Uma rota diferente para o sucesso

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Yuri Barichivich –  O caminho para o sucesso tem várias possibilidades, seja através da educação formal ou do empreendedorismo, cada indivíduo traça diferentes estratégias para chegar a um objetivo: uma boa carreira e estabilidade financeira. Muitos que optam por ingressar em uma unidade de ensino superior, terminam o curso e esperam ganhar seu diploma para ingressar no mercado, algo visto como completamente normal por todos, mas será que este é o único caminho?

            Já no começo da década de 90 havia pessoas que discordavam dessa linha “natural” das coisas, algumas como a  fotojornalista  Elizabeth Nader, 44,formada em 1994 pela Universidade Federal do Espírito Santo, seis anos após ingressar, em 1988. Passou pelas mais importantes redações do Espírito Santo, como A Tribuna e A Gazeta. Atualmente, Elizabeth é professora de jornalismo na UVV e não guarda nenhum arrependimento dos seus anos a mais na universidade, muito pelo contrário, “sempre digo aos meus alunos que criamos uma imagem profissional desde o primeiro dia de aula, quando conhecemos nossos futuros colegas de redação ou de mercado”, pondera.

Segundo Elizabeth, na época em que ela ingressou no mercado não havia necessidade de diploma.Ela era uma das poucas  nas redações que havia estudado ou estavam cursando o ensino superior. “Tive oportunidade de associar a teoria à prática durante a vida acadêmica, vivenciar o dia-a-dia de redação, ao mesmo tempo que aprendia as teorias na aula.” diz ela sobre como ambas as coisas se complementam.

            Existem também aqueles que não podem exercer suas profissões sem o devido diploma, como os cursos de Direito ou Arquitetura, por exemplo, em que os profissionais buscam outras formas de arrumar aquela graninha que faz diferença no fim do mês. Solução? Freelances e trabalhar em outras áreas, como é o caso de Lucas Serrão, 21, estudante de Arquitetura e produtor de eventos nas horas vagas, dividindo seu tempo entre o estágios e os bicos. Jovem e adepto de sair com os amigos, afirma que não lhe falta tempo para isso. “Como nos finais de semana eu trabalho com festas, eu acabo sempre encontrando com meus amigos nos locais, então dá para conversar”, crava ele. Nas tarefas do dia-a-dia, a coisa muda um pouco. “Durante a semana, por falta de tempo para ir ao supermercado, acabo comendo muito fora de casa, e da família eu praticamente sumi”, fala sobre a correria diária.

            Cada um tem suas razões para deixar o estudo de lado e se jogar de cabeça no trabalho, mas, algumas vezes, a oportunidade vem até você ao invés de você ir atrás dela. Esse foi o caso de Daniel Oliveira, 23, social-mídia de uma das maiores agências do Espírito Santo, a Criativa Propaganda e estudante de publicidade da Ufes, ao ser convidado para deixar seu estágio e assumir o atual emprego. “Ter entrado no mercado mais cedo me fez muito bem”, diz, “creio que esse seja o caso da maioria mas, no meu em especial, pode ter ainda algum benefício a mais, pois trabalho com mídias sociais, uma função relativamente nova”. Tornou-se prática comum essa área da publicidade ser manejada por jovens, como diz Daniel: “quando eu comecei todos estavam começando também, esse cenário me proporcionou uma oportunidade muito boa de despontar e expandir os horizontes da carreira logo no início”.

Elizabeth Nader, 44, fotojornalista formada em 1994 pela Universidade Federal do Espírito Santo, professora e a favor de atrasar o curso.
Elizabeth Nader, 44, fotojornalista formada em 1994 pela Universidade Federal do Espírito Santo, professora e a favor de atrasar o curso.

Esses casos estão longe de serem isolados. Em matéria recentes no jornal Metro, a Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) anunciou que 52% em um universo total de 16 mil alunos não se formaram no tempo previsto, sendo que os cursos de Letras Português, ambos os períodos, lideram o ranking com mais de 90% de retenção de alunos. Outro curso destaque é o de Desenho Industrial, com um pouco mais de 84% de alunos atrasados. Mas os motivos para essa retenção em cada curso são diferentes: a maioria dos alunos do curso de Desenho Industrial encontra emprego antes de completar os quatro anos e meio requeridos, tanto através de contrato ou por meio de empreendedorismo, segundo alunos do curso. Entram na lista também Artes Plásticas, Letras Inglês, Ciências Contábeis e Ciências Sociais.

Se existe uma unanimidade de opiniões entre todos que optaram por esse caminho é que não há arrependimentos. Nenhum dos entrevistados diz ter se equivocado com a opção, “Nunca houve um dia sequer em que eu tenha me arrependido” diz Daniel ao quase combinar a resposta com Lucas, que não se arrepende nem um pouco e ainda acrescenta:  “com essa vida mais corrida eu acabei amadurecendo mais rápido”. Quando questionados se fariam diferente, Daniel responde por todos. “Não teria vontade de ter feito diferente, vou construindo minha estrada sempre tentando aproveitar o que possa me fazer melhor seja a curto, médio ou longo prazo” igualando sua frase a algo similar a uma melodia de reggae, gênero que vive tocando em seus fones.

            Não é possível determinar se essas pessoas fizeram uma escolha correta ou errada, todas elas fizeram, segundo elas, “a melhor escolha para eles” ao deixar de lado o curso em prol da vida profissional. Professora e experiente, Elizabeth Nader lembra de um último conselho para todos que desejam trilhar esse caminho, “faça isso de acordo com a necessidade, mas não deixe isso atrapalhar a vida acadêmica. Faça devagar se for necessário, mas faça direito” encerra ela, como uma lição de vida.

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