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“É um espaço fundamental para que a gente crie mais ativistas que assumam para si a luta pela democratização da comunicação”. Assim foi definida por Renata Mielli a XI Conferência Brasileira de Mídia Cidadã.

Por Brenda Patrício, Elisa Tavares e Laiza Nicodemos

O terceiro e último dia da Conferência começou nesta quarta (19/10) com um painel sobre a função e os impactos da mídia na construção do pensamento da sociedade em relação ao direitos humanos.  A mesa foi composta pela jornalista Suzana Varjão coordenadora da Andi, pela também jornalista e coordenadora do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), Renata Mielli, e pelo presidente do Comitê Estadual de Prevenção à Tortura, Gilmar Ferreira. O painel foi mediado pela coordenadora do Programa de Políticas Sociais do curso de Serviço Social da Ufes, Vanda Valadão.

A mídia viola cotidianamente os direitos humanos ao tornar invisíveis as agendas cultural, social e política, pois quando não há interesse político em divulgar, o direito da sociedade em se informar é ignorado.”A sociedade se depara com violações de maneira passiva, [para mudar a situação] é necessário ampliar a discussão, levar para fora da academia. A atividade de comunicação tem caráter fundamental na sociedade e na construção de direitos”, destacou Renata Mielli.

Os programas policialescos ferem diversos direitos humanos, fogem do foco jornalístico e apresentam elementos do entretenimento. A campanha Mídia sem violações de direitos!, da Andi, encontrou 4500 violações de direitos humanos nessa modalidade de programa em apenas um mês. É o tipo de narrativa que – segundo Gilmar Ferreira, acontece pelo menos desde os anos 90, porém migrou em peso para a TV nos últimos anos – legitima a violência policial, os linchamentos, a condenação antes mesmo que a justiça condene.

Suzana Varjão afirmou que um dos motivos de grande parte dos brasileiros ser a favor da redução da maioridade penal, por exemplo se deve ao fato de a mídia não estar exercendo sua função com responsabilidade, “os jornalistas estão sendo omissos, esses mecanismos estão funcionando como assessoria de imprensa do discurso da criminalidade organizada. [As pessoas pensam que] se a imprensa diz eu acredito, a imprensa tem a imagem de responsabilidade e credibilidade”. Credibilidade essa que tem sido abalado por conta desse tipo de posicionamento.

A urgência da democratização da comunicação foi bastante debatida pelos participantes, visto que para haver democracia de fato é necessário que exista uma comunicação democrática, que cumpra com seu dever de prestar um serviço à sociedade e não aos donos dos meios de comunicação.

 

 

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