Memes: no jornalismo também tem

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A recente migração do jornalismo para a internet provoca cada vez mais o uso de memes nas redes sociais dessas instituições, alcançando assim, um público gradativamente maior

Por Marcela Delatorre Lovatti

cavalo na janela
Exemplo da frase usada pelo presidente Michel Temer que virou meme

Atualmente, com a crescente utilização das redes sociais e dos dispositivos móveis, a repercussão dos acontecimentos na internet acabou tornando-se um valor-notícia – conceito que os jornalistas utilizam para identificar uma notícia – e passou a chegar muito mais rápido às mãos de todos.

meme

Os dois exemplos acima, envolvendo o presidente Temer e a atriz Marina Ruy Barbosa, mostram como alguns fatos que repercutem virtualmente acabam ganhando destaque nos portais de notícia e, consequentemente, viralizam tornando-se memes.

No Espírito Santo, o programa Em Movimento é um dos que mais utilizam memes em todas as suas redes sociais (Facebook, Twitter, Instagram). Além de citações que tornaram-se virais em determinadas épocas, fazem uso também de gifs e imagens conhecidas. No plano nacional, o perfil no Twitter da Revista Globo Rural é o que melhor representa o uso de memes nas notícias e informações pelas quais é responsável.

O que pode explicar o motivo dessa adoção na utilização de memes pelos portais de notícia é o fato de estar sendo cada vez mais necessária a atualização constante de conteúdos para atrair um público que está sempre em movimento.

Segundo Fabio Goveia, professor da Universidade Federal do Espírito Santo e um dos responsáveis pelo Laboratório de Estudos sobre Imagem e Cibercultura (Labic), o uso de meme busca alcançar uma geração mais nova – até os trinta e poucos anos -, pois este é o público que compreende a dinâmica memética com mais facilidade.

“Todo mundo que está, hoje, trabalhando com comunicação, não tem como ficar fora das redes sociais. E estar nas redes sociais é fazer parte desse universo que tem o meme como uma das grandes ferramentas”

Fábio Goveia, professor da Ufes

Ainda de acordo com Goveia, essa nova ferramenta está crescendo cada vez mais e, por isso, precisa ser analisada como igual. “É uma nova ferramenta de comunicação que tem que ser observada como tal, com seriedade e critério. E demanda pesquisas também. Demanda que os pesquisadores observem isso sem preconceito”, completa.

Redes sociais e conteúdos jornalísticos

Quando o jornalismo começou a migrar para a internet, especialistas instauraram uma discussão para debater a necessidade de mudar a forma como o jornalismo tradicional é feito.

Hoje em dia, está cada vez mais comum a utilização das redes sociais como o Facebook, o Twitter e até mesmo o Instagram para que sejam compartilhadas notícias ou transmitidas coberturas de manifestações e partidas esportivas.

Além disso, a mutação pela qual o jornalismo está passando não envolve apenas na forma como as notícias são apresentadas. Outra característica importante do jornalismo tradicional que acaba sendo afetada é a forma como a notícia é produzida. Devido ao fácil acesso que a internet promove e ao grande número de notícias a que estamos expostos, o processo de seleção para o que será publicado acaba ficando menos rígido e, assim, há um número maior de notícias consideradas banais ou de entretenimento.

Outra característica marcante dos programas jornalísticos pelas redes sociais é a forma como a linguagem utilizada. A escrita costuma ser feita de uma maneira engraçada, amigável e, até mesmo, utilizando emojis (aquelas carinhas que representam emoções). Essa tentativa de conversar com o público e trazer notícias de uma forma diferente é feita para chamar a atenção dos seguidores e, quem sabe, conquistar até mesmo aqueles que não costumam ter tanto interesse pelos portais de notícia.giphy

Além de uma linguagem mais amigável e informal, é comum o uso de gírias atuais, como é exemplificado na foto abaixo, quando lemos “(ou pistola)” na legenda do post feito pelo Instagram da Folha de São Paulo.

Instagram da Folha de São Paulo

Para Fabio Goveia, os meios de comunicação se transformaram e estão funcionando de uma forma mais complexa. “As redes sociais, ao meu ver, são mídias e se são mídias devem seguir as regulações existentes. Estamos vivenciando um limbo. A mídia tradicional tem uma regulação pesada e a nova mídia vem sem nenhuma regulação. E essa regulação é necessária para saber até onde ela pode ir e até onde ela não pode ir”, Fábio Goveia.

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