“Ao invés de proibir eles deviam criar uma alternativa que seja boa pra todo mundo”

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Bianca Vailant, Brígida Valadares, Geraldo Júnior Carroceiros de Vila Velha criticam lei municipal de Vitória e contam sobre o dia a dia da profissão.

Desde dezembro do ano passado, o município de Vitória proibiu a circulação de veículos de tração animal no território da capital. A Lei 8768/14, que proíbe a atividade de carroceiros na cidade, foi sancionada em 19 de dezembro de 2015 e deixou muitas perguntas sem respostas. Como vivem esses profissionais? O que eles acham da lei? Quais os riscos e vantagens da profissão?

Nossa equipe foi ao Município de Vila Velha, onde a atividade ainda é permitida, e conversou com dois carroceiros que atuam na região da Barra do Jucu. Eles contaram sobre a rotina da profissão, que não tem dia e horários certos; os cuidados com o animal, desde veterinários à alimentação; e o que acham da profissão que garante o sustento da família.

Ivan dos Santos de Andrade, 42 anos, é carroceiro há mais de 12 anos. Ele é casado, tem 10 filhos e ensino fundamental completo. Para ele a profissão é arriscada em função das dificuldades do trânsito, mas considera vantajoso o fato de ser trabalhador autônomo. Ele trabalha em média 6h por dia, de segunda a sábado. Ivan contou pra gente os cuidados que tem com o animal, que é parceiro de profissão. “Tem que estar com seu animal ferrado e em boas condições, sem machucados, porque ele é a fonte da nossa sobrevivência”, comentou.

Sobre a lei de proibição no Município de Vitória, Ivan considerou injusta.

“[A Lei] não pensa no trabalhador, de quem depende disso […] Ao invés [de proibir] deviam criar uma alternativa que seja boa pra todo mundo, como por exemplo, a colaboração dos carroceiros nas coletas de lixo e entulho”.

Jenilson dos Santos, 36 anos, trabalha com carroça há quase 12 anos. Ele estudou até a quarta série do ensino fundamental, é casado, e tem 3 filhos. Jenilson veio de Vitória da Conquista (BA) para morar em Vila Velha há 14 anos. Quando chegou ao Estado atuou como pedreiro, mas depois fabricou uma carroça para trabalhar por conta própria. Ele também contou que toma todos os cuidados com o animal e já trabalhou como auxiliar de veterinário na Bahia, o que ajuda quanto aos cuidados com a saúde do animal. “Trabalhei em veterinário durante 10 anos, então eu sei fazer muita coisa. Sei aplicar soro na veia, sei fazer tudo o que tiver que fazer. Eu ferro, eu queimo travagem. Aprendi tudo com a veterinária que eu trabalhei, então se ele adoecer eu já sei o que ele tem”, cometou. Jenilson também é contrário à lei de Vitória e espera que essa determinação não chegue à Vila Velha.

“Acho que tem outras formas de se controlar e regularizar [a profissão] do que proibir. É a nossa única fonte de renda”.

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