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Vitor Simões – Minha passagem por Brasília foi ligeira. Eu mal cheguei e já estava indo embora. Tive tempo apenas de chegar, pegar um táxi para o Mané Garrinha, esperar 20 minutos para começar a partida entre Portugal e Gana, e ir embora cinco minutos antes do jogo acabar. Mas cada segundo que estive lá valeu a pena. Afinal, tive a oportunidade de ver de perto o melhor do mundo jogar!

Cheguei a Brasília já no ritmo do jogo, que era acentuado pela invasão portuguesa que estava acontecendo no aeroporto. Uma multidão vestida com a camisa vermelha de Portugal, sempre com o número 7 nas costas, cantava com enorme alegria. Como cheguei em cima da hora, tive que pegar um táxi para o estádio. Porém, no guichê de informações da FIFA, fiquei sabendo que havia também um ônibus que ia do aeroporto para a arena, mas que ia parando em alguns pontos pela cidade.

Dei sorte de pegar o táxi do seu João Pereira, um senhor de 62 anos. Descendente de portugueses, ele é torcedor fanático da seleção portuguesa, e acha que Messi não é tão completo quanto Cristiano Ronaldo. No caminho para o estádio, tive um pequeno tour recheado de informações interessantes sobre Brasília e sua história. Foram 35 minutos de muito papo até que finalmente chegamos ao bloqueio da FIFA, a certa distância do estádio. Dos lugares que visitei, o Mané Garrinha é o estádio onde se consegue chegar mais perto de carro. O ponto de parada fica a apenas, aproximadamente, 1 km da arena.

O exterior do Mané Garrincha / Fotos: Vitor Simões

O exterior do Mané Garrincha / Fotos: Vitor Simões

Quando entrei no Mané fiquei encantado. Seu interior é bem no modelo das arenas modernas, facilitando a visualização do gramado de qualquer ponto da arquibancada. O estádio é muito bonito, vale a pena conhecer. Quando já estava lá dentro, recebi a noticia de que dois jogadores de Gana tinham sido expulsos por brigarem com integrantes da comissão técnica. Fiquei muito triste ao saber que eles eram Boateng e Muntari, dois craques do futebol mundial.

Quando os jogadores entraram para aquecer e durante o jogo, fiquei impressionado com a reação que um jogador como Cristiano Ronaldo causa nas pessoas, eu nunca tinha visto nada parecido com aquilo. Bastava ele aparecer no telão, no túnel para o campo, e a torcida já começava a vibrar enlouquecidamente. Quando ele ia para os lados mais periféricos do campo, era possível ver quase todas as pessoas sentadas na região buscando seus celulares ou câmeras para registrar o momento.

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Torcida portuguesa marcou presença em Brasília

Cristiano Ronaldo é diferente. O jeito que ele bate na bola, se movimenta e coordena seus companheiros é algo que não se vê com frequência. Ninguém é o melhor do mundo duas vezes apenas com marketing, como alguns gostam de dizer. Uma pena que ele estava se despedindo da Copa do Mundo naquele jogo. A seleção de Portugal era exclusivamente dependente do “CR7”, e ele, sem estar no auge de seu físico, não conseguiu ser o mesmo craque da última temporada europeia.

Cristiano Ronaldo e Portugal voltaram cedo para casa

Cristiano Ronaldo e Portugal voltaram cedo para casa

Para se classificar, Portugal precisava vencer com um placar de pelo menos 3 x 0, e torcer ainda para que a Alemanha vencesse os Estados Unidos por um placar que reduzisse o saldo dos norte-americanos. Já Gana precisava “apenas” de uma vitória simples em cima de Portugal e uma derrota dos Estados Unidos. Por isso, Gana até começou o jogo tentando pressionar, mas parecia que os problemas internos que aconteceram pouco antes do jogo afetaram a seleção. Quem saiu na frente foi Portugal, com um gol contra de um zagueiro ganense. Gana chegou a empatar o jogo, mas nos minutos finais uma bola sobrou dentro da pequena área da seleção africana e o melhor do mundo não perdoou. Placar final: 2 x 1 para Portugal.

O resultado eliminou as duas seleções, que voltaram para casa na primeira fase da Copa do Mundo. Mas para mim, valeu a experiência de conhecer o Mané Garrinha, ver o melhor do mundo jogar e ainda marcar um gol, e também perceber como grandes ícones mexem com as pessoas. Nunca vou esquecer do dia em que vi Cristiano Ronaldo jogar pessoalmente, nem da idolatria dos portugueses por ele.

 

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