Nosso fake news de cada dia

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Como o mundo moderno alterou a confiabilidade
e reprodução da verdade.

Por Robson Silva

Fofoca, conversa mal contada, informação manipulada e por aí vai. É assim que é popularmente conhecido o Fake News. Em sua tradução literal, notícias falsas, que costumeiramente são aplicadas ao nosso cotidiano. É fato que, com os inúmeros avanços e inovações tecnológicas, a propagação dessas notícias de teor falso tem avançado de maneira amedrontador, sendo capaz de amplificar crises ou até de criá-las.

Diariamente, grupos de família são bombardeadas com informações de fontes não confiáveis.

É inegável que todos já foram destinatários de notícias falsas. Ao abrir o WhatsApp ou Facebook, entrar em grupos de amigos ou de comunidades, quem nunca recebeu uma notícia, com manchetes normalmente assustadoras, e, antes mesmo de checar, repassou para outros grupos, viralizando assim algo que pode ou não ter autenticidade? Isso é o chamado Fake News, que, segundo a pesquisa do MIT, publicada pela revista Science, tem 70% mais chance de viralizar do que uma notícia verdadeira. Os fatores que motivam esse alto número de reproduções são diversos, variando desde a complexidade do mundo moderno, em que muitas vezes os leitores acabam por somente ler manchetes e tomá-las como verdade em função do corrido tempo, ou até mesmo pela confiança exacerbada em sites de renome.

“Eu tenho hábito de associar a veracidade da notícia ao veículo que a reproduz, porque há um critério de confiabilidade, existe toda uma segurança que foi atribuída.”

Kelvim Silva, estudante de Publicidade da UFES

Para o estudante de Gastronomia da Universidade de Vila Velha (UVV) Felipe Martins, de 22 anos, o leitor tem sempre de verificar a autenticidade de sua fonte, entretanto, a sociedade moderna às vezes tornam esses fluxos inviáveis. “Hoje não se tem tanto contato com o jornal como antes. A internet deu a ferramenta para qualquer um produzir conteúdo. Se é de qualidade ou confiável, aí já entramos em outro quesito, mas é fato que a web acentuou isso. E hoje com a falta de tempo, com rotinas pesadas, as pessoas muitas vezes lêem apenas os títulos e tomam aquilo como verdade e, consequentemente, propagam’’, afirmou.

Já Kelvim Silva, estudante de Publicidade da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), entende que pelo fato de o jornalismo, por várias vezes, cometer esse erro, o leitor, acaba por reproduzi-lo. “Eu tenho hábito de associar a veracidade da notícia ao veículo que a reproduz, porque há um critério de confiabilidade, existe toda uma segurança que foi atribuída. Mas quando essas mesmas fontes acabam por nos entregar notícias falsas, é algo que foge ao controle do leitor, e a consequência disso é grande, pois a reprodução é um fluxo contínuo e sem volta’’, analisou.

Grandes veículos adotaram campanhas de incentivo a checagem de informações.

A amplitude desse fluxo é indimensionável, pois é capaz de aumentar crises ou até mesmo criá-las. As exemplificações disso não se encontram tão distantes. A greve deflagrada pela Polícia Militar do Espírito Santo, em fevereiro de 2017, sofreu com constantes divulgações de notícias de teor falso, contendo desde imprecisões sobre as negociações e exigências feitas pelos grevistas, até mesmo informações que amedrontavam a população em suas rotinas. Notícias como a escassez de alimentos nos mercados, possíveis assassinatos e até mesmo informações de supostas zonas de atuação de bandidos levaram a população do Espírito Santo a um cenário de terror e aflição, com muitos ficando trancafiados durante todo esse período em suas casas. Fato é que, a grande maioria dessas notícias não possuíam fundamentos ou eram negadas posteriormente pelos envolvidos.

Os próprios veículos de comunicação tiveram e têm de lidar com as Fake News diariamente. Até por isso, existe todo um cuidado com a apuração de pautas e informações colhidas, sendo tratadas de maneira primordial pelas redações.Mesmo com esse zelo, os jornais ainda assim ressaltam aos leitores a importância de terem um auto-compromisso na checagem, de modo que não tomem como verdade absoluta o que foi dito ou lido.

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