O comércio virtual da 10ª Arte

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Felipe de Aquino – Serviços do tipo e-commerce existem para criar facilidades para seus clientes. Comprar e pesquisar preços sem sair de casa, ter um atendimento personalizado e poder “dar uma googlada” sobre o produto e não ter que acreditar piamente num vendedor desconhecido são algumas delas. Isso sem falar no acesso a lojas distantes, até mesmo em outro continente, com apenas alguns cliques.

Pensando nisso, desenvolvedoras de jogos investiram pesado na venda virtual de games. Empresas como Steam, da desenvolvedora Valve, e Origin, da EA, surgiram para disponibilizar uma vasta quantidade de jogos eletrônicos em seu acervo para serem comprados por jogadores do mundo todo. Até mesmo os consoles passaram a contar com sistemas de venda, como o Playstation com sua Playstation Network (PSN) e a Xbox LIVE, da Microsoft, que passaram a praticar a venda direta aos usuários. Dessa forma, essas empresas reduziram os gastos de distribuição das mídias físicas e ganharam mais feedback dos clientes. Sem extinguir o mercado mais ortodoxo das mídias físicas que, inclusive, podem ser entregues em domicílio.

A principal ideia por trás desses tipos de serviço é o combate à pirataria. E parece que vem dando resultados. Luciano Cardoso, usuário da Steam, começou a adquirir jogos originais. “Acho que o valor que se paga por um produto original em relação ao pirata, nesse sistema, pode ser uma medida eficaz no combate à pirataria, além da comodidade de adquirir o produto de casa. Em geral, eu preferia produtos piratas por conta do valor, mas vejo vantagem no atual sistema adotado pela Steam”, explicou.

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Home da Steam.

A atuação dessas empresas conta com um sistema de marketing bem planejado. Frequentemente, são lançadas promoções, todas com características especiais. A Steam faz grandes vendas a cada semestre com brincadeiras entre os usuários, visando a estimular a compra de jogos. As famosas “summer sales” contam com gincanas para troca de itens especiais conseguidos por tempo de jogo e habilidade entre os usários e prêmios por atingir metas, e esses prêmios são outros jogos, e gratuitos. Ademais, o grande catálogo de jogos oferece descontos que vão até 90%. A Origin também disponibiliza os jogos com preços atrativos e, às vezes, oferece gratuitamente alguns produtos de preço elevado. A “loucura” mais recente foi a oferta do jogo “The Sims 2” com todas as expansões já lançadas totalmente de graça. O sistema de conquistas ainda é incipiente, mas os planos são ousados. O próprio site contém o seguinte aviso: “Isso é só o começo – estamos trabalhando em grandes planos para as conquistas e Pontos Origin, então, fique ligado”.

O caso Humble Bundle

Vender games enquanto ajuda instituições de caridade do mundo todo. Esta é a premissa do Humble Bundle, um sistema diferente de venda de jogos que dá ao comprador o poder de estipular o valor que quer pagar por um pacote de jogos.

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Home da Humble Bundle.

Lucas Rocha, acostumado a utilizar esse serviço, explica como funciona: “O valor mínimo é de US$ 1 para ter direito às chaves originais dos jogos no pacote original. Porém, adicionando alguns dólares, a pessoa pode adquirir outros jogos oferecidos no pacote. 10% do valor arrecado vai para instituições de caridade, mas o comprador pode alterar a proporção para o quanto vai para cada parte envolvida na venda”, explica. “O download dos produtos pode ser feito imediatamente após a confirmação de pagamento”, conclui.

Os jogos indie

Produtoras independentes também têm um papel importante no mercado mundial de jogos. Com lançamentos mais nostálgicos, incluindo o uso de gráficos de 8 ou 16bits, criados geralmente por equipes pequenas e sem apoio financeiro de publicadoras, esse tipo de produção frequentemente foca na inovação em seus jogos. Novas jogabilidades, histórias incomuns. Os jogos indie (derivado de independentes) buscam sempre cativar seu usuário com formas alternativas de narrar sua história. A distribuição digital é sua razão de existir. Evitando os meandros da distribuição física e, claro, enxugando cada vez mais seu orçamento.

Para Matheus Bolognini, viciado em jogos do tipo, os jogadores mais apaixonados são os fãs de indie. “Se hoje os indies são a categoria de jogos que mais se ouve falar, é porque há um diferencial, seja na jogabilidade ou na aquisição. Acho que os indies ainda vão dominar esse mercado”. A indústria de jogos eletrônicos cresce a todo vapor no Brasil e cada vez mais o ato de jogar deixa de ser “coisa de criança” e se torna um negócio a ser explorado.

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