Share Button

Caroline Ventura, Elisa Tavares e Renata Andrade

O mercado de trabalho brasileiro recebe, em média, mais de 800 mil recém formados no ensino superior por ano, aponta a pesquisa mais recente do Ministério da Educação (MEC). Uma pergunta  que se passa com frequência na cabeça dos recém formados é: Formei. E agora?

A falta de oportunidades na área da construção civil fez com que Priscilla Mucelini, formada em Engenharia Civil, se sentisse desmotivada em relação à profissão escolhida. “A área da construção civil foi afetada pela crise. Em várias cidades capixabas as obras estão paradas. Penso em deixar de trabalhar como engenheira e ajudar meu pai na empresa dele”. Mas ela não descarta dar oportunidades a áreas afins, “ficaria feliz em trabalhar na área de gestão e administração, corte de custos e economia”.

Assim como Priscilla, Geovana Chrystêllo formada em jornalismo há um ano, não trabalha na sua área de formação e vê o mercado escasso para os recém formados, “Em período de crise, as chances reduzem mais ainda. Hoje as empresas exigem jornalistas multifuncionais pagando salários cada vez menores. É difícil pra você, recém formado, chegar numa entrevista de emprego e competir com alguém com anos de experiência que foi demitido pela empresa concorrente”, afirma a jornalista.

Geovana Chrystêllo (Arquivo pessoal)

A preocupação em se colocar rapidamente no mercado de trabalho é um dos pontos que pode desencadear problemas de ansiedade, depressão e estresse. As relações atuais estão se configurando de forma instantânea e superficial, o que faz com que aumente o sentimento de insegurança nas pessoas.

O professor doutor em Psicologia do Desenvolvimento Adriano Pereira Jardim explica: “gostamos de ter um porto seguro. Essa nova configuração do mercado mais volátil, com cada vez menos empregos formais, torna os vínculos de amizade muito importantes, pois o adoecimento psicológico é mais fácil quando não se tem algo concreto em vista, como um emprego nos moldes que estamos acostumados”.

O mercado atual exige um conjunto de habilidades que devem ser aplicadas para qualquer contexto e podem ser potencializados para desenvolver o projeto profissional. O que é demandado é o que já se faz, ou seja, deve-se transformar a ação pessoal no projeto de trabalho.  O jovem deve ter a capacidade de fazer a leitura do mercado de trabalho como um mercado de oportunidades  para ações específicas.

 “Quem opta por emprego temporário ou por vender um serviço, ganha mais ou consegue mais estabilidade, do que aquele que está lá no tipo de emprego de carteira assinada, por incrível que pareça”. Garante Jardim.

"Quem opta por emprego temporário ou por vender um serviço, ganha mais ou consegue mais estabilidade", Professor Dr Adriano Jardim

“Quem opta por emprego temporário ou por vender um serviço, ganha mais ou consegue mais estabilidade”, Professor Dr Adriano Jardim

 

O professor afirma que o mercado está competitivo e para garantir empregabilidade, o nível de especialização deve ser cada vez mais alto. “Parece que há estreitamento para as oportunidades que exigem qualificação maior, mas o que se vê é uma oferta de emprego para vagas qualificadas bastante grande, maior que a oferta de mão de obra”.

Lucas Poltronieri, formado há um mês em Relações Internacionais, faz parte da parcela da população que está formalmente desempregada. Para ele isso não é um problema, “optei por não procurar emprego desde que me formei para poder me preparar mais, seja por meio dos cursos de idioma que faço (francês e alemão) ou de alguma futura pós graduação”.

A falta de empregabilidade e a insatisfação pessoal têm feito com que os formandos busquem outras alternativas para gerar renda. Alguns procuram em seus hobbies a saída. Lucas, que toca em uma banda e restaura instrumentos, tem novas opções de renda. “Se eu pudesse escolher, viveria só de música. É algo que faço com imenso prazer, porque sempre gostei de música e passo horas estudando e me aprofundando em tudo que tange este universo”, conta.

Lucas Poltronieri, à frente, e sua banda Spocks

Lucas Poltronieri, à frente, e sua banda Spocks

 

Já Geovana aproveitou a sua paixão pelos pinceis para deixar o jornalismo de lado e trabalhar como maquiadora, “sempre enxerguei a maquiagem como uma arte e hoje sou muito feliz nesta área de atuação. Amo o que faço, é um prazer quando as clientes ficam satisfeitas com o meu trabalho. Eu não desisti do jornalismo, mas me encontrei na maquiagem e estou sendo muito feliz. Vou viver cada momento sem pressa”.

 Jardim tranquiliza os jovens: “seguir um caminho diferente é normal. É muito difícil não ter nenhuma relação com a sua formação, as trajetórias são cada vez mais individuais e isso é muito bom. Nós nunca paramos de fazer reopções, transformações. Às vezes ficamos com uma visão muito estreita e temos medo de mudar”.

O professor explica que as pessoas não devem comprar a ideia pragmática de que nada do que elas fazem tem valor. O que elas estão fazendo pode ser muito útil e interessar à sociedade. “A gente tem que ter cuidado para não comprar determinados discursos que são disseminados por aí, são despotencializantes”, acrescenta.

 Apesar de ainda não ter encontrado emprego, a jovem engenheira Priscilla se sente feliz com a profissão, pois a escolha foi baseada em suas habilidades e gostos, “desafios lógicos me fascinam desde criança, acredito que esse envolvimento e apreço se originaram por influência do meu pai,desde pequena ele brincava comigo com pegadinhas de lógica e operações matemáticas. Dentro da área de exatas eu escolhi Engenharia Civil, porque é uma área encantadora. Sempre achei incrível o cálculo das forças internas de uma estrutura, e como admitir quantidades e misturas de ferro, cimento e grãos de tal forma que algumas colunas sejam capazes de sustentar todo o peso de uma grande construção”.

Priscilla Mucelini, de branco, no dia de sua colação de grau

Priscilla Mucelini, de branco, no dia de sua colação de grau

 

O professor sustenta que escolhas baseadas no que proporciona felicidade, como as de Priscilla, Geovana e Lucas, são a chave para o sucesso, mesmo que não esteja claro de imediato. “O mundo mudou. O que a gente vê hoje em dia é que você tem uma chance de conseguir empregabilidade maior se você faz aquilo que te dá prazer, porque se você faz o que te dá prazer, você tende a repetir, e quanto mais você repete, melhor se torna”.

 

Procurando emprego?

A internet que tanto diverte os jovens também serve como uma ferramenta para ajudar aqueles que procuram emprego. Sites como vagas.mitula.com.br e linkedin.com contém vagas para trabalhos e estágios em diversas áreas profissionais em todo país. Basta fazer o cadastro ou apenas pesquisar sobre a sua área, que as oportunidades aparecem.

Share Button

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *