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Jéssica Dantas – “Os padrões estéticos não são eternos, variam no tempo e no espaço, de uma região a outra de uma cultura a outra. Assim, para melhor compreender este universo cultural estético é preciso identificar os principais fragmentos históricos da beleza, buscando-os nas diferenças entre os povos que podem ser influenciados pelo clima, crenças religiosas, a história da sociedade, os regimes políticos, os sistemas econômicos”.

A definição dos estudiosos, Lorelai Kury e Lourdes Hargreaves a respeito dos padrões de beleza conseguem sintetizar muito bem o que ainda hoje buscamos defender como a maneira mais coerente de se definir o belo.

Desde os tempos mais remotos da história, o ser humano faz do seu corpo um objeto cultural. Existem muitos relatos de que os povos primitivos usavam substâncias para maquiagem e embelezamento, demonstrando a preocupação com a aparência. Rostos e corpos eram pintados e tatuados para agradar aos deuses e afugentar os maus espíritos.

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Os egípcios foram os primeiros a cultivar a beleza de uma forma extravagante, por assim dizer. Eles usavam os cosméticos como parte de seus hábitos de embelezamento pessoal, para cerimônias religiosas e ao preparar os mortos para o enterro. Um dos usos mais antigos da “henna” (hoje encontrada em qualquer salão de beleza) era usada na arte corporal.

Gregos e Romanos também se destacaram na história pelos cuidados com a aparência, e, para esses povos, os padrões de beleza estavam ligados essencialmente a duas coisas: à proporção do corpo e às características morais.

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No Renascimento, os padrões de beleza também sofreram transformações e influenciaram toda a sociedade. O uso de maquiagem e tinturas de cores mais claras no cabelo ganha evidencia e passa a ser considerado o que há de mais admirável nas mulheres. Nesse período constatou-se pela primeira vez na história a padronização do corpo voluptuoso como sendo o belo em sua essência. Pintores famosos retratavam a beleza feminina com corpos que nos dias de hoje seriam considerados dignos de vergonha.

No século XVIII, a beleza era vista a partir dos exageros da vida na corte. O ideal feminino era representado pela rainha Maria Antonieta. Durante o século XIX e nas primeiras décadas do século XX, as mulheres sofriam com apertados espartilhos para ficar com a cintura excessivamente fina. Nas décadas de 1920 e 1930, quem estipulava os ideais de beleza eram os artistas de Hollywood, como Marlene Dietrich, por exemplo.

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Nos anos 60, consagrou-se o visual unissex. Calças jeans, sapatos baixos, cabelos compridos para os homens; maneiras de comportamento e de vestimenta passam a ser comuns a ambos os sexos. Apesar dessa tendência de aproximação da aparência entre homens e mulheres, os dois papéis continuam a ser distintos e a se basearem em padrões de belezas diferentes. Os homens devem ser musculosos e aparentar certa agressividade, vigor e poder. Já a mulher, esta passa a ser cobrada em relação à beleza e feminilidade.
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Com a entrada dos anos 90, a moda mudou de forma muito rápida. Nas passarelas, modelos magérrimas vendiam um novo padrão de beleza. O início do século XXI trouxe a arte de manipular os materiais para fins estéticos. Os aparelhos ficam cada vez mais sofisticados e os tratamentos cosméticos são personalizados, destinados especificadamente para cada tipo de pele e idade. O corpo ganha status do “nosso mais belo objeto de consumo”.

twiggy9As revistas generalizaram a cultura da estética e dos cuidados com a aparência. O consumo acompanha o embelezamento, as vendas de cosméticos corporais aumentaram, o número dos salões de beleza multiplicou e as operações de cirurgia plástica estética obtiveram uma progressão altíssima. Se a beleza é representada como um dever cultural, em contrapartida, a obesidade assume um lugar de diferenciação, chegando aos dias atuais como uma forma de exclusão. Ser magro é ser belo, é ser jovem, ou seja, a aparência jovem é extremamente valorizada.

Em 2014 chegamos ao ponto de marcas criam tamanho ‘zero triplo’, para mulheres com cinturas de meninas de 8 anos. Muitos não acreditavam como era possível mulheres adultas vestirem as minúsculas calças e vestidos sem se sentirem desconfortáveis. Conformados com a ideia da magreza excessiva a vida seguiu e os padrões foram sendo estabelecidos e aceitos – até serem admirados – pela sociedade. Contudo, há cerca de um mês uma novidade assustadora surgiu no mercado: A revista britânica “Grazia” conta que algumas lojas americanas estão comercializando o tamanho referente a um manequim 30 em terras brasileiras.

A revista atribui a nova tendência a uma tentativa das marcas de satisfazerem suas consumidoras que querem se sentir orgulhosas de usarem roupas cada vez menores. Além disso, a febre de selfies e de fotos que exibem o corpo no Instagram também alimenta a busca incansável por quilos a menos. As atrizes, modelos e it girls são as maiores incentivadoras desse torneio pela barriga zero quando publicam imagens de seus corpos quase esqueléticos no Instagram e no Twitter, vangloriando-se deles.