Esgoto no lugar certo

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Dan Zanotti e Karen Vieira – Você sabia que seu esgoto pode virar adubo orgânico e ainda diminuir em cerca de 50% a utilização de agrotóxicos? Pode parecer estranho, mas essa iniciativa, que é um projeto piloto, foi inaugurada na Grande Vitória e beneficiará oito agricultores da região metropolitana com fertilizante natural.

Para isso acontecer, foram necessários seis anos de estudos e pesquisas das características do solo para verificar a viabilidade do uso desse novo produto, feitos pelo Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper). Após essa fase, a Companhia Espírito Santense de Saneamento (Cesan) implantou uma Unidade de Gerenciamento de Lodo (UGL), no Civit I, na Serra, que recebe os resíduos da Estação de Tratamento de Mulembá e os transformam em biossólido (adubo).

Lodo da estação de tratamento Mulembá I é matéria prima para o biossólido. Foto: Divulgação Cesan.
Lodo da estação de tratamento Mulembá I é matéria prima para o biossólido. Foto: Divulgação Cesan.

A capacidade máxima dessa Unidade é de processar mensalmente 200 toneladas de lodo de esgoto. Até o momento, 45 toneladas foram produzidas para atender, a partir deste mês, o número de agricultores cadastrados na iniciativa. Segundo o Incaper e a Cesan, esses pequenos produtores poderão utilizar o adubo produzido em cultivos como café, seringueira, eucalipto, abacaxi, palmeira real, goiaba, banana e cana.

O biossólido produzido pela UGL não substitui os agrotóxicos do mercado, mas reduzirá o impacto ambiental causado pelo seu uso excessivo que contaminam o solo, recursos hídricos e ecossistemas. A principal função do adubo natural é aumentar a fertilidade da terra e corrigir sua acidez, por isso ele recebe cal virgem no momento de produção.

A engenheira química e coordenadora do projeto na Cesan, Fátima Lima, é enfática ao dizer que a UGL tem um significado para o futuro. “Vai chegar um momento em que se tornará uma exigência o uso do biossólido pelo agricultor. Além disso, os preços dos agroquímicos vão estar elevados e o que estamos ofertando hoje será mais viável ao pequeno produtor”, explicou.

Antes de distribuir o lodo higienizado, a Cesan e o Incaper realizaram diversos projetos agronômicos para viabilizar o uso desse produto. Um deles é a constante análise, em laboratório, das amostras de biossólido para testar a viabilidade de seu uso. Ao contrário do tão comum esterco, estrume em avançado estado de decomposição, o biossólido gerado na UGL é assegurado contra bactérias ou outras doenças que podem ser passadas por meio das fezes.

UGL tem capacidade para produzir adubo de todas as estações de tratamento de esgoto (ete). Fotos: Divulgação Cesan
UGL tem capacidade para produzir adubo de todas as estações de tratamento de esgoto (ete) da Companhia. Fotos: Divulgação Cesan.

Unidade de Gerenciamento de Lodo

A UGL é responsável pelo recebimento do lodo de esgoto das estações de tratamento, processamento desse resíduo, caracterização com acréscimo de minerais e transporte desse adubo até a propriedade rural. Também cabe à Unidade o monitoramento dos efeitos ambientais, agronômicos e sanitários da aplicação em área agrícola desse lodo higienizado.

O que acontecia com o lodo das estações?

De acordo com o gerente de Coleta e Tratamento de Esgoto da Cesan, Luiz Cláudio Rodrigues, todo esse rico material era destinado ao aterro sanitário. “Estou muito feliz em reutilizarmos algo que, antes, era descartado, para produzir vida no campo e diminuir os impactos causados por outros fertilizantes”, comemorou. Ainda de acordo com ele, o biossólido no futuro pode render recursos para a Cesan investir em tecnologias e ajudar a sociedade.

Como funciona a UGL?

A Unidade recebe o lodo de uma ou várias ETEs, processa esse resíduo e, em seguida, acrescenta cal virgem para gerar o biossólido. Com o produto final, faz-se o transporte até o produtor rural e monitora, a longo prazo, os efeitos ambientais causados pelo biossólido.

 

 

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