Torcida do contra

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Mariana Salomão -“Eu odeio Copa do Mundo”. Sim, é uma frase meio estranha, e não muito comum para esses dias, mas que resume o que alguns (poucos) brasileiros acham do campeonato mundial que celebra o esporte mais amado do país. Existem aqueles que não torcem na Copa como forma de protesto contra os gastos abusivos de dinheiro público durante a preparação para o Mundial, que tem algum motivo político para ser “do contra”. Mas existem também pessoas que simplesmente não curtem futebol, que não fazem a menor questão de ver o Mundial, e que não compartilham dessa necessidade de parar tudo o que estão fazendo para acompanhar a seleção.

A torcida super animada, com suas vuvuzelas, gritos e palavrões, deixa a emoção tomar conta das casas, bares e salões de festas dos prédios. Eu, mesmo com a televisão desligada, ouço a narração do jogo, vinda de algum vizinho não identificado. Os fogos de artifício são meio irritantes, e fico com pena dos cachorrinhos, das crianças, dos idosos e dos loucos. Doida, provavelmente, seria o que muita gente deve achar que sou, mas não sou a única.

empolgada

Laís Lorenzoni, estudante, pergunta em seu Facebook: “Gente, só eu sou nem aí pra Copa?”. Pergunto por que ela não gosta de Copa do Mundo, e a resposta é quase óbvia: não gosto de futebol e não gosto de barulho. Ela acredita que é um jogo idiota e idolatrado pelo nosso país como se fosse até uma distração pro povo esquecer todos os problemas que temos. Durante os jogos, ela aproveita para dormir e estudar, ainda que as vuvuzelas incomodem. Sua mãe diz que ela não entende a importância disso para a história e sua irmã tenta convencê-la a sair e ver o jogo em algum lugar.

Essa espécie de “bullying futebolístico” incomoda, como se fosse impossível um brasileiro não gostar de futebol. Laís afirma que todo mundo a julga como não-patriota, chata, mas o fato é que ela só detesta esse esporte. Rodrigo Bins, bancário, é outro que não acompanha os jogos, pelo mesmo motivo.

Ao contrário de Laís, ele fica feliz pelas vitórias, e até sentaria com os amigos em algum lugar para ver os jogos, mas para descontrair, confraternizar. João Marcos Charpinel, arquiteto, também não gosta muito, mas acaba assistindo porque todo mundo assiste, pela festa e porque, segundo ele, não tem outra opção.

Thales Lorencini Amorim, engenheiro, afirma que “é impossível estar “nem aí” pra Copa. Ou você repudia, ou você torce… Não tem meio termo.” Não concordo. Tenho certeza de que há nas torcidas Brasil afora muita gente que só está lá, se esgoelando, porque embora não goste de futebol, goste desse clima animado e alegre de todos se unirem por um ideal.

Somos poucos, e talvez na final, com o Brasil em campo, iremos nos juntar à maioria, e vibrar com a vitória do país em campo. Afinal, se nossa seleção ganhar o hexa numa Copa aqui, merece toda a torcida do mundo.

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