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Marcos Siqueira e Vil Rangel – Quando falamos em trabalho talvez a primeira imagem lembrada pela maioria das pessoas seja a de uma fábrica com linha de produção bem definida para geração de um produto. Essa noção está mudando principalmente devido a inserção das novas tecnologias no ambiente de trabalho.

Para autores como o sociólogo italiano Domenico De Masi, o desenvolvimento tecnológico, principalmente a tecnologia da informação, é importante para dar ao trabalhador mais tempo livre, já que uma das vantagens dela é dar mais agilidade aos processos produtivos. Para De Masi, é nesse tempo livre que o trabalhador pode desenvolver o seu ócio criativo.

Para outros autores isso não acontece, como explica a pós-doutoranda em Política Social pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) Lívia de Cássia Godoi Moraes. “Existe um potencial que essa tecnologia trouxe de deixar o homem livre, entretanto não deixou. Análises de lucro (mais valia) nas empresas demonstraram que com a tecnologia o empregado trabalha menos tempo para pagar seu salário e os custos da empresa, e no tempo livre que ele teria para o ócio criativo o trabalhador continua gerando mais lucro para o capitalista”.

Para o doutor em história social pela Universidade de Paris 1 e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Giuseppe Cocco. “Hoje o capitalismo é organizado em redes, portanto, ser territorializado e desterritorializado ao mesmo tempo, é uma de suas características. Outra característica fundamental em termos de governança é de ser financeiro e a terceira característica é que o valor que o caracteriza intangível, um valor de tipo cognitivo, quem produz esse tipo de valor circulando nas redes e sendo regulado pela dinâmica do débito e do crédito é um novo tipo de trabalho, que é esse trabalho com subjetividade. Que se chama trabalho imaterial.”.

Cocco diz ainda. “O trabalho imaterial que produz esse valor cognitivo, que a gente diz que é intangível, ele não cabe mais na relação salarial tradicional. Que por sua vez não desaparece. Mas significa que a relação salarial, relação de emprego, ela não contém todas as atividades de trabalho, porque o trabalho virou outra coisa. A característica desse trabalho que acontece nas redes e que é capaz de agregar valor imaterial. É que esse trabalho não se consome quando ele acontece”. (Assista a palestra na integra com Giuseppe Cocco durante o café filosófico da CPFL Cultura)

 

Lívia também explicou que a inserção da tecnologia tem maior impacto com o trabalho imaterial do que com o material que é mais palpável. O trabalho imaterial depende mais do pensar do trabalhador e exige mais participação do operário para dar sugestões que tornarão o processo de produção mais vantajoso para a empresa.

Hoje com as tecnologias de informação mais desenvolvidas muitas pessoas já conseguem trabalhar em casa ou ainda ter mais de um emprego. O que parece ser um bom negócio para o trabalhador é ainda melhor para as empresas que diminuem suas despesas com água, luz, internet e materiais de uso comum, transferindo todos esses gastos para os funcionários.

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