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Ariane Barbosa – Todos nós temos tempo e administramos ele ao longo da vida. E quando o tempo do outro se torna sua profissão? Está é a história do relojoeiro Adriano Luiz Barbosa, que veio para o Espírito Santo no ano de 1984 para aprender o ofício com seu tio materno Elias Duarte, na época Adriano tinha apenas 16 anos.

A curiosidade de desmontar, consertar e descobrir os objetos já vinha desde muito pequeno. Adriano conta que tinha muita vontade de saber o que havia dentro da lata de spray – dessas de tinta – que fazia barulho quando era agitada, assim junto com seu irmão do meio foi tentar abrir, conseguiram estourar a lata e na mesma hora se viram cobertos de tinta verde que só deixou limpo o contorno dos óculos de seu irmão. Acrescentou ao final da história que foi uma situação simples, coisa de criança, mas que faz parte de uma trajetória de todas as suas tentativas de descobrimento.

Quando surgiu a oportunidade de vir trabalhar aqui, aceitou a proposta de imediato pois viu no trabalho de relojoeiro um jeito de colocar em prática todo o seu desejo de descobrir as coisas. A cada ano que se passava a realização e o amor pela profissão iam crescendo. Em 2006 foi o ano que decidiu que seguiria sozinho e que abriria seu próprio negócio, pois já havia aprendido bastante durante os vinte e dois anos que trabalhou com seu tio. E no mais, havia ganhado clientes fiéis que o seguiria aonde fosse.

Além dos serviços de relojoeiro, Adriano presta outros tipos de serviços como o de chaveiro e ourives.”Eu fazia outros serviços além desses, mas comecei a não dar conta de tanta coisa, e decidi ficar com aquilo que mais gostava. Para as pessoas mais próximas ainda tento ajudar no conserto de alguns objetos quando posso. Alguns de meus clientes e amigos até me chamam de Professor Pardal”, brinca.

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A paixão pelos relógios não parou apenas nos serviços prestados, Adriano afirma que gosta de colecionar, e que possui vários modelos antigos diferentes, de parede, de mesa, de bolso e de pulso, guarda também vários livros sobre o assunto. “O maior número são os de bolso, possuo em média duzentos deles, de parede tenho quinze e de mesa oito. No caso dos de pulsos não sei muito bem a quantidade, penso que uns quinze ou vinte, na verdade apesar de colecionar, não me importo muito com a quantidade, quando vejo um que gosto e que está com um preço bom, vou e compro”. Perguntado se havia alguma possibilidade de se desfazer de algum deles, disse que quando compra até pensa por quanto pode vender, já que alguns são comprados para conserto, mas que depois não tem coragem de negocia-los.

Nem mesmo as maiores dificuldades o desanimaram, a relojoaria e os outros serviços prestados são bem minuciosos, envolvem peças pequenas a serem tiradas e colocadas em seus devidos lugares e nem mesmo a visão de apenas um olho desanimou Adriano, “faço tudo de coração e apesar de ter apenas uma visão, consigo me virar bem, meu trabalho é o que mais gosto de fazer na vida, então não me deixo levar muito por isso, vou me adaptando a cada situação da maneira que posso”.

A profissão para Adriano está tão atrelada a sua vida pessoal que já nem podem ser vistas separadas. Afirmou que já faz muito tempo que não tem domingos e feriados, e mal se lembra qual foi a última vez que tirou as ultimas férias.”As pessoas sempre me procuram, pois sabem que vou atende-las a qualquer hora”. E pensa que tudo isso é um incomodo para ele? Muito pelo contrário! Disse que apesar de tudo, faz do seu trabalho uma diversão, “penso que apesar da correria em que vivo, sem férias e sem outros recursos que teria se tivesse um emprego diferente, não troco isso por nada, me sinto muito bem em meio ao meu “tempo”, faço do tempo todo o meu tempo, se um dia parar de exercer o que amo, talvez fique doente”.

 

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