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Por Karol Siqueira e Bruna Littig

“A cidadania não são só direitos, mas também deveres, e lutar é um dever do cidadão”, foi assim que a professora de Comunicação da Faculdade Anhembi Cicilia Peruzzo iniciou sua palestra no primeiro painel da XI Conferência Brasileira de Mídia Cidadã, que acontece em Vitória, na Universidade Federal do Espírito Santo.

Para Cicilia, a comunicação faz parte do campo dos direitos humanos. “Todo cidadão tem o direito de se comunicar; a comunicação é também facilitadora em processos de organização e mobilização, de modo a ajudar na realização dos demais direitos. Ou seja, a comunicação é um direito que atua diretamente na cobrança pela realização dos demais direitos”, disse.

Ao lado dos professores Venício Lima e Fernando Paulino, com mediação de Nazareth Pirola, ela fez questão de enfatizar que cidadania é participação.“Mas que tipo de participação? De forma ativa, da pessoa como sujeito”, explica.

Em seguida, para ajudar a entender o conceito de cidadania, ela abordou dois princípios constitucionais: liberdade e igualdade, que são direitos dos cidadãos, e afirma “é preciso lutar para transformar a realidade e fazer com que os próprios direitos sejam reconhecidos”. E a comunicação, de acordo com Cicilia, é uma aliada fundamental da sociedade civil na reivindicação por direitos e no exercício da cidadania ao possibilitar que a sociedade civil seja criadora, produtora e gestores dos processos de comunicação.

Se a comunicação é tão importante e presente na construção da cidadania, a mídia também carrega um papel crucial. “É praticamente inconcebível imaginar uma sociedade sem os meios de comunicação com o potencial que tem, mas ao mesmo tempo, é um cenário de manipulação e equívocos”, pontua.

Segundo Cicilia, isso nos leva a concluir que não cabe apenas criticar as mídias, porque elas prestam serviços no campo da informação e do entretenimento, mas sim tornar a comunicação mais popular, comunitária e alternativa. A internet exerce uma força nesse meio, com os sites, blogs, redes sociais, plataformas digitais, coberturas ao vivo pelo celular, web tv e mídia ativismo.

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Cobertura #universoufes entrevista Cicilia Peruzzo

Por fim, a professora mencionou o chamado tripé, que engloba (1) – o meio de comunicação enquanto bem público, (2) – os profissionais e proprietários dos meios de comunicação responsáveis socialmente e (3) – o público com direitos individuais e coletivos, para dar e receber informações, ideias e opiniões.

Esse conjunto levaria ao direito de conteúdo de qualidade, que estaria acima dos interesses políticos, econômicos e ideológicos. Como assegurar esse direito? “Atualmente, nós temos as leis, mas podemos pensar em auditorias ou audiências públicas. Acho que esse é um dos caminhos mais concretos para enfrentar essa questão”, finaliza. Na América Latina existem 29 defensorias desse tipo, a exemplo dos países Peru (2008), México (2014) e Argentina (2009).

 

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