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Por Brunela Alves – Mesmo que o Brasil não tenha conquistado o tão esperado hexacampeonato em casa, com certeza,  ficará guardado na minha memória o dia 12 de junho, data da abertura da Copa do Mundo, na Arena de São Paulo, o popular Itaquerão. A emoção que senti no estádio e a curiosidade de amigos e familiares sobre a minha ida, ainda me permite falar sobre a Abertura da Copa e o jogo de estreia do Brasil em casa neste ano.

Essa viagem foi especial por alguns motivos. O primeiro por eu nunca ter viajado de avião. O nervosismo e o medo na ida estavam visíveis em mim. Recebi incentivos de várias pessoas na família, na minha turma e também no estágio para minimizar esse obstáculo e isso me ajudou bastante. O segundo motivo foi pelo fato de ter ido pela primeira vez a São Paulo. E o terceiro foi ter a oportunidade de fazer parte dos 62.103 torcedores presentes no estádio.

Eu e minha amiga Bárbara Sodré fomos rumo à abertura da Copa. Na verdade mesmo, eu é quem fui com ela. Em agosto do ano passado ela nos cadastrou no site oficial da Fifa para o sorteio e solicitou dois ingressos para assistir à abertura e ao jogo de estréia do Brasil na Copa na categoria 4, destinada apenas a brasileiros, criada pela Lei Geral da Copa para reserva de ingressos a preços populares. O nosso então, foi o de estudante e tivemos direito a pagar meia-entrada, ou seja, R$ 80,00.

No ano passado e até no início deste ano já estavam sendo marcados protestos do tipo “Não vai ter Copa”. Ficamos bem apreensivas. Além disso, a greve dos transportes públicos em São Paulo também não nos deixava otimistas. Meu tio, inclusive, até tentou convencer-me a não ir por conta desses percalços, mas não teve jeito. A vontade de estar e poder ver ao vivo a maior competição do mundo foi maior. Ainda assim, a
mistura de sensações que variavam de alegria e medo a uma ansiedade para ver esse espetáculo tomavam conta de mim.

Chegamos a São Paulo um dia antes do jogo para ficar na casa de familiares da minha amiga e tivemos a notícia boa de que a greve dos transportes havia acabado e que o dia seguinte seria ensolarado. Além disso, haveria um cordão de isolamento ao redor do estádio para impedir que os protestos estragassem a estreia da Copa. O prefeito já havia decretado feriado municipal com a justificativa de atender a exigências técnicas de fluxo, circulação e segurança dos torcedores.

No grande dia, acordamos cedo e fomos de carro até o metrô na estação Butantã. Havia poucas pessoas lá. Fizemos nosso trajeto até a estação da Luz e de lá pegamos o “trem da copa” que parava bem perto do estádio. Ao contrário do que estávamos esperando não vimos nenhum protesto e não tivemos dificuldades em chegar ao Itaquerão.  Avalio a organização feita pela FIFA com relação à quantidade de voluntários e o atendimento prestado por eles aos torcedores, como satisfatório. Isso porque eles estavam presentes tanto no aeroporto, quanto nos metrôs, trens e no estádio por onde passei e prestaram os esclarecimentos devidos.

Chegamos à Arena São Paulo por volta de meio-dia. Sabíamos que a cerimônia de abertura começaria às 15h15min e teria duração de 25 minutos. O clima ao redor do estádio foi de tranqüilidade e muita festa. Torcedores brasileiros e croatas circulavam lado a lado nas imediações do Itaquerão e até brincavam entre si com relação ao placar e à vitória de suas seleções. Os croatas gritavam o nome de seu país. Já os brasileiros entoavam gritos de “Vai Corinthians”, “Ole, ole, ole, olá, Brasil” e afins. Ambas as torcidas estavam vestidas com roupas de suas seleções, cartazes, bandeiras e até rostos pintados. A maioria absoluta era de brasileiros, mas se você pensa que os croatas se intimidaram, veja este vídeo:

Os portões de acesso foram abertos às 13h e aquela massa de gente andava a passos lentos para chegar às grades (guarda-corpo) que formavam fileiras até a área da revista dos torcedores e a conferência do ingresso para entrar nos estandes dos patrocinadores oficiais e das arquibancadas.

Os estandes dos patrocinadores estavam muito bonitos esteticamente, mas as filas para comprar comida e lembrancinhas da Copa estavam enormes. O sol forte e o calor também dificultaram um pouco.

Depois de comprar um lanche, seguimos para a arquibancada. A primeira impressão do estádio foi impactante. Uma mega estrutura!!! E no campo, estava montado o palco da abertura, que iria começar em menos de uma hora.

Erramos o lugar e sentamos no meio dos croatas

Erramos o lugar e sentamos no meio dos croatas

Procuramos nossa cadeira marcada que foi informada no ingresso e…adivinha? Erramos os lugares e acabamos sentando em outras (no ingresso estava Categoria 4, cadeira  XX26  e XX27, mas nós sentamos na X26 e X27).  Por mais ou menos uns 20 minutos ficamos ali tirando fotos, admirando o estádio, comentando sobre a emoção de estar ali e muito mais, até que começou a chegar mais gente para ocupar as cadeiras em volta. Só que eram croatas e não brasileiros como nós, (vide a nossa selfie com croatas ao fundo).

Então, começamos a nos perguntar como torceríamos para a nossa seleção estando rodeada de torcedores rivais. Sentimos certo constrangimento com relação a isso. Até que vieram dois croatas, falando em inglês, e indicando que aqueles lugares eram deles. Falei com minha amiga para pegar o ingresso e conferir. Que vergonha! Tínhamos errado o lugar. A única saída foi sorrir, pedir desculpas e deixar os lugares. Depois, subimos mais dois blocos de escadas e encontramos nossa fileira. Ali sim estávamos nos sentindo mais à vontade, junto dos torcedores brasileiros e a sessão de fotos agora tinha ao fundo camisas verde e amarela. A ‘ola’ da arquibancada agitava a torcida e as fotos no estilo ‘selfie’ eram um recurso muito utilizado, eu que o diga.

A cerimônia de abertura começou com a projeção no globo que estava no centro do palco, representações de elementos que fazem parte da cultura, do meio ambiente e da nação brasileira.  Nas arquibancadas, os torcedores de ambas as seleções gritaram e pularam eufóricos. Após alguns minutos, o globo abriu e o show começou com a música ‘Aquarela do Brasil’, cantada pela carioca Claudia Leitte, que subiu, em um elevador dentro do globo, ao palco. Depois, os artistas internacionais Pitbull e Jennifer Lopez também subiram ao palco e o trio cantou a música oficial da Copa ‘We are One (Ole ola)’ para encerrar a cerimônia. Era lindo ver que as pessoas cantavam as músicas, pulavam e  balançavam suas mãos de acordo com a coreografia, principalmente na parte do refrão ‘olê olá’. E no final, ouvi muito assovio, palmas e gritos de ‘uhul’, ‘Brasil, Brasil, Brasil’, uma experiência única e emocionante.

 A desmontagem da estrutura erguida no campo, por dezenas de operários, foi bem rápida e logo o campo estava sendo irrigado para o jogo.

Jogadores reservas da seleção da Croácia foram os primeiro em campo e, em seguida, os brasileiros. Os goleiros da partida e os jogadores reservas faziam o aquecimento. Todos foram ovacionados, mas quando os titulares da seleção brasileira entraram em campo, a multidão gritava muito mais alto.

Os jogadores se posicionaram para o hino. O da FIFA foi o primeiro e o locutor do estádio antes anunciou uma mensagem de paz. Depois, veio o hino da Croácia. Os  croatas que estavam na arquibancada abaixo da minha cantavam e os brasileiros apenas ficaram de pé ouvindo. Quando o hino do Brasil começou, os brasileiros se posicionaram e cantaram junto. Foi emocionante ouvir que ao final do trecho do hino, os brasileiros continuaram a cantar. Depois os gritos de ‘Vai Brasil’ ‘Brasil, olé, olá’ e os assovios tomaram conta do estádio.  Os jogadores se posicionaram no círculo central do campo e três pombas foram soltas para simbolizar a paz no futebol, o famoso “My game is a fair play” inscrito na bandeira da FIFA.

A bola começou a rolar nos pés dos croatas e o que se ouvia no estádio eram frases de torcedores descontentes direcionas à Presidenta Dilma que estava presente no estádio. Depois, os brasileiros gritavam ‘olé’, vaiavam nas vezes em que os jogadores croatas estavam com a bola, até que aos 11 minutos do primeiro tempo, em um desvio, Marcelo fez gol contra. A arquibancada perplexa se calou por uns 20 segundos e os poucos croatas do estádio ficaram enlouquecidos. Acredito eu que eles não imaginavam que o primeiro gol do jogo seria a favor deles e, sinceramente, nem nós brasileiros.

Passado esse susto, a torcida começou a incentivar a seleção. O que se ouvia era a famosa frase ‘Eu sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor’. O jogo estava meio truncado e as poucas vezes em que a bola chegava na área, a finalização não era boa. Até que a seleção brasileira começou a criar boas oportunidades e em uma dessas, aos 29 minutos, Neymar fez o gol de empate para aliviar a torcida que gritou, pulou bastante e ovacionou o jogador com ‘Ole, ole, ole, olá, Neymar, Neymar’. O jogo continuava no empate. O primeiro tempo acabou e os jogadores saíram de campo. A torcida aproveitou o intervalo para comer, ir ao banheiro, tirar mais fotos, ligar para os amigos e familiares e curtir o dia ensolarado de São Paulo.

No segundo tempo, o Brasil ainda dominava a partida, mas o gol da virada ainda não conseguia sair. Paulinho foi substituído pelo meio-campista Hernanes.  Depois, os pedidos da torcida para Hulk e Fred saírem foram em parte atendidos. Hulk foi substituído por Bernard e o jogo ganhou mais velocidade. As oportunidades melhoraram, mas não eram suficientes. Só mesmo o pênalti, marcado pelo juiz em cima do Fred, levou Neymar de novo à área para fazer a cobrança e aumentar as chances de vitória. A torcida novamente incentivou e ele converteu aos 71 minutos. O Brasil virava o jogo e trazia de volta a esperança do hexa para o país. Neymar foi substituído já no finalzinho do segundo tempo, sendo bastante aplaudido e elogiado pelos torcedores. Ele retribuiu com palmas. No lugar dele veio Ramires. Nos acréscimos finais, Oscar com um chute de bico fechou o placar e a galera foi à loucura com a vitória. O placar final foi de 3×1.

No término, os jogadores agradeceram o apoio da torcida e seguiram para o vestiário. A torcida empolgada com a vitória gritava bastante. O locutor do estádio agradeceu a presença de todos e aquela multidão começou a deixar as arquibancadas. Eu e minha amiga permanecemos em nossos assentos até uma meia hora mais ou menos depois do jogo para sair com mais tranquilidade. Tiramos várias outras fotos e depois nos direcionamos a saída.

Na parte externa do estádio, recebemos os agradecimentos dos voluntários.  Depois visualizei o humorista Marcelo Adnet, que aceitou um pedido meu de tirar uma fotografia com a gente. A bateria fraca do meu celular quase impediu o registro. Isso por conta das várias fotos e vídeos que eu já havia feito. Ainda bem, que Adnet foi muito simpático conosco e esperou minha amiga pegar o celular dela. Conseguimos a foto e agradecemos. Compramos nossas lembrancinhas para recordação no stand da FIFA e nos dirigimos à saída do complexo do estádio. Foi nessa hora que vi o ator americano Leonardo DiCaprio passando a uns 10 metros da gente. Na hora gritei para minha amiga: “Bárbara, é o Leonardo DiCaprio”. Foi uma pena eu ter falado alto demais. Um dos quatro seguranças que estavam com ele, virou para trás e me encarou. Na hora, fiquei parada falando para ela que eu iria correr até ele para conseguir tirar uma foto. Minha amiga me impediu, dizendo que os seguranças não iriam deixar. Fiquei lamentando não ter ido atrás dele, mas  falou mais alto a precaução e a sensação de medo da reação que o segurança teve ao me ouvir gritar e a possível atitude que ele poderia tomar para me impedir de chegar até o ator. Das horas que estive na Arena Corinthians, minha única frustração foi essa.

Ao voltar para casa, ainda impressionada com o espetáculo da abertura e da torcida, pegamos um metrô relativamente vazio. Voltamos de trem até a estação da Luz e de lá até a Butantã. Bárbara falava com seu pai no celular, quando a bateria começou a dar sinais de que não iria aguentar até chegar a última estação e ligarmos para seus primos paulistas nos buscar. Por isso, ela desligou o celular para economizar a bateria.

Chegamos à estação do Butantã e fomos até um restaurante comprar um cartão telefônico para ligar. Pedi também um pedaço de papel e uma caneta para anotar os números. Bárbara ligou o celular e rapidamente me falou os contatos e a bateria acabou de vez. Nos dirigimos a um orelhão, mas não conseguíamos completar a ligação, ou melhor dizendo, não sabíamos nem como ligar direito daquele telefone público. Pedimos ajuda e um senhor, que, muito gentil, ligou de seu próprio celular e conseguimos estabelecer o contato com os donos da casa onde estávamos. Agradecemos e voltamos para a estação, que era o local marcado de nosso encontro. Ríamos muito de nossa falta de conhecimento por não saber ligar de um telefone público, mas relevamos isso porque era a primeira vez que eu ia a São Paulo e a segunda vez dela e o desespero por pensar em não chegar em casa também atrapalharam.

Enfim, nossa carona chegou e voltamos para ‘casa’. Lá contamos todas as emoções aos seus familiares e fomos dormir madrugada adentro ainda encantadas com  essa oportunidade que acreditamos ser única de ver o Brasil jogar no nosso país em um campeonato mundialmente reconhecido.

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