SUA reúne estudantes do sudeste para discutir cinema

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(Mariana Bergamini e Karol Lyrio)

Prestes a formar sua primeira turma, Cinema e Audiovisual é a habilitação mais nova do curso de Comunicação Social da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). E seus poucos quatro de anos de existência não foram tímidos, trabalhos solicitados durante as disciplinas se destacaram fora da universidade e já alcançaram até premiações.

 

Estudantes em discussão na SUA. (Foto: Comunicação SUA)
Estudantes em discussão na SUA. (Foto: Comunicação SUA)

Prova de que essa turma está sempre em atividade é que eles aproveitaram o feriado do dia do trabalhador para promover a Semana Universitária de Audiovisual (SUA) e discutir os “processos criativos e novos fazeres” do cinema, tema do encontro, com estudantes de todo o Sudeste.

Tudo começou quando, pela primeira vez, um grupo da Ufes participou da 7ª edição nacional da SUA, no ano passado, em Niterói. Surpresos com falta de conhecimento dos estudantes de audiovisual a respeito uns dos outros, decidiram realizar o encontro no Espírito Santo.

“Muitas das pessoas que estavam no Rio de Janeiro ano passado sequer sabiam da existência do curso de Cinema e Audiovisual na Ufes. Trazer uma SUA para cá representa certa quebra no eixo Rio – São Paulo ao qual o evento ficava restrito”, explica Carolini Covre, que cursa o 8º período de audiovisual na Ufes e faz parte da organização do evento.

Essa é a primeira vez que acontece uma edição regional da SUA e ela contou com a participação de aproximadamente 70 inscritos, dentre eles, estudantes da Universidade Federal Fluminense (UFF), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e do Senac São Paulo.

O aluno de Midialogia da Unicamp, Rodrigo Fanstini, veio participar da Semana e apresentar um programa piloto que fez para TV. “Estava em busca de novas experiências e gostei muito das discussões levantadas aqui. Fugimos um pouco do que é comum quando discutimos cinema e exploramos novas perspectivas e temas”, disse, referindo-se à variada programação da SUA, que contou, em seus quatro dias com debates, oficinas, mesas redondas, palestras e mostras cinematográficas de produções universitárias, seguidas de discussões.

 

Cinema no Estado

O mercado capixaba de audiovisual aos poucos ganha visibilidade com produções capixabas bem sucedidas em festivais e que até vão para a telona em circuito comercial. Nomes como o do cineasta Rodrigo Aragão, diretor de Mangue Negro, A Noite do Chupacabras e Mar Negro, reconhecido por criar um novo gênero de filmes, denominado “eco terror”, contribuem para alavancar o audiovisual capixaba.

A boa fase não é mérito único de gente renomada, o curso de Cinema e Audiovisual da Ufes começa a movimentar esse cenário com produções que surpreendem pela qualidade. O documentário “Sinal Vermelho”, de Naiara Bolzan, que está no 8º período do curso é um desses trabalhos que deram muito certo. O filme recebeu duas menções honrosas: no Vitória Cine Vídeo e na Mostra da ABD Capixaba, além de ser premiado pela Organização de Cineclubes Capixabas (OCCa).

Imagem do documentário "Sinal Vermelho". (Foto: Divulgação)
Imagem do documentário “Sinal Vermelho”. (Foto: Divulgação)

Para Naiara, que dividiu a direção com a colega de sala Cristina Margon, esse é um resultado entusiasmante, visto que o documentário é fruto de uma atividade acadêmica feita quase sem nenhum dinheiro. “É extremamente gratificante ver o seu trabalho alcançando diferentes públicos. O que fazemos aqui na universidade e repercuti positivamente fora dela funciona como uma vitrine capaz de nos apresentar para o mercado”, conta a estudante.

 

Ainda não se sabe como essa primeira turma, que se forma na metade deste ano, será incorporada ao mercado. O curso foi pensado de acordo com as novas tecnologias do audiovisual, possibilitando aos estudantes a capacidade de trabalhar com diversos formatos atuais. “Você percebe o desejo do aluno de seguir os preceitos ensinados e produzir os trabalhos com uma boa qualidade técnica, além de experimentar linguagens de modo estruturado nos conhecimentos e teorias adquiridos na universidade.”, disse a professora do Departamento de Comunicação, Daniela Zanetti.

O curso de Cinema e Audiovisual da Ufes é uma promessa que começa a dar seus primeiros frutos. As transformações que ele pode trazer para a sociedade só serão vistas em longo prazo, mas uma coisa já é consenso entre os estudantes: eles querem se formar e conseguir viver do audiovisual, para além da publicidade que os suga, ter outros caminhos de atuação.

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