Share Button

Manoela Albuquerque e Mariana Bergamini – Os orelhões já foram importantes meios de comunicação dentro das cidades. Hoje, quase invisíveis, eles perdem espaço para cada aparelho celular comercializado. Dados fornecidos pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) indicam um declínio progressivo nos investimentos em telefones públicos no Brasil desde 2007. A obsolescência desses aparelhos gera o dilema de uma possível modernização dos serviços ou seu total desaparecimento.

Atualmente, a regulamentação para a instalação de Telefones de Uso Público (TUPs), conhecidos popularmente como orelhões, é realizada pelo Plano Geral de Metas de Universalização da telefonia fixa (PGMU). Esse plano assegura, por município, o número mínimo de quatro orelhões para cada mil habitantes, instalados em distância máxima de 300 metros. Mas, de acordo com dados fornecidos pela Anatel, quase 50% dos orelhões existentes no Brasil realizam somente de uma a duas chamadas por dia.

Em contrapartida, o número de celulares no país é superior ao de habitantes, chegando a mais de 270 milhões de linhas em uso. A possibilidade de convergência de mídias permite a criação de aparelhos portáteis cada vez mais atraentes para os usuários. As operadoras de telefonia móvel, por sua vez, oferecem pacotes e promoções variados.

Tendo em vista o quadro de queda constatado no Brasil, a Agência revelou a existência de novos projetos para os TUPs. “Têm sido desenvolvidos estudos e pesquisas, com o intuito de buscar alternativas viáveis para o redimensionamento e a modernização desses acessos coletivos, de modo a transformá-los novamente em importantes equipamentos de utilidade pública, em consonância com os anseios da sociedade”, informou a assessoria de imprensa do órgão.

Os telefones públicos, tais como são hoje, estão caindo em desuso, mas a legislação vigente não permite que eles sejam extintos. A Anatel justifica que os TUPs são importantes para a realização de chamadas de emergência gratuitas, capazes de salvar vidas, e são indispensáveis nas áreas em que o telefone público é o único meio de comunicação existente.

No momento, o PGMU encontra-se em fase de revisão (Processo Anatel nº 53500.022263/2013) e há previsão para que ele seja disponibilizado para consulta pública até 30 de junho de 2014. Também está em andamento, na Anatel, a revisão do Regulamento do TUP (Processo nº 53500.016439/2010), com o objetivo de tornar mais flexível o uso dos orelhões, por exemplo, por meio da viabilização de novas formas de pagamento além do atual cartão indutivo.

São raros os estabelecimentos comerciais e bancas de revista que vendem cartões telefônicos, porque eles foram substituídos pelos chips de celular” Matheus Nogari.

Coleção

Foto: arquivo pessoal de Matheus Nogari

Apesar de os orelhões estarem longe de entrar para o museu, os cartões telefônicos utilizados nesses aparelhos já são colecionados há muito tempo. O estudante de Publicidade e Propaganda Matheus Nogari possui um acervo de aproximadamente 250 cartões. “Comecei a colecionar há algum tempo, quando uma tia minha voltou de uma viagem pelo mundo e trouxe vários cartões pra mim, de diversos países. Continuei juntando alguns exemplares brasileiros, mas depois de um tempo parei, por conta do desuso dos orelhões. São raros os estabelecimentos comerciais e bancas de revista que vendem cartões telefônicos, porque eles foram substituídos pelos chips de celular”, conta o colecionador.

Segundo Matheus, quando ele era mais novo, andava sempre com um cartão na carteira ou na mochila. A principal função dos orelhões para ele, na época, era fazer ligações para casa, enquanto estava na rua. “Com certeza, existem menos orelhões do que quando era criança. Acho que a tendência é que os orelhões desapareçam gradativamente, por conta da presença da telefonia móvel. Mas penso que não devem deixar de existir de vez, porque, na falta de um celular, o orelhão ainda pode quebrar um galho”, opina o estudante.

O sucateamento dos telefones públicos

Foto: Antônio Lucas Almeida

Foto: Antônio Lucas Almeida

Além de não serem mais utilizados com a mesma frequência de alguns anos atrás, os orelhões passaram a ser alvo de depredações. É comum ver esses aparelhos pichados, remendados e impossibilitados de realizarem chamadas. Dos 845.563 existentes no Brasil, 118.790 não estão funcionando.

Segundo a Anatel, as concessionárias de telefonia fixa são responsáveis pelo serviço de telefonia de uso público. Por isso, é obrigação dessas empresas realizar manutenção preventiva e corretiva dos TUPs, mas muitas vezes elas descumprem as obrigações. Em decorrência disso, nos últimos dez anos, foram aplicadas multas que totalizam R$ 390.558.527,66.

Telefones públicos e linhas móveis no Espírito Santo

Assim como acontece no Brasil, no Espírito Santo o número de linhas móveis em uso é superior ao número de pessoas. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o estado possui 3.839.366 habitantes. Segundo a Anatel, o número de linhas móveis chega a mais de 4,5 milhões. Em território capixaba, existem 15.610 orelhões, sendo que 1.214 não estão funcionando.

Marcelo Siqueira é uma dessas pessoas que possuem mais que um aparelho celular. Ele trabalha na Secretaria Estadual de Cultura (Secult), a qual exige que o servidor tenha um segundo telefone. “É importante separar a vida profissional da pessoal. São contatos diferentes que tenho nos dois celulares e não costumo misturar as coisas. No celular de trabalho só faço ligações para essa finalidade, até porque não sou eu que pago a conta”, explicou Marcelo.

Mesmo com todos os benefícios do telefone móvel, os aparelhos também têm seus pontos fracos. Entre eles, o principal: a bateria. “Às vezes ter dois celulares pode ser o mesmo que não ter nenhum. Quando acaba a bateria, temos que correr para o telefone mais próximo, por isso ando sempre com um cartão telefônico na carteira”, contou o funcionário da Secult.

Fique Ligado!

Para quem quiser informações sobre os orelhões em todo Brasil, a Anatel disponibiliza uma ferramenta online de busca. É o “Fique Ligado!”, programa em que é possível rastrear a quantidade de orelhões existentes em cada município brasileiro, disponibilizando características individuais de cada aparelho, tais como: número, localização e status de funcionamento.

Share Button

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *