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Edézio Peterle – Rodeada pela mata verde, à direita de quem vai para a sede do município de Vargem Alta, se avista a casa de janelas azuis, com varanda, jardim de lindas flores, uma quaresmeira e muitas rosas. Diante desse cenário nostálgico, faz-se brotar no fundo da alma a tranquilidade e a serenidade do passado, presente à frente dos olhos.

Aproximando-se da casa, alta mais ou menos um metro do chão, já estamos abrigados pela sombra da jabuticabeira. O café secando debaixo da casa e o cachorro, preso à corrente, late incomodado com a presença estranha.

A “tuia” de estuque é a guardiã do trabalho do nonno Dell’Armi. As ferramentas, as invenções, o esmeril, os bronti (panelões), ocupam o espaço e nos fazem parar e refletir como o trabalho na lavoura era uma tarefa árdua, mas fundamental para a sobrevivência familiar. Ali se guardava a produção: biava (milho), fazoi (feijão)… sendo assim ainda hoje, porém, em menor quantidade.

Em direção à casa, se ouve o barulho da água corrente, cristalina, fresca e pura. Cai sem cessar, dia após dia. O fogão a lenha de azulejos brancos é o anfitrião da cozinha. O banquinho embaixo da janela, ao lado da cristaleira, convida-nos a sentar, para ali se reunir com os descendentes da nonna, que com seus cabelos brancos como algodão, escuta os dizeres, os casos antigos, mas não retruca e nem concorda; quieta, observa com os olhinhos azuis um tanto perdidos.

Da janela da cozinha é possível ver a estrada, que, com pouco movimento, é percorrida por um carro e, em considerável intervalo de tempo, por outro. A casa, a nonna, a esperança resistem ao tempo, preservando suas particularidades, ensinando-nos que a essência da vida está na simplicidade, que deveria ser praticada por todos, para a existência voltar a valer a pena.

Na despedida; abraços e saudações, completam o café oferecido e bem apreciado. Fechando a porteira e com o último aceno de adeus, retribuído docemente pela noninha, aquele cenário vai de distanciando, ficando longe, até sumir na primeira curva da estrada. Ao olhar para frente voltamos ao caminho da realidade. Mas antes que a saudade aumente no coração, o sentimento que prevalece é a vontade de voltar à casa da nonna, no Castelinho. O recanto que renova o sentido de viver e nos possibilita um encontro íntimo com nosso próprio ser. 

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