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Em junho de 2016 as Pró Reitorias de Gestão de Pessoas (PROGEP) e de Planejamento (PROPLAN) lançaram o Edital 001/2016 relativo à 206 (duzentas e seis) vagas de estágio superior não obrigatório na Ufes. De acordo com o cronograma, o processo de seleção e contratação dos novos estagiários seria finalizado no último dia de junho para que os estagiários iniciassem suas atividades já no primeiro dia do mês seguinte.

Essa medida é fruto de uma decisão do Conselho Universitário (CUn) da Ufes, ocorrida no primeiro semestre de 2016, de recategorizar de todas as bolsas concedidas pela universidade, visto que a mesma não tinha uma organização central com essa finalidade. Dessa forma algumas irregularidades eram passíveis de acontecer, como por exemplo, um mesmo estudante receber mais de uma bolsa, enquanto outros não recebem nenhuma.

A estudante de Comunicação Social – Jornalismo da Ufes, Stefhani Paiva, sofreu com essa recategorização, perdendo sua bolsa. A poucos dias do encerramento de suas atividades na Superintendëncia de Cultura de Comunicação (Supecc), Stefhani não sabia ainda do impacto que essa recategorização teria, e que quando ficou sabendo, não imaginou que tivesse o impacto que teve.

Stefhani soube da notícia através de uma amiga, e mais tarde no mesmo dia, pesquisou sobre o assunto. “Mostrei a nota pra minha chefe e perguntei a ela como que essa mudança atingiria o nosso setor.. Ela disse que não sabia de nada e que ia procurar saber”, conta a estudante. Esse episódio ocorreu cerca de duas semanas antes da data do seu desligamento.

A estudante era bolsista da Superintendência de Cultura e Comunicação (Supecc) da Ufes desde agosto de 2015, terminando sua experiência no local após um ano. Ela se inscreveu no processo seletivo e passou em primeiro lugar na classificação pelo Coeficiente de Rendimento (CR), porém não pôde assumir o cargo de estagiária por ser finalista de graduação. Stefhani conta que outro colega que trabalhava no mesmo setor, também como bolsista, abandonou o serviço. Ele ficou muito indignado com a falta de consideração dos funcionários, que não nos avisaram previamente. Dos 4 bolsistas da assessoria, apenas 1 continuou lá, relata Stefhani.

Núcleo de Cidadania Digital

O Núcleo de Cidadania Digital (NCD), segundo maior programa de extensão da Ufes em número de bolsistas (31 no total) também sofreu impacto com essa recategorização, que transformou as bolsas de extensão em bolsas estágio. O estudante de Engenharia da Computação Hudson Lupes Ribeiro, membro do NCD desde o início de 2014 e representante discente no Conselho Universitário (CUn), acompanhou de perto todo o desenvolvimento e a implementação da recategorização das bolsas da universidade.

De forma mais autônoma, o NCD já tinha o seu modelo de seleção dos seus bolsistas, constituído por 3 fases. “Me chamou a atenção por ser um processo seletivo completamente diferente dos outros que eu já tinha experimentado”, lembra. Hudson ressalta a importância de levar em consideração, principalmente, a vontade de aprender do candidato e caracteriza esse modelo como enriquecedor também para os alunos que estão avaliando, à medida em que se tem a oportunidade de conversar e conhecer mais cada candidato na tentativa de captar sua relação com o que o NCD propõe.

Ele ressalta os últimos meses como críticos na história do NCD. “Até hoje a gente está sofrendo porque estamos passando por um momento de reestruturação e redefinição do NCD, já que perdemos muito conhecimento com as pessoas que saíram”, lembra o estagiário.

Conselho Universitário e comunidade acadêmica

Conselho Universitário não debateu a questão, afirma Hudson. O representante levou o ponto de pauta para debate, mas foi colocado para o fim da reunião, sobrando pouco tempo disponível para discussão entre todos os integrantes da mesa, de acordo com seu relato.

O estudante afirma, ainda, que não houve reflexão e discussão prévia sobre a resolução e edital de estágio (Edital 001/2016) da Ufes e como isso iria impactar os seus programas e projetos. Em uma reunião convocada pelo NCD para discutir as problemáticas do edital, Hudson lembra que algumas pessoas de outros setores participaram e compartilharam as suas problemáticas. “Pra mim, a reação da comunidade acadêmica foi péssima porque entendeu que, mais uma vez não houve um diálogo, uma horizontalidade na definição dessas coisas”, pontua.

Desenvolvimento

Para Josiana Binda, chefe do Departamento de Gestão de Pessoas (DGP) e uma das responsáveis pelo desenvolvimento do Edital 001/2016, a inclusão da modalidade de estágio não-obrigatório garante mais benefícios aos estudantes. “O estágio segue uma Lei específica. E para o aluno, ter um termo de compromisso que ele firmou com a universidade, no mercado de trabalho tem uma aceitação diferente”, diz. Além disso, os estagiários têm direito a redução da carga horária do estágio no período de provas (com comprovação), recesso de final de ano remunerado, auxílio transporte, entre outros.

Sobre o processo de desenvolvimento do Edital, Josiana conta que a universidade delegou uma equipe de servidores que fez pesquisas sobre os processos de seleção de estagiários que são aplicados em várias instituições de todo o país. Assim, tendo uma visão do que é praticado hoje no mercado, identificaram que o critério de seleção mais utilizado é o Coeficiente de Rendimento (CR), única variável em comum entre todos os estudantes da Ufes.

Com relação às dificuldades enfrentadas pelo Edital 001/2016 e pequenas falhas, Josiana destaca que o ineditismo do processo pode ter sido um fator contribuinte. Ela explica que a tendência, daqui pra frente, para minimizar esses pequenos problemas, é que os editais de seleção sejam redigidos pelos próprios centros. Assim, a PROGEP assume um papel intermediário, dando publicidade aos editais e auxiliando na parte operacional da contratação.

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