Você tem conta no banco? E dívida?

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Atualmente, 11% dos consumidores com idade até 25 anos estão inadimplentes

(Poliana Pauli) A entrada no mercado de trabalho traz para o jovem uma nova realidade. A renda, ainda que reduzida, proporciona certa independência e permite que ele comece a adquirir bens e tenha mais flexibilidade financeira com o uso liberado de cartões de crédito e cheque especial. Segundo a Federação do Comércio do Rio de Janeiro (Fecomércio –RJ), 25% dos jovens brasileiros com idades entre 16 e 24 anos têm cartão de crédito, mas 11% dos consumidores com idade até 25 anos são inadimplentes.

Para a analista financeira Bethânia Moreira o maior problema é a desorganização. “O acesso facilitado ao crédito leva alguns jovens a ter mais de um cartão. Isso faz com que as dívidas se acumulem, podendo comprometer um valor maior do que a renda mensal”, afirma. Ainda segundo Bethânia, que é formada em Economia, é necessário acompanhar constantemente os extratos e comprovantes de pagamentos, além de estar sempre atento às taxas cobradas pelos serviços oferecidos.

“Grande parte do público que tem até 25 anos não procura saber quanto paga de juros, ou até mesmo deixa de registrar as contas que estão para vencer. Isso faz com que só perceba o montante da dívida quando as faturas chegam, e nesse momento pode já não ser possível arcar com o valor. É nessa hora que se comete o erro de pagar apenas a parcela mínima do cartão, o que gera juros e, assim, torna a dívida ainda maior”, destaca.

Devia, não nego

Há dois anos, A.S., de 23 anos, perdeu a vaga na empresa onde estagiava e, com a falta do salário mensal, começou a fazer compras, pagar restaurantes e bares com o cartão de crédito. Como estava sem renda, o universitário não tinha como pagar e parcelou a dívida do cartão, que tem juros médios de 10% ao mês.

“Quando meu limite do cartão de crédito acabou, passei para o cheque especial. Em cerca de oito meses já estava com uma dívida acumulada em mais de R$ 1.500”, lembra. De acordo com A.S., ele teve que buscar um emprego fora de sua área de interesse e trabalhou dois meses apenas para quitar o débito. “Depois que consegui pagar o cartão e o cheque especial, passei a me organizar com as contas e a gastar só aquilo que poderia pagar”, afirma.

Organização

Uma dica da analista é pré-estabelecer um valor a ser gasto semanalmente e se disciplinar para não ultrapassar esse limite. Dessa forma, é possível ficar com saldo positivo mesmo nos últimos dias do mês. Planilhas também são ótimas formas de controle.

Para a economista, controle financeiro é como uma dieta. “É preciso determinação, pois o ato de consumir é prazeroso, assim como o de comer. Mas temos que analisar as conseqüências do que fazemos para não haver arrependimentos”, orienta.

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