, até, de pegação, são algumas das tendências que vêm se tornando cada vez mais comuns. Entretanto, nem todo mundo vê futuro em relações abertas como essas. “Quando você se importa com alguém e quer ter um relacionamento com essa pessoa, por que procurar outras? Ela não é suficiente? É uma espécie de vazio emocional. Você não consegue se sentir preenchido por uma só pessoa. Então você procurar prazer carnal com outras”, afirmou a estudante Gabriela.

No caso dos relacionamentos abertos, mesmo estando juntos, o casal concorda que ambos podem se relacionar com outras pessoas. Ou seja, mesmo que namorem, a pessoa pode sair e conhecer gente nova. A estudante universitária, Beatriz, já estava namorando quando tomou a iniciativa de conversar com seu parceiro. “A ideia foi minha e a gente foi adaptando com o tempo. Nós pensamos: Por que não? Tudo isso aconteceu antes de ele se mudar para São Paulo. Não teve relação com a distância, teve mais a ver com liberdade. Afinal, se você ama alguém, você pode dar liberdade a ela. É uma espécie de amor mais livre, eu diria”, contou.

De acordo com o psicanalista e professor do Departamento de Comunicação Social da Ufes, Antônio Martinuzzo, esse tipo de relacionamento não é novidade. “Os desejos e as vontades sempre existiram, porém determinados modelos de sociedade sempre reprimiram isso. O que muda, é que vivemos em um clima propício a que se viva os sentimentos, os desejos e as vontades que desde sempre atravessaram a humanidade. Em razão desses fatores, dessas lutas de grupos e por questões políticas e culturais, as pessoas estão podendo viver com um pouco mais de liberdade aquilo que é seu desejo”

Leonardo, 18 anos, estudante

Os relacionamentos abertos podem apresentar características variadas de acordo com cada casal. Por isso, no início da relação é importante cada um definir exatamente o que espera do outro. Dessa forma, evitando futuros conflitos. “A comunicação é importante em qualquer tipo de relacionamento, seja ele aberto ou não. No nosso caso, ela foi mais essencial ainda. A franqueza foi uma das nossas bases. Quando vimos que as coisas estavam ficando sérias, nós conversamos sobre como queríamos que a relação fosse. Também falamos que sempre poderíamos dizer se não gostássemos de algo”, explicou Leonardo* sobre o papel da comunicação no seu namoro.

A definição de “traição” em um relacionamento aberto também pode variar entre  casais. “A gente considera como traição não contar para o outro sobre quem a gente fica e ter relações sexuais. Nós consideramos sexo como algo muito íntimo, que preferimos manter só entre os dois. Mas de resto é tranquilo, eu acho que qualquer relacionamento tem regras e limites. Um relacionamento aberto é como outro qualquer” relatou Beatriz*.

Apesar de todos os julgamentos, os relacionamentos abertos fazem parte de uma realidade que vem crescendo cada vez mais. E, de acordo, com Beatriz e Leonardo, nenhum dos dois tem planos para “fechar” o namoro.

Poliamor

Namorar uma pessoa sem ter a certeza de se um dia irá vê-la pessoalmente não entra na cabeça de muita gente. Dar liberdade para que essa pessoa tenha alguns “casos” muito menos Mas o que pode ser mais difícil para algumas pessoas entenderem é como um casal pode ser formado por três, quatro, cinco e até mais pessoas.

Fonte: Facebook/Internet

Essa costuma ser uma das primeiras imagens que vêm à mente de quem pelo menos já ouviu falar em poliamor. Se a definição dessa prática costuma ser motivo de divergências, você verá que a pluralidade é algo que permeia bastante essa realidade. Uma vez que cada casal poliamorista define suas regras e assume seu próprio formato, ele se torna “único”. Essa diversidade de formatos torna complicado para que pesquisadores encontrem uma definição que englobe todas as relações que se identifiquem com a filosofia.

Segundo o site lovemore.com (2011), o poliamor seria o amor romântico manifestado de forma ética e honesta, com mais de uma pessoa, e com o pleno consentimento de todos os envolvidos. No entanto, um dos pontos de origem deste formato está na crítica aos ideais do amor romântico. Os poliamoristas discordam da ideia pregada de que só é possível amar uma pessoa e que, teoricamente, esse amor deva ser para o resto da vida.

Diferentemente do que muita pessoas costumam supor, os poliamoristas não procuram a filosofia em busca de terem variadas relações sexuais. O poliamor se pauta pela busca afetiva. A prática nada se relaciona com a promiscuidade. Os adeptos reiteram que o foco não está no sexo.

Ao destrinchar essa definição podemos encontrar diversos aspectos que sustentam uma relação baseada no poliamor. Um deles é o valor dado ao consentimento e à honestidade. No começo de tudo, todas as partes precisam estar de acordo com pontos que irão ditar a relação, o que pode evitar futuras brigas. O antropólogo e atual doutorando na UFG, Matheus França, desenvolveu uma pesquisa com um grupo de poliamoristas de Brasília-DF. Para ele, os poliamoristas costumam dar bastante valor às regras que permeiam o funcionamento dessas relações. “Durante a minha pesquisa de mestrado, eu pude entrar em contato com diversos casais poliamorosos. Um deles foi uma jovem que tinha dois namorados. Eles decidiram que ela dormiria com o parceiro mais antigo durante a semana, e com o outro, aos fins de semana. Os três se davam muito bem, os rapazes não se relacionavam, mas eram muito amigos”, narrou.

“Há dificuldades e ciúmes como em qualquer outro relacionamento, seja ele monogâmico, aberto ou amor livre, por exemplo” 

O que antropólogo notou ao participar de encontros de poliamoristas é que o ciúme costuma ser um dos pontos de maior debate dos casais. Diferentemente do que muitos possam imaginar, eles não negam o sentimento. Aqueles que se identificam com a filosofia admitem buscar a compersão, uma ideia que se opõe ao ciúme, ela prega o contentamento em saber que alguém que você ama é amado por um outro. “Não tem muito segredo de como eles lidam com ciúmes: eles sentam e conversam. Eles falavam constantemente sobre o papel do diálogo, de sempre falar quando não gostavam de algo. Isso é 80% do caminho para o relacionamento dar certo”, contou.

O que levou essas pessoas a aderirem a prática do poliamor? Matheus França explicou que os motivos eram vários. Alguns estavam decepcionados com a monogamia, uns desejavam uma relação mais livre e outros tinham vivido relacionamentos que sofreram com a infidelidade. “Mesmo em um relacionamento ótimo, muitos ainda sentiam vontade de transar ou se apaixonar por outra pessoa. Houve pessoas que, mesmo namorando, apaixonaram-se por outras, mas notaram que o sentimento pela primeira não havia mudado. Mas no geral as três razões que levavam as pessoas a procurar, ou pelo menos, conhecer o poliamor eram o desencantamento com o amor romântico, a traição ou o ciúme”, apontou.

“Não dá para olhar o poliamor com as lentes da monogamia” 

De acordo com o antropólogo, um dos maiores estigmas sobre o poliamor está na dúvida que muitos monogâmicos costumam ter: você não acaba gostando mais de um que de outro? Matheus França explica que essa noção advém da nossa cultura ocidental baseada no amor romântico. “Para monogamia, quando você ama uma nova pessoa, você acaba deixando de amar outra. Já os poliamoristas acreditam que não é possível amar mais um ou outro. É possível ter mais intimidade com um, às vezes uma das partes do casal está junto há mais tempo, mas isso não significa que o amor é menor ou maior. Não dá para ficar mensurando”, afirmou.

“O poliamor é uma outra forma de ver o mundo e de desconstrução do amor romântico”

 

Quais são os aplicativos de relacionamento mais conhecidos atualmente?

  • Tinder

Esse é o aplicativo mais utilizado e melhor avaliado do momento. Com mais de 20 bilhões de matches até hoje, o Tinder é o app mais popular desse segmento. Além disso, é um aplicativo de relacionamento livre (para todos os gêneros e interesses).

Você pode olhar e stalkear à vontade (pessoas próximas ou distantes) e só dar o like quando se interessar.  O aplicativo não permite que a pessoa veja o seu interesse, a menos que ela dê like em você também (aí acontece o chamado: match), abrindo então um chat privado para que possam conversar e se conhecer melhor.

Mas se você é daquela pessoas que não têm medo de mostrar a cara e gosta de algo mais rápido, o Tinder oferece também a opção “Super Like”, em que não é necessário aguardar o match. A pessoa é diretamente notificada do seu interesse, decidindo então se quer ou não entrar no chat privado com você.

 

 

 

 

 

 

  • Badoo

Com mais de 340 milhões de usuários ativos em todo mundo, o Badoo oferece uma plataforma extensa, com novidades constantes, atualizações periódicas e diversas opções disponíveis. Além disso, o aplicativo permite mensagens de todos, diferente do Tinder.

Em relação a interação do usuário, ambos oferecem a opção de chat privado, sendo que o Badoo permite mensagens de todos, enquanto o Tinder só abre a função quando há interesse das duas partes. Aí fica a cargo do usuário delimitar se isso é uma vantagem ou desvantagem durante o uso. Além disso, o Badoo também é um aplicativo de relacionamento livre (para todos os gêneros e interesses).

 

 

 

 

 

  • Bumble

O aplicativo de relacionamentos Bumble traz uma proposta que vai além de namoro e encontros. Com uma interface otimizada e opções diversas, este aplicativo é o que chamamos de tudo em um. Pode servir como um aplicativo de paquera, apps de amizades e também como networking.

  • Once

Once é um aplicativo de relacionamento para encontros “mais específicos”, com pessoas que estão em busca de um relacionamentos sério. Seu diferencial se explica já no nome “once”, que quer dizer “uma vez”. É o primeiro aplicativo deste gênero criado com intenções diferenciadas, para que você encontre alguém o mais próximo possível dos seus interesses.

  • Happn

Possui diversos usuários ativos e está entre as opções mais procuradas para este gênero de aplicativo.

Tendo como principal ferramenta o monitoramento de usuários integrados à plataforma (de forma anônima), o Happn envia notificações sempre que você cruzar com alguém pela rua, permitindo então o like (também em modo anônimo).

Assim como os apps anteriores, o Happn também oferecer alguns filtros de preferência, para que você possa optar por alguns interesses específicos e delimitar que tipo de pessoa você gostaria de conhecer.

 

 

 

 

 

 

  • Kickoff

O Kickoff é um diferencial entre todos os aplicativos de relacionamento listados até agora. Sua principal finalidade é fazer com que você conheça novas pessoas através dos seus amigos. Pessoas solteiras das quais eles conhecem.

  • POF (PlentyOfFish)

Diferente das opções anteriores, o aplicativo de encontros POF oferece uma maneira inovadora e mais simples de encontrar novas pessoas. Sua ferramenta principal são os questionários, utilizando o bom e velho método de compatibilidade entre usuários.

Baseando-se em um cadastro de 15 etapas, com diversas perguntas, o aplicativo lança uma lista de pessoas com respostas semelhantes às suas, permitindo então, que você escolha e convide para um chat privado.  

Se você estiver com um pouco mais de pressa em conhecer alguém, o app disponibiliza o recurso “Vamos sair?”, onde os usuários podem analisar outros contatos com intenções parecidas, para então “pular algumas etapas” e partir direto para o encontro.

 

 

 

 

 

 

  • Grindr

O aplicativo de relacionamento Grindr é voltado especialmente para o público gay e bissexual masculino. Com uma plataforma repleta de opções e diversas categorias de busca, ele permite que você encontre a pessoa certa, sem medo, sem receios e principalmente, livre de preconceitos.

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