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Karol Lyrio – Ontem foi ao ar pela HBO o oitavo episódio da quarta temporada de Game of Thrones. A série, baseada nos livros “As crônicas de gelo e fogo”, de George R. R. Martin. Porém, a cada episódio exibido uma verdadeira “guerra” é travada entre os espectadores que já assistiram e os que ainda estão na expectativa, e o motivo: os temidos “spoilers”.

Mas o que é isso? Spoiler vem do inglês spoil, que significa estragar. Traduzindo para o contexto da cultura do entretenimento, seria o que estraga-prazer ou surpresas. Recentemente foi noticiado em vários veículos de comunicação o caso de um professor francês de Matemática que ameaçava os alunos com spoilers das histórias de George R.R. Martin: quando a classe começava a ficar barulhenta demais, ele escrevia no quadro negro uma morte de “Game of Thrones”.

O caso tornou-se icônico, entretanto, é na web que os spoilers adquirem maior dimensão, uma vez que os computadores, tablets e até smartphones tornam-se a segunda tela, permitindo ao público interagir com as obras produzidas pela da TV ou cinema.

Para o estudante de Cinema e Audiovisual da Ufes, Lucas Danto Octávio, o mais frequente é receber spoilers pela internet, apesar de considerar que a pior forma é quando algum conhecido adianta um evento da série no dia-a-dia. “Evito sites de memes como 9gag ou crio filtros temporários no Facebook, conta Lucas, que sem querer descobriu algumas mortes de personagens de Game Of Thrones na internet, apenas por abrir um meme específico.

No livro “Cultura da Convergência”, lançado em 2006, o autor e pesquisador de mídias Henry Jenkins explica o fenômeno de interação que a internet possibilita para os consumidores de obras ficcionais. Muitas vezes informação é recebida, processada e re-elaborada pelas pessoas, que usam as redes sociais como canais para compartilhar suas experiências e impressões pessoais de imersão no contexto fictício das obras.

“Para viver uma experiência plena num universo ficcional, os consumidores devem assumir o papel de caçadores e coletores, perseguindo pedaços da história pelos diferentes canais, comparando suas observações com as de outros fãs, em grupos de discussão on-line, e colaborando para assegurar que todos os que investiram tempo e energia tenham uma experiência de entretenimento mais rica.” (Jenkins, 2006).

Seguindo de acordo com a afirmação de Jenkis, o crítico de cinema e editor do site especializado em entretenimento Omelete, Marcelo Hessel, afirma que tem filme cuja virada é tão impactante, como o Sexto Sentido, que não é possível exigir que as pessoas guardem segredo. “O spoiler vira o assunto do momento e o espectador, então, tem a obrigação de acompanhar e não pode exigir que as outras pessoas guardem o segredo pra si. ”

Apesar de não existir nenhum manual de regra ou etiquetas anti-spoilers para se seguir, Hessel afirma que idealmente, é como se passasse a existir um acordo velado de não-spoiler, entre o veículo de comunicação e seu público consumidor, pelo menos é assim que é feito pela redação do Omelete”, e conclui: “spoilers somente depois de avisar o leitor.”

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