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Bianca Bortolon - Lo Guerrero tem uma história de superação. Sua primeira missão foi em outubro de 2013, no Peru. Para chegar ao seu destino, precisou ser esquartejado e ter suas partes carregadas em duas malas. E foi aí que o improvável aconteceu: uma delas foi extraviada e não chegou a tempo. Em uma corrida contra o tempo, Lo Guerrero teve que atuar, mesmo que incompleto e remendado. E o improvável tornou-se superação: Lo Guerrero levou o segundo lugar.

E assim foi a breve, porém intensa, história de um personagem marcante. Seus criadores eram participantes de Programas de Educação Tutorial (PETs) e também do Laboratório de Robótica Educacional (LRE). Com o objetivo de sair do âmbito educacional e adentrar no mundo das competições, eles se juntaram e formaram a equipe ERUS – a Equipe de Robótica da Ufes, integrada hoje por alunos de diversos cursos do Centro Tecnológico.

As competições não envolvem ringues e ou batalhas de robôs. Esta é uma modalidade existente, mas não é a que a equipe se dedica. Robôs de batalha são controlados por pessoas. O foco da ERUS são as competições de robôs autônomos, que funcionam mediante provocação: as equipes recebem um desafio aleatório e precisam programar e montar um robô que realize o que for proposto. Ano passado, a ERUS participou da LARC – Latin American Robotics Competition, disputando com times de outros 17 países. O desafio era desenvolver um robô que conseguisse limpar pequenos objetos de uma praia, ambiente simulado durante a competição.

Lo Guerrero foi o resultado do desafio da competição em 2013. Programado para captar e retirar pequenos objetos, levando-os ao lixo ou qualquer outro lugar programado, o robô pode até mesmo ser usado em situações domésticas. A cada ano, um novo desafio é proposto e a equipe precisa criar um robô inteiramente novo para buscar a vitória. Lo Guerrero serviu seu propósito e agora está curtindo um merecido descanso ao lado de sua medalha.

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Lo Guerrero e o prêmio de segundo lugar na LARC

O funcionamento dos robôs é baseado em códigos de programação. Apesar de aprender as noções básicas em disciplinas, o integrante e aluno do curso de Engenharia de Computação Vanderlei Vieira explica que uma das vantagens do ERUS é aprender e pôr em prática atividades muito além do que acontece dentro de sala. “Aqui, não estamos limitados à aprendizagem em sala de aula. Na Computação, nós aprendemos muito sobre programação em C, uma linguagem específica, mas na equipe nós aprendemos outra linguagens também, como Python e Java, que, normalmente, só veríamos muito depois no curso e acabamos aprendendo mais cedo por causa do laboratório. O pessoal da Elétrica também antecipa conhecimentos, já que vemos partes da elétrica e da eletrônica, pois aplicamos tudo para fazer as placas de circuito, que interagem o cérebro do robô com a parte física, mecânica”, explica.

Os integrantes, todos alunos, correm atrás de tudo, desde sala até o dinheiro necessário para bancar a empreitada. “É uma questão complicada. Não somos um laboratório oficial da Ufes, somos alunos que nos juntamos para fazer robótica”, detalha Vanderlei. A única ajuda que recebem é da professora do Departamento de Informática e coordenadora do PET Computação, Roberta Lima, quando o assunto são detalhes burocráticos.

O laboratório é um projeto à parte, mas serve como um projeto de extensão para quem
participa do PET Computação. Com isso, parte da verba do PET vai para o ERUS. Existe também o patrocínio da loja online Vida de Silício, do também participante Allan Mota. Contudo, não existe uma verba fixa direcionada ao laboratório e, consequentemente, não contam com bolsas. O trabalho é, no geral, voluntário. 

Lo Guerrero e outros robôs projetos pela ERUS

Lo Guerrero e outros robôs projetos pela ERUS

Mas isso de maneira alguma é visto como um problema. A equipe tem vários planos para o futuro, como o próximo LARC. O robô para o próximo desafio já está sendo montado e desta vez estará em uma simulação de porto com o trabalho de levar conteiners, representados por cubos pequenos, a uma plataforma. “Nós sempre tentamos levar o nome da Ufes para fora, para competir com a melhor qualidade que formos capazes, para conseguir tanto investimentos como reconhecimento. As competições sempre repercutem muito e, com elas, conseguimos ainda mais incentivo para mais projetos. Com o segundo lugar do ano passado, obtivemos cada vez mais condições, inclusive uma sala própria. Se tudo der certo, no ano que vem teremos ainda mais: pessoas, projetos… e tudo com o intuito de aprendizagem”, finaliza Vanderlei.

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