Jornalismo participativo: o leitor como elemento ativo na produção jornalística

Share Button

Foto: reprodução GoogleFoto: reprodução google

Por Giulia Reis

A crescente participação ativa do público levanta questões sobre o papel de atuação dos profissionais na comunicação

Atualmente o “jornalismo com alguém” em vez de “para alguém” tem se tornado comum. Seja através de comentários em sites de notícia ou até mesmo por aplicativos de mensagens, os cidadãos estão, cada vez mais, adotando formas alternativas de coletar e disseminar informações. Em pesquisa realizada pelo Universo Ufes nas redes sociais observa-se que cerca de 50% dos entrevistados já contribuíram para o noticiário de sua região.

O jornalismo participativo ou colaborativo, como também é conhecido, promove uma abertura entre a mídia e os cidadãos para que estes possam participar de uma atividade que antes era do domínio exclusivo de repórteres profissionais. Segundo a jornalista da L4 Comunicação, Luciane Ventura, “os meios de comunicação estão cada vez mais abertos à colaboração do público e não sobrevivem mais sem ela” afirma.

Formas de interação pública no fazer jornalístico

As novas mídias têm alterado a relação entre o receptor e o emissor da notícia. As formas de interação com o público aumentaram em grande escala, principalmente com o crescimento da internet.

O surgimento das redes sociais, blogs e aplicativos de mensagens têm facilitado a prática desse jornalismo fazendo com que fique mais “vivo”.

Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD), mais recente, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) a quase totalidade (92,4%) dos 116,1 milhões de habitantes do país que acessaram a internet em 2016 utilizavam aplicativos de troca de mensagens para se comunicar, com exceção do e-mail. Na pesquisa que realizamos, cerca de 70% dos entrevistados afirmam utilizar o Whatsapp como principal plataforma para contribuir com o noticiário.  

Grande parte dos entrevistados justifica o uso do aplicativo de mensagem via celular pela praticidade da ferramenta. É o que aponta, Antônio Fernandes, 16 anos, que noticiou para um jornal da região a ocorrência de uma manifestação promovida por moradores do bairro onde mora em Cariacica. “Eu peguei meu celular, tirei as fotos da manifestação e mandei para o Jornal da minha região através do Whatsapp. De uma forma rápida eu dei voz ao problema da minha comunidade”, relata o jovem.

Além dos aplicativos de mensagens alguns sites de notícia disponibilizam ferramentas que permitem ao usuário uma participação que interfere de forma direta no conteúdo exposto. Para a estudante de Nutrição, Jacyrlene Santos, essa agilidade permite que o cidadão não só contribua como também fiscalize o trabalho do profissional da comunicação.

“Eu não só recebo a notícia agora eu participo da sua produção” (Jacyrlene Santos)

Muitos desses sites são vinculados a canais televisivos de comunicação que os utilizam para interagir com o público durante sua transmissão, através de comentários feitos em tempo real pelos próprios telespectadores. “Poder exercer participação direta é muito importante porque dessa maneira eu consigo interagir com o assunto tratado expondo a minha opinião”, relata a estudante de Nutrição.

Outra ferramenta que o público utiliza para buscar e divulgar um fato são os blogs, que ainda desperta a atenção dos internautas por sua informalidade. A comerciante Michelly Britis relata que costuma buscar informações, interagir com comentários e publicar notícias através desse dispositivo.  “O livre fluxo de informações me chama atenção, sempre encontro atualizações e conteúdo novo nessa plataforma” conta.

Conteúdo colaborativo x profissional da comunicação

A interação do público obriga o jornalista a mergulhar nas mídias sociais em busca de conteúdo relevante para transformar em notícia. O papel do repórter dentro do jornalismo colaborativo, segundo a jornalista Luciane Ventura, é verificar as informações do cidadão comum, que não tem acesso aos órgãos competentes para determinada situação.

Cabe destacar que a contribuição ativa do público também triplica a responsabilidade do profissional sobre o que leva ao ar ou pública. “Se ele mentir, copiar, ou exagerar, é criticado abertamente nas matérias nos “comentários” da própria reportagem. A tolerância hoje para o erro de informação é zero”, explica Ventura.

Verdade, imediatismo, análise dos fatos e a qualidade do que é inédito são pontos necessários para cativar o público. Mesmo com o crescimento dos conteúdos colaborativos a profissional da comunicação acredita que o jornalismo tradicional se mantém firme. Para ela o jornalismo profissional se diferencia exatamente pela apuração, contexto, pesquisa, análise e as várias versões para um acontecimento. “A pessoa que não tem formação técnica não atenta para tantos detalhes”, expõe.  

Com a participação pública o processo jornalístico ganha novas feições e novos parceiros para narrar as realidades do mundo.  Coletar dados, fotografar acontecimentos e relatar fatos são habilidades que não estão mais apenas sob o domínio dos profissionais da comunicação.

 

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *