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Por Alena Moreira e Jerusa Gomes

O primeiro dia de Grupo de Trabalho- GT da XI Conferência Brasileira de Mídia e Cidadania trouxe grande diversidade de temas. Relações entre comunidades quilombolas, questões de gênero, a mulher negra no audiovisual, meio ambiente e a produção do Canal Futura, são alguns deles.

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As apresentações foram de artigos baseados em pesquisas relacionadas à Comunicação e suas implicações na sociedade, e trouxeram a importância de visualizar mídia e suas responsabilidades com a cidadania, os Direitos Humanos, e a compreensão dos mesmos para os comunicadores. Janine Bargas, doutoranda em comunicação pela UFMG afirmou que “é necessário, a partir da academia, construir um espaço de visibilidade para povos que são invisibilizados pela mídia hegemônica” e revelou que trata os quilombolas como interlocutores, pois a relação é de troca, ela crê que não cabe chamá-los de objeto de pesquisa apenas.

A pluralidade dos temas ficou evidente nos relatos de experiência, trabalhos de fotografia, pesquisas em comunidades específicas, produção do Canal Futura, e contribuíram para tornar o GT dinâmico e enriquecedor pela qualidade do seu conteúdo.  Aliciane Gonçalves de Oliveira, doutoranda pela UFMG, revela a importância de pensar que para além de fazer um bom trabalho de pesquisa no campo teórico metodológico é necessário pensar o papel e a importância da contribuição do pesquisador para o campo de pesquisa em que atua.

A Conferência mostrou a necessidade dos comunicadores se alinharem ao público, enquanto profissionais que intervém e influenciam a esfera social. Os trabalhos revelam o papel dos comunicadores como profissionais da ação crítica, reflexiva, preocupados com as questões políticas, sociais e principalmente com as bandeiras de luta das minorias.  No debate Janine Bargas questionou duas colegas que apresentaram trabalhos sobre a questão da mulher negra e de periferia, para que se coloquem em primeira pessoa, pois o protagonismo, segundo ela, precisa ser evidenciado em todos os espaços.

Simone Marques Moura apresentou seu projeto, que objetiva a inclusão e alfabetização de jovens das comunidades de Belo Horizonte por meio de oficinas de fotografia. “A juventude negra e pobre deseja ocupar os centros, acessar os espaços e ter suas demandas atendidas”, e frisou a necessidade de trazer um retorno para as comunidades periféricas empobrecidas, trazer discussões e fazer intervenções.

Após a apresentação dos trabalhos os debates possibilitaram uma troca de experiência, de conceitos, de realidade e nessas as dificuldades são visualizadas, compartilhadas, nesse momento surgem novas ideias de trabalho. “É cada vez mais necessária a busca pelo direito à comunicação como elemento para a conquista da liberdade e da democracia”frisou Simone Marques Moura mestranda em comunicação pela PUC-Minas.

Podemos dizer que todo o Brasil esteve presente neste momento, pois tiveram trabalhos do Norte ao Sul do país. Identificar as características e as especificidades de cada região não ficou difícil. É imensurável a importância de uma Conferência como esta que coloca pesquisadores de regiões tão distintas, com situações específicas, mas que se relacionam para debaterem.

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