Vão: espaço vazio; intervalo; lacuna.

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[h3]Escritor, compositor, cantor, professor. Esses, entre muitos outros adjetivos, revelam quem é André Prando.[/h3]

Inglydy Rodrigues –  Com um olhar curioso disfarçado atrás dos óculos, uma simpatia contagiante, além de uma longa barba negra. André Prando fala com brandura, uma ação que executa com excelência, ao contar um pouco de sua história e de suas produções musicais.

Nascido e criado em Vitória (ES), tem em sua vida musical uma relação muito próxima com a literatura. Ambas cresceram e se desenvolveram juntamente com André, pois como afirma o cantor “meu primeiro interesse com a música foi de poder tocar o que escrevia em meus versos”. Sua primeira atuação no ramo musical foi ainda criança quando os amigos da escola tocavam violão, foi com eles que teve suas primeiras aulas do/com o instrumento.

Filho de mãe artesã, atribui a ela a sensibilidade que possui com a arte. E, foi seguindo um conselho dela que, assim que terminou o ensino médio, cursou Segurança do Trabalho, o que  lhe possibilitaria criar uma carreira sólida, mas desistiu por este não ser seu sonho. Ao concluir, iniciou a graduação em Desenho Industrial, na Ufes, porém, após dois anos resolveu seguir o que mais desejava: a música.

André Prando.
André Prando.

Seu trabalho, hoje, é cantar na noite e divulgar o cantor que é. Construção que teve ao longo dos anos e de suas experiências musicais.

A primeira vez que pisou em um palco foi em eventos de cultura japonesa, festa que ainda acontecem no Estado, mas seu sonho sempre foi atuar com músicas autorais, devido aos próprios escritos. E, foi com a banda Mendigos Cientistas, antiga OutDoor, que teve a primeira experiência autoral, a partir de 2007.

Com a banda, eles participaram de diversos festivais, tocaram em vários clubes, mas também passaram por situações complicadas, “Já entramos em muita barca furada, já fomos convidados para tocar e chegar lá e cantar para ninguém” lembra André.

Segundo o cantor, todos esses momentos foram importantes e ainda são, pois prepararam-no para chegar onde está hoje, com um EP recentemente lançado e na produção de um CD completo. Seu desejo formado ainda criança, veio a ter mais força entre os anos de 2010 e 2011, quando o músico passou a dar mais atenção ao que escrevia e não se encaixava na banda Mendigos Cientistas.

Foi revendo algumas composições antigas, chamando pessoas novas, que se identificassem com sua música, que surgiu seu projeto solo, intitulado André Prando. Seu envolvimento com outros músicos, para além das noites de Rock que aconteciam na Ufes ou nos Pub’s, fez com que André soubesse mais dos profissionais que tocam em bares, que também tinham músicas próprias, e descobrisse cada vez mais esse modo de viver de sua música autoral.

Até 2012, ele atuou paralelamente em seu projeto solo e na banda, contudo, neste mesmo ano, a Mendigos Cientistas entrou em um hiato e o jovem compositor passou a dedicar-se apenas ao seu projeto “André Prando”, lançando em janeiro de 2014, seu primeiro EP, denominado “Vão”.

O “Vão” foi produzido de forma independente e em parceria com o Coletivo Expurgação. Como afirma o cantor, o “EP é o preenchimento de um vão. Troca-se tudo, na verdade, e o EP é um vão”. Porque para André esta produção foi a preparação para o CD. Da mesma forma que ficar dois anos no estúdio aprendendo a lidar mais com a música, com as pessoas e o dinheiro, a Mendigos Cientistas foi a preparação dele para esse primeiro trabalho solo.

As músicas de “Vão”, como afirma André, caminham todas para um lado. A primeira chama-se “A ponte 2”, que, segundo seu compositor, o vão é tanto um vão a se preencher quanto uma ponte . A música “O verme ama” fala do desapego das coisas. “Eu considero o EP como uma obra dedicada a Willian Black, escritor medieval, um livro dele muito importante para mim é ‘As núpcias entre o céu e o inferno”, dedica o cantor. E foi desse livro que tirou o nome da canção “O verme ama”, que na verdade é um provérbio inteiro que diz: O verme ama o arado que o corta.

Capa do EP "Vão". Primeiro trabalho solo do cantor e compositor, André Prando
Capa do EP “Vão”. Primeiro trabalho solo do cantor e compositor, André Prando

Das quatro faixas do EP, a terceira, “Sol do meu violão”, é uma produção mais antiga e bonita, tem uma beleza cantada, dedilhado. O final dela dá o impulso para vir a “Bem e o mal”, que fala exatamente da coisa do equilíbrio que também vem do livro de Willian black, afirma André.

O EP para André possui uma vida real e funciona como preenchimento desse vão, como uma ponte para seu próximo trabalho, como uma transição de uma coisa para outra.“Então, o EP é esse vão entre o antes e o futuro, é uma ponte para o algo mais, é onde estou agora”. E, é nessa continuidade que encara a vida, como acreditar na vida após a morte.

Seu próximo trabalho contará com a ajuda do edital da Secult 2013. O projeto André Prando foi contemplado e consiste em produzir um CD inteiro de 10 faixas. O título do projeto é Estranho Sutil e deve chegar no segundo semestre desse ano.

Confira aqui o EP “Vão” completo

https://soundcloud.com/andreprando

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