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Mallena Pezzin e Naiara Arpini - Em menos de uma semana, três espécies diferentes de animais marinhos apareceram em praias do Espírito Santo. Na conta, entram dois golfinhos, um elefante marinho e um filhote de baleia jubarte. O aparecimento dos animais chamou a atenção da população e atraiu dezenas de curiosos. Mas, segundo especialista, apesar de curiosos, os casos são independentes.

No último dia 8, um elefante marinho foi encontrado próximo ao Farol de Santa Luzia, em uma praia de Vila Velha, na Grande Vitória. Após quase uma semana descansando na praia, o animal foi embora, na madrugada do dia 13.

No dia 10, um golfinho apareceu morto na Praia do Morro, em Guarapari. Um dia depois, outro animal da mesma espécie também foi encontrado morto, na praia das Castanheiras, em Anchieta, município vizinho a Guarapari. Na época, biólogos afirmaram que os animais poderiam ter morrido asfixiados após ficarem enrolados em redes de pesca.

Além deles, um filhote de baleia da espécie jubarte morreu encalhado na Praia de Barra do Sahy, litoral de Aracruz, Norte do Espírito Santo, na manhã do dia 14. Uma equipe de resgate, especializada em animais marinhos, ainda tentou salvar o animal, mas ele não resistiu. O filhote tem três metros de comprimento e pesa cerca de uma tonelada. O corpo do animal foi submetido à necrópsia e enterrado no local.

Especialista explica

O veterinário e presidente do Instituto de Pesquisa e Reabilitação de Animais Marinhos (Ipram), Luis Felipe Mayorga, explicou que não é possível relacionar o aparecimento das espécies no litoral capixaba. “Cada caso é um caso. Não  podemos dizer que eles estão interligados. Os golfinhos, por exemplo, encalham o ano inteiro e na maioria das vezes morrem porque ficaram agarrados em alguma rede de pesca”, disse.

Segundo ele, os elefantes marinhos podem aparecer em qualquer época, portanto, foi pura coincidência ele ter aparecido agora. “Já as baleias sempre apresentam uma taxa de mortalidade natural. Esse filhote que apareceu não tinha nenhum ferimento, nenhuma causa visível de morte, por isso, o caso será avaliado por institutos especializados. Então o que aconteceu foi uma semana de coincidências, muitas coisas parecidas aconteceram em um curto espaço de tempo”, disse.

Oceanógrafo e professor adjunto do Departamento de Oceanografia da Ufes, Agnaldo Martins concorda. “Só não seria coincidência se os animais fossem examinados e fosse detectado algo em comum como causa da morte deles, por exemplo, estarem enroscados num mesmo tipo de rede de pesca, ou se ingeriram o mesmo tipo de poluente ou lixo que os contaminou ou entupiu a entrada do estômago”, considerou.

Para o professor, essa época do ano é propícia ao aparecimento de animais marinhos, devido ao esfriamento das àguas próximas ao nosos litoral. “Nessa época de inverno temos a aproximação normal de animais marinhos que são mais comuns ao sul do continente, como leões marinhos, elefantes marinhos e pinguins, pois as águas frias onde eles vivem estão mais próximas da nossa região. Além disso, está começando a época da migração da baleia jubarte para nosso litoral (norte do ES e sul da Bahia), onde se reúnem cerca de 1500 baleias. Como em qualquer população de animais, eventualmente algumas morrem e acabam chegando à praia”.

Ainda segundo o professor, as correntes marinhas não influenciam no deslocamento desses animais, que podem nadar em qualquer direção independente de qualquer corrente. “O que os faz nadar para um lado ou outro é a busca por alimento ou, eventualmente, uma migração para uma área de reprodução, como as baleias jubarte estão fazendo agora. Além disso, as correntes marinhas são, em geral, bem fracas e eles são ótimos nadadores”, concluiu Martins

Diante desse grande número de animais marinhos encontrados nas praias do Espírito Santo nas últimas semanas, é importante que se tomem os devidos cuidados. Para isso, o Impran tem como missão ajudar os animais encalhados e possibilitar a sua reabilitação à vida livre. Caso um animal seja encontrado, entre em contato com Instituto através dos números (27) 3286 0135 ou pelo plantão 24h  (27) 9 9865 6975.

 

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