Rios que abastecem a Grande Vitória sofrem com problemas ambientais

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A água que abastece a Grande Vitória percorre um longo caminho até chegar às residências. Neste mês em que se celebra mundialmente o meio ambiente, vamos relembrar a importância de um recurso natural que faz parte de todos os nossos dias.

Manoela Albuquerque e Mariana Bergamini – As principais bacias hidrográficas que abastecem a Região Metropolitana de Vitória, Jucu e Santa Maria da Vitória, passaram por um contínuo processo de degradação ao longo dos anos, o que hoje dificulta o tratamento da água proveniente delas. Essa situação não é fácil, mas pode ser resolvida com a formação de uma população mais consciente, por meio de ações de educação ambiental e criação políticas públicas voltadas para o setor.

As ações dos seres humanos, no contexto urbano, causam diversos prejuízos aos recursos naturais. A Grande Vitória, assim como outras áreas de elevado contingente populacional do Brasil, sofre com esses problemas. “Os dois rios nascem na Região Serrana e cortam a Região Metropolitana, por isso, sofrem com um problema comum dessas regiões, que é o esgotamento sanitário”, explica o diretor de planejamento e gestão hídrica da Agência Estadual de Recursos Hídricos (Agerh), Robson Monteiro.

Segundo a Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Seama), entre os transtornos enfrentados por estas bacias, estão: lançamento de esgoto; despejo de lixo; desmatamento de matas ciliares, o que gera aumento de sedimentos nos rios; entre outros problemas relacionados ao desenvolvimento urbano.

A conta da degradação das bacias vai parar nos custos de tratamento de água” – Cesan

De acordo com a Companhia Espiritosantense de Saneamento (Cesan), o atual quadro dos rios provoca grande dificuldade no tratamento da água. “É preciso de um volume cada vez maior de produtos químicos para tratá-la e adequá-la aos padrões de potabilidade exigidos pelo Ministério da Saúde. A conta da degradação das bacias vai parar nos custos de tratamento de água”, informou a Cesan.

Para garantir a preservação dos rios do Espírito Santo, o governo do estado prevê o gasto de cerca de R$ 10 milhões até o final de 2014. No início do ano, foi criada a Agência Estadual de Recursos Hídricos (Agerh), uma autarquia que surgiu exclusivamente para administrar os recursos hídricos do estado.

Segundo o diretor de planejamento e gestão hídrica da Agência, Robson Monteiro, o foco atual da Agerh é a implantação da Rede de Monitoramento Hidrológico. Com ela, sensores que serão instalados dentro dos rios vão captar informações sobre a altura das águas para prever eventos hidrológicos críticos, como secas e enchentes.  Um acordo foi firmado  de cooperação com a Agência Nacional das Águas (ANA) para instalação da Sala de Situação, um espaço que vai reunir equipamentos, programas computacionais e equipe técnica para acompanhamento das tendências hidrológicas pela a Agerh.

Também estão sob responsabilidade da Agência os Planos de Bacia e Enquadramento, que têm como o objetivo definir prioridades para o utilização dos rios. “O abastecimento humano, por exemplo, é uma prioridade de uso. Às vezes elas entram em conflito, por isso é necessário definir um plano de ação”, explicou Robson. A previsão é de que as definições para os rios Jucu e Santa Maria estejam disponíveis para consulta pública a partir de março de 2015.

A população também pode ajudar na preservação dos rios. A sociedade civil tem representação assegurada no Sistema de Gerenciamento dos Recursos Hídricos por meio do Comitê de Bacias, órgão colegiado que tem a competência de dar a palavra final para as propostas, acompanhar a execução do Plano de Bacia e deliberar sobre convênios e contratos relacionados à gestão dos recursos hídricos.

De onde vem a água que bebemos?

Capitação de água bruta no Rio Jucu. Crédito: Cesan
Captação de água bruta no Rio Jucu. Crédito: Cesan

Segundo a Cesan, a água que bebemos é retirada dos mananciais por bombas instaladas nas estações elevatórias de água bruta, e percorre um trajeto em dutos, chegando à Estação de Tratamento de Água (ETA), onde recebe o primeiro processo químico, que é a adição de alumínio para separar as impurezas da água.

Estação de Tratamento de Água em Vila Velha. Crédito: Cesan
Estação de Tratamento de Água em Vila Velha. Crédito: Cesan

Em seguida, a água passa pelos processos de flotação, filtração, preparação e armazenamento, até chegar ao consumidor. Veja:

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